Kali

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Kali (desambiguação).
Kali
Altar celebrando a deusa Kali, que paira, como é tradicional, sobre o corpo dominado de Shiva
Kali
assassina de demônios
arma espada
Símbolos serpente, colar de crânios
Portal de religião
Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Kali

Kali ou Cali é uma das divindades do hinduísmo. É considerada uma manifestação da deusa Durga, a esposa de Shiva. É representada manchada de sangue, com cobras e um colar de crânios.[1]

Kali representa a Mãe Natureza. Seus quatro braços evocam a Criação, a Preservação, a Destruição e (o quarto) o dom da Salvação para aqueles que vão além da Natureza em busca do âmago Infinito. A guirlanda de crânios significa sua divina onipresença em todas as mentes humanas para mostrar que a vida humana é passageira. Os cabelos revoltos lembram a energia de Deus espalhando-se por toda a Criação. Sua dança, os passos rítmicos imitam a natureza vibratória do universo.[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Cali" vem do sânscrito Kālī, काली, a forma feminina de kālam (negra,ou pele escura). Outra possível etimologia vem da adição do afixo kṛt feminino em Kāla, formando o nome da deusa. Kāla literalmente significa tempo, além da cor negra e mais uma porção de significados[2] e também é um epíteto de Śiva; assim, deduz-se que Kālī é "consorte", mais corretamente a śakti, de Śiva em sua forma de Mahākāla, daí tendo seus atributos sobre assuntos como o tempo e a morte.

Sobre[editar | editar código-fonte]

É a verdadeira representação da natureza e é também considerada, por muitas pessoas, a essência de tudo e a fonte da existência do ser. Deusa da morte do ego, é a "esposa" do deus Shiva em algumas vertentes do hinduísmo. Já segundo os Vedas, Shiva é transformado em Kali, que seria um de seus lados, para trazer o fim da maldade. Segundo o tantrismo, é a divina "mãe" ou pai do universo, destruidor(a) de toda a maldade. É representada(o) como uma mulher exuberante, em uma parte da Índia; em outra, como mulher exuberante de pele escura (ou azul), que traz um colar de crânios em volta do pescoço e uma saia de braços decepados — expressando, assim, a implacabilidade da morte de todo mal e demônios.

A lenda conta que, numa luta entre Durga e o demônio Raktabija, este uniu-se a Durga com um diabólico feitiço: cada gota de seu sangue se transformava em um demônio ao atingir o solo eternamente. Durga e Shiva ao tentarem matar os vários demônios, que surgiam de cada gota de sangue, cortavam a cabeça e, daí, nasciam mais e mais demônios incontáveis. Já em desespero, surge Kali, que cortou as cabeças e estrategicamente lambia o sangue para evitar que tocasse o solo (daí, a representação tradicional sua com o colar de cabeças de caveira, a adaga e a língua de fora). Assim, dizimou os demônios de Raktabija.

Mas Kali não é uma deusa do mal, pois, na verdade, o seu papel de ceifadora de vidas é absolutamente indispensável para a manutenção do mundo. Os devotos são, supostamente, recompensados com poderes paranormais e com uma morte sem sofrimentos. É, também, uma das formas da deusa Parvati, esposa de Shiva. É coberta de cobras no seu corpo em vez de roupas, e tem um colar com crânios.

A figura da deusa tem quatro braços, pele azul, os olhos ferozmente arregalados, os cabelos revoltos, a língua pendente, os lábios tingidos de hena e bétele. No pescoço, traz um colar de cabeças humanas (símbolo da reencarnação), e, nos flancos, uma faixa de mãos decepadas. Sempre é representada em pé sobre o corpo caído do esposo Shiva.


Kali é venerada na Índia como uma mãe pelos seus devotos e devotas, que esperam, dela, uma morte sem dor ou aflição e a libertação do ciclo de reencarnações. Acredita-se que assombre locais de cremação.[3]

Referências

  1. a b SCHULBERG, L. Índia histórica. Tradução de J. A. Pinheiro de Lemos. Rio de Janeiro. Livraria José Olympio Editora. 1979. p. 182.
  2. «Monier-Williams Sanskrit Dictionary 1899 Basic». www.sanskrit-lexicon.uni-koeln.de. Consultado em 11 de agosto de 2021 
  3. WILKINSON, P. O livro ilustrado das religiões: o fascinante universo das crenças e doutrinas que acompanham o homem através dos tempos. Tradução de Margarida e Flávio Quintiliano. São Paulo. Publifolha. 2001. p. 36.
Ícone de esboço Este artigo sobre Hinduísmo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.