Autoridade

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Autoridade (do latim auctoritas) é um gênero ou uma simples fonte de poder. É a base de qualquer tipo de organização hierarquizada, sobretudo no sistema político. É uma espécie de poder continuativo no tempo, estabilizado, podendo ser caracterizado como institucionalizado, ou não, em que os subordinados prestam uma obediência incondicional, ao indivíduo ou a instituição detentores da Autoridade.

Devido a natureza abragente do conceito, diversos filósofos e teóricos tentaram definir a autoridade legítima, chegando à conclusões diferentes. Segundo Bakunin, por exemplo:

"A Liberdade do ser humano consiste unicamente nisso: ele obedece leis naturais porquê ele as reconhece como tais, e não porquê elas foram impostas à ele por um poder externo qualquer, seja ele divino ou humano, coletivo ou individual.[1]

Ou seja, para ele, a autoridade nunca é legítima. Já para outros como Weber, existem certas autoridades legítimas. Ele as divide em três tipos: a autoridade tradicional, a autoridade carismática e a autoridade racional-legal. [2]

Relações de Autoridades[editar | editar código-fonte]

O poder dos pais sobre os filhos na família, o mestre sobre os alunos na escola, o poder de um chefe de Igreja sobre os fiéis, o poder de um empresário sobre seus funcionários, o poder de um chefe militar sobre seus soldados, entre outros.

Formas de classificação[editar | editar código-fonte]

Segundo Bobbio existem três formas de se classificar o poder da autoridade: primeira é a forma coercitiva onde a autoridade estabelece suas diretrizes baseadas na aplicação de sanções físicas; a remunerativa, onde a Autoridade é baseada no controle de recursos e das redistribuições materiais; e a normativa, baseada na alocação dos prêmios e privações simbólicas.

Autoridade como poder legítimo[editar | editar código-fonte]

De acordo com Norberto Bobbio, a segunda e mais comum definição de Autoridade considera que nem todo o poder estabilizado é Autoridade, mas somente aquele em que a disposição de obedecer de forma incondicional se baseia na crença da legitimidade do poder. Ou seja, o poder da Autoridade é considerado legitimo por parte dos indivíduos ou grupos que participam da mesma relação de poder. Nesta concepção a Autoridade tem o direito de mandar e os subordinados o dever de cumprir com as diretrizes proferidas pela Autoridade, portanto, na Autoridade é a aceitação do poder como legítimo que produz a atitude mais ou menos estável no tempo para a obediência incondicional às diretrizes que provêm de uma determinada fonte. Obediência torna-se durável mas não permanente pois de tempos em tempos a legitimidade do poder desta autoridade sofre a necessidade de ser reafirmada.

Relações de autoridades[editar | editar código-fonte]

Autoridade fundada sobre a legitimidade democrática (renovação do processo eleitoral), autoridade carismática de um chefe religioso (necessidade de ações extraordinárias para garantir que este possui a graça divina), dentre outras.

Abuso de autoridade[editar | editar código-fonte]

É quando alguém resolve abusar do seu poder de autoridade e usar critérios particulares para fazer valer a sua vontade, muitas vezes pessoal e não baseada em critérios justos.

Alguns exemplos podem ser o funcionário público que acha que é dono do espaço público só porque tem autoridade para cuidar do local e é protegido pela lei. Ou quando uma pessoa detentora de autoridade usa critérios baseados em abuso de autoridade e preconceitos. Ou o político que acha que pode tomar decisões de autoridade sem consultar democraticamente o povo que o elegeu, não percebendo que só tem essa autoridade porque foi o povo quem o colocou lá e por conseguinte deve explicações a ele. Tipicamente o abuso de poder é uma forma (seja ela majoritária ou minoritária) de ditadura. Desde quando nascemos temos uma autoridade em nossa vida, temos também que colocar a parte do abuso nisso , entrando no assunto de violência até entre a família mesmo, quando os pais ou alguém de seus parentes usam a autoridade que tem para a violência, isso pode ser definido como uma abuso de autoridade.

Autoridade no contexto religioso[editar | editar código-fonte]

A questão da autoridade no contexto religioso pode partir da concepção agostiniana da vida monástica e de como o problema do confrontamento dessa vida com a estratificação social e com a autoridade cria uma série de desafios. Santo Agostinho era responsável por três mosteiros em Hipona e assumia que num mosteiros todos deveriam compartilhar a vida como um só corpo e coração em busca de Deus. Contudo, Santo Agostinho temia que a vida monástica levasse a uma espécie de "competição ascética". Assim, reconhece que tais comunidades não poderiam funcionar sem uma autoridade central, mas julgava necessário equilibrar a força da autoridade com as necessidades da comunidade monástica, e tal equilíbrio deveria ser zelado pela autoridade. Um superior deve ser obedecido mas também deve saber perdoar.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. What is Authority? | The Anarchist Library theanarchistlibrary.org. Visitado em 2015-06-25.
  2. Brito, Ramon. Max Weber: Os três tipos de Autoridade www.ideiapublica.com.br. Visitado em 2015-06-25.
  3. Razão e Fé no pensamento de Santo Agostinho Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura.