Tugues

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Gravura de tugues e ladrões publicada na revista Illustrated London News, por volta de 1857

Tugues[1] (em inglês: Thugs, Thuggee ou tuggee; em hindi: ठग्गी) foram uma fraternidade secreta de assassinos e ladrões de viajantes, que aparecem na História da Índia. Os registros indicam que se tornaram operantes a partir do século XVI (embora possam ter começado bem antes, no século XIII) até meados do XIX.

No livro The Strangled Traveler: Colonial Imaginings and the Thugs of India (2002), Martine van Woerkens sugere que as provas da existência do culto dos tugues no século XIX, foram em parte produto da "imaginação colonial", originária do temor dos britânicos pelo interior desconhecido da Índia, com suas religiões e costumes obscuros e não compreendidos por eles. Daí provém a palavra ''thug'' presente no Inglês moderno, que pode ser traduzida como ''bandido'' ou pessoa violenta.

Alguns historiadores classificam os tugues como um culto ou seita. O líder do grupo era chamado de jamaadaar. A palavra não se refere somente aos tugues, mas também a um posto militar designado de "jemadar " ou "jamaadar", que na verdade equivaleria a "tenente" para os oficiais nativos do exército britânico e depois no Exército da Índia Independente.

Dentre os bandos tugues havia Hindus, siques e Muçulmanos, que adoravam a Deusa da Morte Cáli (ou Durga), a quem chamavam de Bhowanee.[2] Os Sikhs eram poucos, mas um dos principais líderes, Sahib Khan, era dessa religião.[3][4] Outro notório líder foi Behram, a quem se chegou a atribuir e a seu grupo de 30 ou 50 assassinos, a morte de 931 pessoas de 1790 a 1830. Estudos recentes, no entanto, dão esse número como exagerado. Estimou-se na verdade em 125 pessoas.[5] Behram nunca chegou a ser julgado pelos seus crimes [6]

Métodos de ação[editar | editar código-fonte]

Os grupos de tugues praticavam em larga escala roubos e assassinatos de viajantes. O modus operandi era se disfarçarem de nativos amigáveis e guias até que levassem as comitivas para um lugar determinado (os locais preferidos eram chamados de beles) e os roubavam e matavam. Eles praticavam estrangulamentos laçando o pescoço das vítimas com um lenço amarelo chamado de "Rumaal", que traziam amarrado na cintura. Em função desse método, eles também eram chamados de Phansigars. Os assassinos escondiam os corpos, enterrando-os ou emparedando-os em muros. [7]

Os tugues procuravam não deixar testemunhas, armas ou cadáveres nos locais dos crimes. Os grupos também não se concentravam em uma determinada região, mas agiam por todo o subcontinente indiano e se estendiam para territórios não dominados pelos britânicos. As vezes levavam os filhos das vítimas para crescerem como tugues. Até 1830, eram apenas policiais locais, facilmente corrompíveis, que estavam designados para os confrontarem.

A perseguição aos tugues[editar | editar código-fonte]

Um grupo de tugues, por volta de 1863

Os tugues e seus seguidores foram proibidos pelo Império Britânico em 1830 graças aos esforços do funcionário civil William Sleeman, que começou uma ostensiva campanha contra esses nativos. A organização policial chamada de "Thuggee and Dacoity Department" foi fundada pelo Governo da Índia, com William Sleeman assumindo o cargo de superintendente em 1835. Milhares de homens foram feitos prisioneiros, executados ou expulsos das possessões britânicas na Índia[7] A campanha se baseou em informações de espiões disfarçados e tugues capturados, que receberam a promessa de proteção e favorecimentos se contassem o que sabiam. Por volta de 1870 o culto dos tugues já tinha se extinguido, mas os "crimes tribais" e a "casta de assassinos" ainda permaneceram.[8] A polícia continuou a existir como departamento até 1904, quando foi substituída pela "Central Criminal Intelligence Department".

Cultura Popular[editar | editar código-fonte]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Cinema[editar | editar código-fonte]

  • Em dois dos mais populares filmes do cinema, Gunga Din (1939) e Indiana Jones and the Temple of Doom (1984), os heróis enfrentam tentativas de reativação do culto secreto dos assassinos.
  • No filme de 1956 Around the World in Eighty Days (1956), Passepartout resgata a princesa que foi feita prisioneira dos tugues e sentenciada a queimar numa pira funerária com o seu falecido marido. No livro original de Jules Verne, os tugues foram mencionados apenas brevemente, sem conexão direta com a princesa.
  • Em 1959, o Estúdio Hammer lançou o filme The Stranglers of Bombay. No roteiro, o heroico oficial britânico Guy Rolfe enfrenta uma infiltração tugue na Sociedade Hindu e tenta levar os seguidores do culto para a Justiça.
  • Em 1965, os tugues aparecem no filme dos Beatles "Help!".
  • Na versão de 1988 de The Deceivers, com Pierce Brosnan, é contada uma história ficcional de uma infiltração dos tugues na administração britânica.

Televisão[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Editores 1991, p. 210.
  2. Dash, pp. 284-286 na tradução holandesa do livro
  3. Dash, pp. 247 na tradução holandesa do livro
  4. pagina 329 da edição britânica - notas do capítulo 16
  5. super.abril.com.br/ 10 serial killers que mais mataram
  6. James Paton, 'Collections on Thuggee and Dacoitee', British Library Add. Mss. 41300
  7. a b Dash, Mike Thug: the true story of India's murderous cult ISBN 1-86207-604-9, 2005
  8. «Thugs Traditional View». BBC. Consultado em 17 de setembro de 2007 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dash, Mike Thug: the true story of India's murderous cult ISBN 1-86207-604-9, 2005
  • Dutta, Krishna (2005) The sacred slaughterers. Book review of Thug: the true story of India's murderous cult by Mike Dash. In the Independent (Published: 8 July 2005)text
  • Paton, James 'Collections on Thuggee and Dacoitee', British Library Add. Mss. 41300
  • Woerkens, Martine van The Strangled Traveler: Colonial Imaginings and the Thugs of India (2002),

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]