Theodor Koch-Grünberg

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Theodor Koch-Grünberg (Hesse, 9 de abril de 1872Caracaraí, 8 de outubro de 1924) foi um etnologista e explorador alemão[1] que contribuiu relevantemente ao estudo dos povos indígenas da América do Sul, em particular dos pemon da Venezuela e dos povos indígenas brasileiros da região Amazônica, estudando a mitologia, as lendas, a etnologia, a antropologia e história dos mesmos.[1]. As narrativas dos mitos dos povos indígenas, efetuadas por Theodor Koch-Grünberg, são referidos por Mário de Andrade na sua obra Macunaíma – o herói sem nenhum caráter, de 1928.

Vida[editar | editar código-fonte]

Koch-Grünberg estudou filologia clássica na Universidade Gießen, onde participou da organização estudantil “Landmannschaft Darmstadtia”. Estudou também história, alemão e geografia antes de prestar em 1896 o exame de licenciatura para professor.

Em 1899 participou de sua primeira expedição de exploração brasileira. A partir de 1901 trabalhou como voluntário no Museu de Etnologia de Berlim. Em 1909 mudou para a Universidade de Friburgo na Brisgóvia, onde se habilitou como docente e, a partir de 1913, como professor universitário de excelência.

Em 1915 foi nomeado diretor do Museu de Linden, em Stuttgart.

Expedições brasileiras[editar | editar código-fonte]

De dezembro de 1898 até janeiro de 1900 participou da segunda expedição de Meyer ao Xingú, sob orientação de Hermann Meyer, que buscava a fonte do rio Xingú, um afluente do rio Amazonas, e que atravessa o interior brasileiro a partir do Mato Grosso. Dessa expedição também fez parte o botânico Robert Knud Friedrich Pilger.

De 1903 a 1905 explorou os rios Japurá e rio Negro na região amazônica. Seu protocolo de expedição, junto às suas pesquisas sobre os baniwa, foi publicado entre 1910 e 1911 sob o título Zwei Jahre Unter den Indianern - Reisen in Nord West Brasilien, 1903-1905.

Foi um pioneiro da fotografia antropológica, e suas descrições das origens brasileiras continuam de interesse etnológico.

Sua segunda importante expedição ao norte brasileiro e ao sul da Venezuela começou em 1911. Partindo de Manaus e subindo o rio Branco, alcançou o Monte Roraima, na Venezuela. Lá documentou mitos e lendas do povo Pemón e fotografou-o. Grünberg denotava o povo Pemón como arekuna e taulipang. Desbravou a serra Parima, o Caura e o Ventuari antes de alcançar, no dia primeiro de janeiro de 1913, o rio Orinoco. Permaneceu durante um curto período em São Fernando de Atabapo, a então capital do Território Federal do Amazonas. Seguiu o canal Casiquiare, que liga o rio Orinoco ao rio Amazonas através do rio Negro.

Retornou a Manaus e, então, à Alemanha onde, em 1917, publicou sua mais importante obra “De Roraima ao Orinoco”.

Koch-Grünberg morreu inesperadamente em 1924, de malária, na vila de Vista Alegre, no município roraimense de Caracaraí, durante uma expedição com o pesquisador norte-americano A. Hamilton Rice e o brasileiro Silvino Santos, que procuravam cartografar o Rio Branco.

Como traços de seu legado podem ser encontradas uma rua e uma escola com seu nome em sua cidade natal Grünberg (Hessen).

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Começo da Arte na Selva. Ernst Wasmuth, Berlim 1905.
  • Petróglifos Sul-Americanos. Ernst Wasmuth, Berlim 1907.
  • Dois anos entre os indígenas: viagens no noroeste do Brasil (1903/1905). Ernst Wasmuth, Berlim 1909/1910.
  • De Roraima ao Orinoco.Resultados de uma viagem no Norte do Brasil e na Venezuela nos anos 1911-1913. 5 Bände. Strecker und Schröder, Stuttgart 1916–1928.
  • Contos Indígenas da America do Sul. Eugen Diederichs, Jena 1920.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]