Sérvio Cornélio Maluginense (tribuno consular em 386 a.C.)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Não confundir com Sérvio Cornélio Maluginense, cônsul em 459 a.C..
Sérvio Cornélio Maluginense
Tribuno consular da República Romana
Tribunato 386 a.C.
384 a.C.
382 a.C.
380 a.C.
376 a.C.
370 a.C.
368 a.C.

Sérvio Cornélio Maluginense (em latim: Servius Cornelius Maluginensis) foi um político da gente Cornélia nos primeiros anos da República Romana, eleito tribuno consular por sete vezes, em 386, 384, 382, 380, 376, 370 e 368 a.C..

Primeiro tribunato consolar (386 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 386 a.C., foi eleito tribuno consular com Marco Fúrio Camilo, Quinto Servílio Fidenato, Lúcio Horácio Púlvilo, Lúcio Quíncio Cincinato Capitolino e Públio Valério Potito Publícola[1].

Quando Anzio (Antium) resolveu se levantar contra Roma, apoiada pelos jovens latinos e hérnicos, o Senado decidiu entregar as operações militares a Fúrio Camilo, que levou consigo seu colega Públio Valério. A Quinto Servílio foi encarregada a missão de organizar um exército que ficaria em território romano para defender a cidade contra um possível ataque dos etruscos. Lúcio Quíncio liderou a defesa da própria cidade de Roma, Lúcio Horácio organizou os suprimentos e a logística para a campanha e Sérvio Cornélio, a administração pública[1].

Depois de derrotados os volscos, os romanos se voltaram contra os etruscos que estavam cercando Sutri e Nepi, entregando o comando da operação a Fúrio Camilo; Lúcio Quíncio e Lúcio Horácio foram encarregados de supervisionar a reconstrução da zona rural devastada pela campanha contra os volscos[2].

Segundo tribunato consular (384 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 384 a.C., foi eleito novamente, desta vez com Marco Fúrio Camilo, Caio Papírio Crasso, Públio Valério Potito Publícola, Sérvio Sulpício Rufo e Tito Quíncio Cincinato Capitolino[3].

O ano de 384 a.C. foi marcado pelo processo contra Marco Mânlio Capitolino e que terminou, tragicamente, com sua condenação à morte na Rocha Tarpeia[4]. Marco era um grande adversário de Camilo e o acusava de querer ser rei, justamente a acusação que o levaria à morte.

Terceiro tribunato consular (382 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 382 a.C, foi eleito pela terceira vez, com Espúrio Papírio Crasso, Lúcio Papírio Crasso, Lúcio Emílio Mamercino, Quinto Servílio Fidenato e Caio Sulpício Camerino[5].

Lúcio e Espúrio Papírio comandaram as legiões romanas que derrotaram os habitantes de Velécia e o contingente prenestino aliado enquanto Lúcio Emílio e os demais tribunos receberam o comando das forças deixadas em Roma para a defesa da cidade[5].

Quarto tribunato consular (380 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 380 a.C., foi eleito, segundo os Fastos Capitolinos, com Caio Sulpício Pético, Lúcio Valério Publícola, Cneu Sérgio Fidenato Cosso, Licínio Menênio Lanato, Lúcio Emílio Mamercino, Tibério Papírio Crasso, Lúcio Papírio Crasso (ou Mugilano) e Públio Valério Potito Publícola. Lívio[6] nomeia seis cônsules para o ano: Lúcio e Públio Valério, o primeiro pela quinta vez e o segundo, pela terceira, Caio Sérgio, pela terceira vez, Licínio Menênio, pela segunda vez, e depois Públio Papírio e Sérvio Cornélio Maluginense.

O ano foi marcado pela disputa entre patrícios e plebeus sobre a questão dos cidadãos romanos caídos em escravidão por dívidas. Deste conflito se aproveitaram os prenestinos, que chegaram até a Porta Colina. Para tratar de derrotar o inimigo externo, mas ainda assim limitando os poderes dos tribunos da plebe, o Senado nomeou ditador Tito Quíncio Cincinato Capitolino, que levou os romanos à vitória[7].

Quinto tribunato consular (376 a.C.)?[editar | editar código-fonte]

Em 376 a.C., provavelmente foi tribuno com Lúcio Papírio Crasso, Licínio Menênio Lanato e Sérvio Sulpício Pretextato II[8].

Sexto (ou quinto?) tribunato consular (370 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 370 a.C., Sérvio Cornélio foi eleito pela última vez, com Sérvio Sulpício Pretextato, Caio Valério Potito, Lúcio Fúrio Medulino Fuso, Aulo Mânlio Capitolino e Públio Valério Potito Publícola[9].

As eleições em Roma foram interrompidas por um período de cinco anos, durante os quais não se elegerem tribunos consulares, principalmente por causa do veto imposto pelos tribunos da plebe Caio Licínio Calvo Estolão e Lúcio Séstio Laterano[10] e a causa foi o ataco dos veletros a Túsculo, uma cidade aliada de Roma. Os romanos conseguiram expulsar os atacantes em sua própria cidade, que foi cercada, mas não foi possível capturá-la[9].

Sétimo (ou sexto?) tribunato consular (368 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 368 a.C., foi eleito tribuno consular pela última vez, com Espúrio Servílio Estruto, Lúcio Papírio Crasso, Sérvio Sulpício Pretextato, Tito Quíncio Cincinato Capitolino e Lúcio Vetúrio Crasso Cicurino[11].

Quando os tribunos da plebe Caio Licínio Calvo Estolão e Lúcio Sêxtio Laterano lideraram as tribos a votarem as suas próprias propostas a favor da plebe, mesmo com o veto expresso dos demais tribunos da plebe, controlados pelos patrícios. O Senado então nomeou Camilo ditador pela quarta vez, nominalmente para dar conta de um ataque dos velétrios, mas principalmente para impedir a votação das leis de Licínio e Sêxtio[11].

E como as tribos já haviam sido convocadas a votar e o veto dos colegas não impediu os promotores da lei, os patrícios, alarmados, recorreram a duas medidas extremas: o cargo mais alto e o cidadão acima de todos os demais. Decidiram nomear um ditador e a escolha recaiu sobre Marco Fúrio Camilo, que escolheu Lúcio Emílio como seu mestre da cavalaria.
 
Lívio, Ab Urbe Condita VI, 4, 38[11].

Mestre da cavalaria (361 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Em 361, Sérvio Cornélio foi escolhido mestre da cavalaria (magister equitum) pelo ditador Tito Quíncio Peno Capitolino Crispino, nomeado para conduzir a guerra contra os gauleses[12].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Tribuno consular da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
Lúcio Papírio Cursor

com Lúcio Emílio Mamercino III
com Lúcio Valério Publícola III
com Licínio Menênio Lanato
com Cneu Sérgio Fidenato Cosso

Marco Fúrio Camilo IV
386 a.C.

com Lúcio Horácio Púlvilo
com Sérvio Cornélio Maluginense
com Quinto Servílio Fidenato VI
com Lúcio Quíncio Cincinato Capitolino
com Públio Valério Potito Publícola

Sucedido por:
Aulo Mânlio Capitolino II

com Lúcio Quíncio Cincinato Capitolino
com Tito Quíncio Capitolino II?
com Públio Cornélio II
com Lúcio Papírio Cursor II
com Cneu Sérgio Fidenato Cosso II

Precedido por:
Aulo Mânlio Capitolino II

com Lúcio Quíncio Cincinato Capitolino
com Tito Quíncio Capitolino II?
com Públio Cornélio II
com Lúcio Papírio Cursor II
com Cneu Sérgio Fidenato Cosso II

Sérvio Cornélio Maluginense II
384 a.C.

com Públio Valério Potito Publícola II
com Marco Fúrio Camilo V
com Sérvio Sulpício Rufo II
com Caio Papírio Crasso
com Tito Quíncio Cincinato Capitolino II (III?)

Sucedido por:
Sérvio Sulpício Rufo III

com Lúcio Emílio Mamercino IV
com Aulo Mânlio Capitolino III
com Lúcio Lucrécio Tricipitino Flavo III
com Lúcio Valério Publícola IV
com Marco Trebônio

Precedido por:
Sérvio Sulpício Rufo III

com Lúcio Emílio Mamercino IV
com Aulo Mânlio Capitolino III
com Lúcio Lucrécio Tricipitino Flavo III
com Lúcio Valério Publícola IV
com Marco Trebônio

Lúcio Papírio Crasso
382 a.C.

com Espúrio Papírio Crasso
com Caio Sulpício Camerino
com Sérvio Cornélio Maluginense III
com Quinto Servílio Fidenato
com Lúcio Emílio Mamercino V

Sucedido por:
Lúcio Fúrio Medulino Fuso

com Marco Fúrio Camilo VI
com Lúcio Lucrécio Tricipitino Flavo IV
com Aulo Postúmio Albino Regilense
com Marco Fábio Ambusto
com Lúcio Postúmio Albino Regilense

Precedido por:
Lúcio Fúrio Medulino Fuso

com Marco Fúrio Camilo VI
com Lúcio Lucrécio Tricipitino Flavo IV
com Aulo Postúmio Albino Regilense
com Marco Fábio Ambusto
com Lúcio Postúmio Albino Regilense

Sérvio Cornélio Maluginense IV
380 a.C.

com Lúcio Valério Publícola V
com Cneu Sérgio Fidenato Cosso III
com Licínio Menênio Lanato II
com Públio Valério Potito Publícola III
com Lúcio Papírio Crasso ou Mugilano
com Cneu Sérgio Fidenato Cosso
com Tibério Papírio Crasso

Sucedido por:
Públio Mânlio Capitolino

com Lúcio Júlio Julo II
com Caio Sestílio
com Marco Albínio
com Lúcio Antístio
com Caio (ou Cneu) Mânlio Vulsão
com Públio Trebônio
com Caio Erenúcio?

Precedido por:
Lúcio Emílio Mamercino

com Caio Vetúrio Crasso Cicurino
com Lúcio Quíncio Cincinato Capitolino
com Públio Valério Potito Publícola IV
com Sérvio Sulpício Pretextato I
com Caio Quíncio Cincinato

Licínio Menênio Lanato IV
376 a.C.

com Lúcio Papírio Crasso II
com Sérvio Cornélio Maluginense V?
com Sérvio Sulpício Pretextato II?

Sucedido por:
Sérvio Sulpício Pretextato II (III)?

com Aulo Mânlio Capitolino IV
com Lúcio Fúrio Medulino Fuso II
com Sérvio Cornélio Maluginense V (VI?)
com Públio Valério Potito Publícola V
com Caio Valério Potito

Precedido por:
Lúcio Papírio Crasso II

com Sérvio Cornélio Maluginense V?
com Licínio Menênio Lanato
com Sérvio Sulpício Pretextato II?

Aulo Mânlio Capitolino IV
370 a.C.

com Sérvio Sulpício Pretextato II (III?)
com Caio Valério Potito
com Lúcio Fúrio Medulino Fuso II
com Sérvio Cornélio Maluginense V (VI?)
com Públio Valério Potito Publícola V

Sucedido por:
Quinto Servílio Fidenato III

com Aulo Cornélio Cosso
com Quinto Quíncio Cincinato
com Marco Cornélio Maluginense
com Marco Fábio Ambusto
com Caio Vetúrio Crasso Cicurino II

Precedido por:
Quinto Quíncio Cincinato

com Quinto Servílio Fidenato III
com Aulo Cornélio Cosso
com Marco Cornélio Maluginense
com Marco Fábio Ambusto
com Caio Vetúrio Crasso Cicurino II

Espúrio Servílio Estruto
368 a.C.

com Lúcio Papírio Crasso,
com Sérvio Sulpício Pretextato III (IV?)
com Tito Quíncio Cincinato Capitolino
com Sérvio Cornélio Maluginense VI (VII?)
com Lúcio Vetúrio Crasso Cicurino

Sucedido por:
Aulo Cornélio Cosso II

com Marco Gegânio Macerino
com Lúcio Vetúrio Crasso Cicurino II
com Marco Cornélio Maluginense II
com Públio Mânlio Capitolino
com Públio Valério Potito Publícola VI


Referências

  1. a b Lívio, Ab Urbe Condita VI, 6.
  2. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 9.
  3. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 2, 18.
  4. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 2, 18-20.
  5. a b Lívio, Ab Urbe Condita VI, 3, 22.
  6. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 3, 2
  7. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 3, 27-29.
  8. Dião Cássio frag. lib. VII 29,1
  9. a b Lívio, Ab Urbe Condita VI, 4, 36.
  10. Lívio, Ab Urbe Condita VI, 4, 35.
  11. a b c Lívio, Ab Urbe Condita VI, 4, 38.
  12. Lívio, Ab Urbe Condita VII, 9.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]