Bento Biscop

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São Bento Biscop
São Bento Bisco com uma maquete da Igreja de São Pedro em Monkwearmouth-Jarrow
Nascimento c. 628 em Reino da Nortúmbria
Morte 12 de janeiro de 690 (62 anos) em Mosteiro de São Pedro, Wearmouth
Veneração por Igreja Católica
Igreja da Inglaterra
Igreja Ortodoxa
Festa litúrgica 12 de janeiro
Padroeiro Beneditinos ingleses[1]; músicos; pintores; Sunderland;[2] Abadia de Thorney (Abadia de Glastonbury)
Gloriole.svg Portal dos Santos

Bento Biscop ou Benedito Biscop (em inglês: Benedict Biscop), conhecido também como Biscop Baducing, foi um abade anglo-saxão e fundador da Abadia de Monkwearmouth-Jarrow (onde se encontrava a famosa biblioteca de mesmo nome) que passou a ser venerado como santo depois de sua morte.

Vida[editar | editar código-fonte]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Bento nasceu numa família nobre do Reino da Nortúmbria e foi, por um tempo, "thegn" do rei Oswiu[3][a]. Aos 25, Bento realizou a primeira de suas cinco viagens à Roma, acompanhando seu amigo São Vilfrido, o Velho. Porém, ele acabou tendo que ficar em Lyon e Bento completou a viagem sozinho. Ao retornar à Inglaterra, estava "repleto do fervor e entusiasmo... pelo bem da Igreja inglesa".[4]

A segunda viagem ocorreu doze anos depois e, desta vez, Bento teve a companhia de Alcafrido de Deira (Alchfrith), um filho de Oswiu. Desta vez, encontrou Aca (Acca) e Vilfrido. Na viagem de volta, parou na Abadia de Lérins, uma ilha monástica na costa mediterrânea da Provença. Durante os dois anos que passou ali (665-667), estudou e acabou fazendo seus votos, assumindo o nome de "Bento" (Benedict).

Em seguida, fez sua terceira viagem à Roma. Desta vez, foi contratado pelo papa para acompanhar o arcebispo Teodoro de Tarso de volta a Cantuária em 669. Na viagem de volta, Bento foi nomeado abade de São Pedro e São Paulo em Cantuária por Teodoro e permaneceu dois anos na função.[5]

Fundador[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Abadia de Monkwearmouth-Jarrow

Egfrido da Nortúmbria doou terras a Bento em 674 para a construção de um mosteiro. Para fazê-lo, Bento viajou à Frância em busca de engenheiros que pudessem construir um edifício no estilo romanesco. A quinta e última viagem de Bento à Roma, em 679, foi em busca de mais livros, relíquias, engenheiros, vidraceiros e concessões do papa Agatão para seu novo mosteiro. Só a biblioteca precisou de cinco viagens para ser devidamente estocada.[6][7]

Em 682, Bento nomeou Eosterwine como coadjutor. O rei, encantado com o sucesso de São Pedro, doou mais terras a Bento em Jarrow e ordenou que ele construísse um segundo mosteiro. Bento erigiu uma fundação irmã (São Paulo) e nomeou Ceolfrido (Ceolfrith) para comandá-la. Ele partiu imediatamente depois acompanhado de 20 monges, incluindo seu protegido, Beda, para dar início aos trabalhos.[7][8]

A ideia era construir um mosteiro modelo para a Inglaterra, compartilhando conhecimentos sobre as tradições romanas numa região sob forte influência do cristianismo celta dos missionários de Melrose e Iona. Foi o primeiro edifício eclesiástico na Britânia a ser construído em pedra e a utilização de vitrais era uma novidade na maior parte da Inglaterra do século VII. A abadia acabou com uma das maiores bibliotecas de sua época - contando com algumas centenas de volumes - e foi nela que o estudante de Bento, Beda, escreveu suas obras mais famosas. A biblioteca ficou famosa no mundo inteiro e os manuscritos produzidos ali tornaram-se objetos do desejo de colecionadores por toda a Europa,[9] incluindo o famoso "Codex Amiatinus", o mais antigo manuscrito preservado com o texto completo da Bíblia (na versão da Vulgata).

Muito doente, Bento passou seus últimos anos de cama, aguentando o crescente sofrimento com grande paciência e fé.[7] Morreu finalmente em 12 de janeiro de 690.[10]

Visão geral[editar | editar código-fonte]

Durante a vida de Bento, ele pôde presenciar uma mudança na Igreja: de uma divisão entre o catolicismo romano e o cristianismo celta e a ameaça constante do paganismo, a Igreja se reforçou, unida, crescente e mundial. Bento é reconhecido como santo e sua festa é em 12 de janeiro.

Notas[editar | editar código-fonte]

[a] ^ "Biscop", apesar de pouco comum, não é um nome nortúmbrio raro. Blair lembra da possibilidade de, dada a proximidade do nascimento de Bento e da conversão do rei Eduíno de Deira, excepcionalmente, seu nascimento ou, talvez, seu batismo, pode ter alguma relação com o nome.

Referências

  1. English Benedictine Congregation – January Ordo
  2. Desde 24 de março de 2004 - Sunderland City Council minutes, 24 March 2004
  3. HAbb, I; Blair, p. 155.
  4. St. Benedict Biscop (AD 628–689). An edition of Gibson, E.C.S., Northumbrian Saints, S.P.C.K., 1884. Britannia.com. Retrieved on 26 May 2008.
  5. HAbb, II–III; Blair, pp. 156–159
  6. Woods, Tomas E., Jr. (2005). How the Catholic Church Built Western Civilization. [S.l.]: Regnery. ISBN =0895260387 Verifique |isbn= (ajuda) 
  7. a b c Attwater, Donald and Catherine Rachel John. The Penguin Dictionary of Saints. 3rd edition. New York: Penguin Books, 1993. ISBN 0-14-051312-4.
  8. HAbb, IV–VI; Blair, p. 161.
  9. HAbb, IV & VI; Blair, pp. 165ff.
  10. AVCeol, 18; Blair, p. 177.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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