Siegfried Ellwanger Castan

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Siegfried Ellwanger Castan (Candelária, 30 de setembro de 1928 - 11 de setembro de 2010) foi um industrial, escritor negacionista do holocausto e livreiro brasileiro, fundador da Editora Revisão, que publicava seu livros antissemitas.[1]

Ele foi condenado por racismo pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Recorreu ao Supremo Tribunal Federal, que manteve a condenação.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sem informações sobre onde estudou. Entretanto aprende e domina os idiomas espanhol e o alemão, os quais foram de grande importância nos estudos e pesquisas que continua a desenvolver sobre os acontecimentos políticos atuais e os fatos da Segunda Guerra Mundial.

Já na infância e na juventude trabalhou numa fábrica de botões de madrepérola em Vera Cruz, e posteriormente em fábricas de laticínios e de balas e caramelos em Santa Cruz do Sul. Em 1946 alistou-se como voluntário no Corpo de Fuzileiros Navais, do Rio de Janeiro, onde serviu por cerca de três anos. Em virtude de haver sido designado para trabalhar como escriturário no Estado Maior dessa corporação, aproveitava o tempo disponível para ler. Ao final de 1948 deu baixa no Corpo de Fuzileiros, passando a morar com a sua mãe em Porto Alegre, onde logo começou a trabalhar numa filial local de importante empresa do ramo de ferros e aços do Rio de Janeiro, onde em pouco tempo, passou de Auxiliar de Escritório a Chefe de Vendas.

Depois de mais de oito anos nesse emprego, pediu demissão para assumir o cargo de gerente em outra importante organização do ramo, também com matriz no Rio de Janeiro. Após dez anos e meio como gerente dessa companhia, pediu demissão para fundar a sua própria empresa, a qual dirigiu durante mais de vinte anos, quando vendeu o controle acionário da mesma para um grupo do Rio Grande do Sul.

Ellwanger é o responsável pela instalação da primeira fábrica de tubos de ferro galvanizado produzidos no Rio Grande do Sul simultaneamente à instalação de inédito sistema de solda por indução, pioneirismo que, como prêmio e incentivo, recebeu a concessão, por parte do Governo do Estado, da isenção do Imposto de Vendas e Consignações durante cinco anos.

É o responsável pela instalação da primeira trefilação a frio de barras de ferro e aço no Rio Grande do Sul; é o responsável pela primeira fabricação de eletro dutos de ferro, que receberam o nome de "Pioneiro"; é o responsável pela primeira fabricação de arames de aço ovalados para amarração de caixas; é o responsável pela instalação da primeira laminação a quente, de barras de aço em perfis especiais no Rio Grande do Sul, passando a atender, em grande parte, empresas multinacionais sediadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, do ramo de tratores e indústria automobilística, algumas das quais como fornecedor exclusivo, pela alta qualidade dos produtos e fornecimentos pontuais. A sua empresa chegou a empregar mais de trezentos funcionários.

Instalou uma filial de sua empresa em São Paulo, para explorar o ramo de trefilação de barras, empregando mais de vinte pessoas. Inventou as placas de aço fundido para trilhos ferroviários, as fixações elásticas para trilhos ferroviários (e o processo de fabricação das mesmas), tornando-se fornecedor da Companhia Vale do Rio Doce e evitando, com o seu produto, a importação de similares estrangeiros - poupando milhões de dólares em divisas para o país. A empresa de Ellwanger exportou barras de aço destinadas à fabricação de implementos agrícolas para o Uruguai.

Ellwanger participou da delegação gaúcha, organizada pela Secretaria do Comércio e Indústria do Rio Grande do Sul, que viajou para Colônia, Alemanha, e a Londres, onde manteve vários contatos com empresas locais que mostravam interesse em associar-se a empresas brasileiras.

Quando ainda não existiam relações diplomáticas e comerciais com Cuba, Ellwanger, como industrial, procurou estabelecer em Havana, com o Ministério da Indústria e Comércio cubano, um negócio de trocas, de níquel cubano, que era 12% mais barato que o adquirido pelo Brasil de outros países, em troca de barras de aço, cujo preço era equivalente ao aço do Japão, principal fornecedor de Cuba na ocasião. O que poderia ter sido um bom momento para o estabelecimento de relações de mútuo interesse, não passou além do Banco do Brasil. Ellwanger é admirador de Fidel Castro e do povo cubano.

Sua laminação foi a primeira do Rio Grande do Sul e a segunda do Brasil a produzir guias de aço para elevadores, fato principal que motivou a venda de sua indústria para uma empresa de elevadores local.

Além da laminação e trefilação, Ellwanger possuía uma firma que representou no sul do país, durante mais de vinte anos, a Aços Anhanguera, de São Paulo, tornando-a a maior fornecedora de aços especiais para as indústrias do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.

Como passa-tempo, sem interesse comercial ou industrial próprio, Ellwanger fez o desenho moderno que revolucionou o formato de órgãos eletrônicos, usados em conjuntos musicais, que se tornaram bonitos, leves e de fácil montagem e desmontagem. São fabricados pela fábrica Bohn desde a década de 1960. Ellwanger também é o autor, em 1963, de desenho de cama embutida no guarda-roupa, para aproveitamento de espaço. O primeiro conjunto foi fabricado para Ellwanger e está sendo produzido até hoje por praticamente todas as fábricas de móveis. Ellwanger foi durante mais de dez anos membro do Lions Clube, em Porto Alegre, onde chegou a ser homenageado como o "Leão do Ano". Ellwanger também foi durante muitos anos diretor de basquete da Sogipa. Ainda no basquete dirigiu a equipe gaúcha de juvenis, como representante da Federação Gaúcha, no Campeonato Brasileiro realizado em Penápolis, no Estado de São Paulo.

Posições políticas[editar | editar código-fonte]

Ellwanger foi completamente contrário ao boicote norte-americano a Cuba; à intervenção militar norte-americana em Granada e no Panamá, que terminou em milhares de vítimas desses países; contra a intervenção que resultou na guerra da Coreia e no Vietnã; contra a absolvição dos responsáveis pela guerra química levada ao Vietnã, com milhões de mortos e inutilizados; contrário à guerra do Iraque, que provocou a morte de mais de trezentos mil iraquianos, a grande maioria de civis, além do insano boicoteao país; contrário à invasão da Somália; contrário à tentativa de assassinar o presidente Khadafi, da Líbia, mediante o ataque de aviões norte-americanos à sua residência e o posterior boicote a esse pais. Ellwanger é contra o incentivo capitalista que provocou o separatismo e a morte de milhares de pessoas, na ex-União Soviética, que mantinha um equilíbrio de poder no mundo.

Ellwanger era contrário à intervenção em assuntos que só dizem respeito à China; contra a permanência de tropas dos EUA na Coreia do Sul e no Japão, e dos Aliados na derrotada Alemanha, com a qual até hoje não assinaram o Tratado de Paz. Ellwanger é contrário a agressão por parte dos EUA e da OTAN contra a Iugoslávia e o Afeganistão. É contra o abastecimento em dinheiro e armamentos ao Estado de Israel, colaborando para que o mesmo não cumpra as centenas de resoluções condenatórias votadas pela maioria dos países membros da ONU, e nunca cumpridos em razão dos vetos do governo norte- americano - o que, na opinião de dois ex-candidatos à presidência dos EUA (David Duke e Robert Bowman) teria motivado os ataques aos dois prédios do World Trade Center, às 7:15h da manhã (hora local, quando a maioria dos nova-iorquinos ainda estava dormindo) e ao Pentágono, sede do poder militar norte-americano.

Pesquisas e revisionismo sobre a Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Após a venda de sua empresa, que tinha mais de vinte anos de existência e centenas de empregados, Ellwanger passou a fazer pesquisas sobre a Segunda Guerra Mundial. Após visitar pessoalmente diversos campos de concentração na Alemanha e na Polônia, entrevistar testemunhas de ambos os lados, estudar documentos e textos com depoimentos em vários idiomas, resolveu escrever os livros revisionistas Holocausto judeu ou alemão? e Nos bastidores da mentira do século. Logo em seguida, esses livros foram editados em inglês, espanhol e também em alemão.

Ellwanger é também o autor do livro Acabou o gás... O fim de um mito, no qual cita o relatório do especialista norte-americano em câmaras de gás, Fred Leuchter Jr., que sugere a impossibilidade físico-química da existência de câmaras de gás para execução de pessoas nos campos de concentração de Auschwitz-Birkenau e Majdatiek. Leuchter Jr. foi tema do documentário Mr. Death: The Rise and Fall of Fred A. Leuchter, Jr..

Ellwanger é também autor de SOS para Alemanha, que pode ser considerado a continuação de seu primeiro livro (A implosão da mentira do século), e de A verdade sobre o "diálogo" católico-judaico no Brasil.

Em função do sucesso de seu primeiro livro, Ellwanger fundou a Revisão Editora Ltda., posteriormente registrada como Revisão Editora e Livraria Ltda., pois as livrarias passaram a não adquirir essas obras, denunciadas como sendo racistas, fato que o obrigou a vender os livros quase que só diretamente ao público leitor.

Em vista do elevado número de cartas, consultas e trocas de informações com leitores, estudantes e professores, Ellwanger fundou, em 8 de junho de 1992, o Centro Nacional de Pesquisas Históricas, que tem como obrigação estatutária, entre outras, denunciar falsificações e imposturas históricas. As denúncias de falsificação limitam-se ao movimento revisionista.

Ellwanger foi filiado ao Partido Socialista Brasileiro, PSB, quando o mesmo era dirigido por Germano Bonow (pai). Posteriormente filiou-se ao M.T.R. (Movimento Trabalhista Renovador), de Fernando Ferrari e, por último, ao PDT de Leonel Brizola, que abandonou em 1992 por achar que, na qualidade de presidente do Centro Nacional de Pesquisas Históricas, não devia estar filiado a nenhum partido.

Julgamento e condenação[editar | editar código-fonte]

Em 1986, o grupo Movimento Popular Anti-Racismo, formado pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos, pelo Movimento Negro Brasileiro e pelo Movimento Judeu de Porto Alegre, denunciou o conteúdo racista das obras da Editora Revisão, de Siegfried Ellwanger Castan, à Coordenadoria das Promotorias Criminais.

Fez-se uma nova denúncia em 1990, desta vez junto à chefia da Polícia do Estado do Rio Grande do Sul, que instaurou inquérito policial, que foi remetido ao Ministério Público.

A denúncia foi recebida em 1991, e foi determinada a busca e apreensão dos exemplares de diversos livros publicados por Castan, entre eles, Holocausto Judeu ou Alemão? Nos Bastidores da Mentira do Século, do próprio Castan, Hitler Culpado ou Inocente?, de Sérgio Oliveira e Os Protocolos dos Sábios de Sião, prefaciado por Gustavo Barroso.

Castan foi, então, em 1995, julgado e absolvido em primeira instância; contudo, em 1996 foi condenado por unanimidade pelos desembargadores da 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.

Apesar da condenação, ainda em 1996, Castan foi flagrado vendendo seus livros na Feira do Livro de Porto Alegre, o que levou a uma nova denúncia, que foi recebida em 1998, e pela qual foi condenado a dois anos de reclusão.

Castan então recorreu, argumentando que os judeus são uma etnia, e não uma raça, e que, portanto, anti-semitismo não é racismo.

Em 17 de setembro de 2003 o seu pedido de Habeas Corpus junto ao Supremo Tribunal Federal (processo HC 82424) foi finalmente negado e o ministro Sepúlveda Pertence encerrou o caso, sendo, deste modo, mantida a condenação imposta a ele pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul .[2]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • Holocausto: Judeu ou Alemão? Nos Bastidores da Mentira do Século
  • Acabou o Gás!... O Fim de um Mito
  • SOS para Alemanha
  • A verdade sobre o Diálogo católico-judaico no Brasil
  • Inocentes em Nuremberg

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Neto, Odilon Caldeira (2009). «Memória e justiça: o negacionismo e a falsificação da história». Antíteses. 2 (4): 1097–1123. ISSN 1984-3356. doi:10.5433/1984-3356.2009v2n4p1097 
  2. a b Supremo Tribunal Federal (quarta-feira, 17 de setembro de 2003). «STF nega Habeas Corpus a editor de livros condenado por racismo contra judeus». Supremo Tribunal Federal. Consultado em 4 de julho de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]