Torçal

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Torçal é uma espécie de cordão trançado que pode ser usada em diversos adereços de vestimentas. Podem distinguir símbolo de autoridade, especialização, destreza, padronização. O torçal em si não traz o significado da “potestade”, mas representa em suas dobras a força do enlace com o qual sustenta a “capa”, a “posição”, ou a “força” que dele emana para o “distintivo” pendente, ou do instrumento que será a representação que “sustenta”; em suas cores representa a região, a especialização, e notoriedade.

Vestes talares[editar | editar código-fonte]

Sobre “As Vestes Talares Na Universidade”, Gilda Fleury Meirelles, descreve o Torçal da seguinte forma:

“Torçal com borla pendente - espécie de corda trançada, geralmente de seda, que reveste a pala e a gola da beca. É complementado pelas borlas pendentes - enfeite em forma de bola, geralmente de madeira recoberta de seda - e ambos formam os alamares”.[1]

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro elaborou “Manual de Cerimonial e Organização de Eventos com objetivo de divulgar o processo de execução destes, visando a auxiliar todos os Departamentos da Universidade ao eliminar dúvidas sobre eventos e cerimônias.” [2] Onde nesse cerimonial descreve em alguns pontos a presença do torçal.

BECA

Capa preta de tecido diverso tem vários modelos. O mais comum é com mangas longas e duplas, pala larga, grandes costais, com sobrepeliz e franzido na cintura. Possui botões internos para abotoar, torçal com bola pendente, tarja na pala e costais, estas na cor da área do conhecimento do professor. Suas medidas são iguais às da murça. Para os eclesiásticos é usada a túnica e para os magistrados, toga.

BORLA

Enfeite em forma de círculo, geralmente de madeira, recoberto de seda, com fios pendentes, preso pelo torçal que circunda a pala ou a gola da beca.

O torçal é usado por vestimentas de gala dos bombeiros tanto no Brasil como em Portugal.[3]

Na poesia[editar | editar código-fonte]

No “Canto Armorial ao Recife, capital do Reino do Nordeste”, de Ariano Suassuna está lá presente o “torçal-de-prata”[4]:

Sim! Porque na Colina-consagrada
Onde o leão do Coelho pôs a pata
(Ouro-Velho, Ouro Preto, Pombo Verde
do Salvador, das águas e das arcas)
se funde todo o Império do Brasil,
o ouro das Minas e o torçal-de-prata.

No dicionário[editar | editar código-fonte]

O dicionário Aurélio descreve o verbete “alamar” como sendo: Fios com que se enfeita roupa. Galão de fio metálico, ou de seda, etc., que guarnece e abotoa a frente de um vestuário, passando de um lado a outro da abotoadura.

Alfredo Maceira Rodríguez, no seu artigo Contribuição do Espanhol ao Léxico do Português[5], adiciona o torçal como sendo: “torçal. [esp. torzal.]. S. m. Cordão de fios de retrós. Cordão de fios de ouro e prata. Bras. Cabresto”.

Alamar é uma representação do torçal, um “termo empregado para designar a presilha que mantém atada a capa de asperges. Também significa o torçal que une a estola sacerdotal sobre o peito do que dela faz uso”.[6] O torçal, nesse contexto, sustenta o símbolo de autoridade sacerdotal.

No uso militar[editar | editar código-fonte]

No Colégio Naval, o estandarte é debruado, ou seja, ao mesmo que é um ornamento, é guardado, protegido pelo torçal.

O Estandarte do Colégio Naval foi aprovado pela portaria nº 1118, de 11 de julho de 1984 pelo então, Ministro da Marinha Almirante-de-Esquadra Alfredo Karam. Ele consiste de um campo retangular de seda prateada de 1.20m x 1.00m, debruado com torçal de azul e prata, encimado por ponta de lança, de prata, e guarnecido por duas fitas, de azul e prata, franjadas de ouro, contendo a inscrição "Colégio Naval", de ouro, numa delas, ambas pendentes de roseta azul e prata. A prata do Estandarte evoca a Marinha em seu metal clássico e o conjunto heráldico constante do mesmo, o distintivo do Colégio Naval, a ele se reporta.[7]

Da mesma forma é utilizado o Torçal nas polícias militares, um adereço de complemento à guarnição. Numa observação rápida, pode parecer que o cordão traçado sobre o ombro do policial não tem qualquer utilidade senão adereço, contudo pende o que transmitirá “ordem” e o que transmitirá “força”. A ordem estará suspensa no “apito”, que por intermédio de códigos internacionais, estabelecidos em Viena, determina o que um condutor de automóvel, por exemplo, deve fazer ao ouvir os silvos. Se um policial der dois silvos breves, estará dando ordem de parada para fiscalização.

O Torçal é preso no ombro do fardamento e passa por debaixo da axila do policial. Da axila forma-se uma corda em dobras que estendem, uma até a extensão da mão do policial, e uma outra pequena corda (em dobras) da extensão que deve alcançar a boca do policial. Na corda menor prende-se o apito, e na corda maior prende-se a alça de fixação da arma que o policial porta.

Simbólica[editar | editar código-fonte]

A razão do torçal preso à arma é tanto simbólica como prática. Naquele momento a arma se torna uma extensão de seu corpo, plenamente ligado. Simbolicamente está firme nele a representação a “força” que necessita para imposição da “ordem”, e que nunca, em qualquer hipótese, no exercício de sua função, deve entregá-la a terceiro nem render-se a pendê-la ao chão sob ameaça de estar sob risco um refém, por exemplo. A questão simbólica nela contida é descrita em filmes e cenas fortes de policiais em ação: “O policial nunca larga sua arma!”

Prática[editar | editar código-fonte]

A questão prática para o uso do torçal como extensão do corpo no uso da arma se dá pelo confronto armado ser dinâmico. O uso do torçal em uma perseguição policial com troca de tiros força algumas vezes o policial a pôr a mão e a arma para fora do carro. Uma manobra brusca, um solavanco, pode fazer a arma se soltar das mãos. Estando presa em um torçal, o policial não ficará desarmado em plena perseguição.

Na guerra[editar | editar código-fonte]

Também durante guerras, um soldado em infiltração, segurando sua arma, poderia ser atingindo por uma mina ou mesmo sofrer m tiro. Nessas situações, o objetivo militar nem sempre era a morte. Uma mina ou um disparo de um fuzil leve tinha mais o objetivo de ferir e atrasar o restante do grupamento, pela presença de um amigo ferido. Ao tentar defendê-lo (o soldado ferido) os demais punham sua vida em risco. O torçal garantiria que quando o soldado fosse atingido por uma mina ou um projétil que o colocasse em situação desfavorável, não ficasse na dependência absoluta de seus parceiros, a arma estaria presa ao torçal, e por conseguinte estaria preso ao seu corpo. O soldado puxaria o torçal e traria sua arma para as mãos e deveria providenciar sua própria defesa. Se o uso de minas e projéteis que não matavam, feriam, era uma arma favorável a quem fazia uso de tal técnica, o torçal garantiria que, mesmo ferido, todo soldado é letal, e nunca estará indefeso.

Cores[editar | editar código-fonte]

Segundo a convenção de Viena, o torçal branco representa que a autoridade que a detém é da área do trânsito.

Para os Desbravadores e Aventureiros da Divisão Sul Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia (DSA) [8], a posição de liderança é representado por um torçal Torçal vermelho no ombro esquerdo, com ou sem apito.[9]

Brasão[editar | editar código-fonte]

O torçal, também é descrito no brasão da família Fernandes[10]:

Brasão: Esquartelado: o primeiro de ouro, com uma águia de duas cabeças, de negro, armada de vermelho, carregada de um crescente de prata no peito; o segundo de vermelho, com três escudetes de prata, cada escudete com uma cruz de vermelho; o terceiro de vermelho, com um castelo de prata, e o quarto de vermelho, com três vieiras de prata. Timbre: uma águia estendida de uma só cabeça, de negro, com um esdudete do segundo quartel no bico, pendente de um torçal de vermelho.

E também o torçal vermelho está presente no Brasão da freguesia de S. Pedro de Castelões[11]:

O Brasão, a Bandeira e o selo da freguesia foram também apresentados nesta altura. A descrição do Brasão é a seguinte: escudo verde, duas chaves de ouro passadas em aspa, atadas por um torçal de cor vermelha, com um pé de zinco, faixetas ondadas de prata e azul; flanquedo de negro, carregados os flancos de um ramo com duas folhas e um ouriço de castanhas, tudo em ouro. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com a legenda a negro "Vila de S. Pedro de Castelões".

As armas dos Monteiro é descrita pelo colégio Brasileiro de Genealogias[12], da seguinte forma:

Em campo de prata, três cornetas de preto em roquete, com bocas de ouro e cordões vermelhos. Timbre: duas buzinas postas em aspa, atadas com um torçal de prata.

Referências