Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil e Paraguai)

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A Tríplice Fronteira entre Argentina, Brasil e Paraguai (Triple Frontera, em espanhol) é a principal fronteira da América do Sul em termos de população, circulação de pessoas e relações internacionais. É considerada uma região internacional compreendida em suas dimensões locais e globais.[1]

Mapa indicando cidades da Tríplice Fronteira e áreas de preservação ambiental (by Marcelino Teixeira Lisboa).

População e circulação de pessoas[editar | editar código-fonte]

Distribuição da população nas partes brasileira, argentina e paraguaia da Tríplice Fronteira, de acordo com dados dos Censos de 2010.

Do lado argentino, Puerto Iguazú, segundo Instituto Nacional de Estadística y Censos, em 2010 contava com 82.227 habitantes.[2] Do lado paraguaio, Ciudad del Este, Presidente Franco, Hernandárias e Minga Guazú formam uma região metropolitana com 563.851 habitantes.[3] Do lado brasileiro, Foz do Iguaçu conta com 256.088 habitantes.[4] Ao todo, a Tríplice Fronteira é habitada por mais de 902 mil pessoas.

Na Tríplice Fronteira, mais de 82 mil pessoas circulam pela Ponte da Amizade (Brasil-Paraguai) e mais de 19 mil pessoas circulam pela Ponte Tancredo Neves (Argentina-Brasil), totalizando mais de 102 mil nos dois sentidos diariamente. A maior parte destas pessoas trafegam nos mais de 39 mil veículos que cruzam as três fronteiras todos os dias.[5]

História[editar | editar código-fonte]

A história da região pode ser dividida em pelo menos três grandes eixos: (1) período colonial e a presença indígena; (2) o século XIX e a exploração da erva-mate e da madeira; e (3) o período contemporâneo a partir da segunda metade do século XX.[6]

Para Frank Zephyr, “A Tríplice Fronteira hoje – povoada com colonos, em grande parte desmatada, seus rios atrás de altas barragens, parte de uma zona econômica transnacional (Merscosul), lar para parques nacionais e entrecruzada por rodovias e pontes – permanece também um lugar de memória histórica e alteridade contemporânea nos caminhos nômades (wandering paths) dos Guaranis”.[7]

O período contemporâneo, especialmente o século XXI possui um número considerável de trabalhos que informam o público geral sobre a região. Na segunda metade do século XX, Paraguai e Brasil integraram-se fisicamente no movimento de mudança de direcionamento do Paraguai em relação ao Brasil.[8]

Nas palavras de Fernando Rabossi, trata-se de “uma região interconectada, caracterizada pela diversidade cultural decorrente da presença de pessoas de origens distintas, articulada transnacionalmente e movida por uma economia comercial baseada em fluxos de produtos e pessoas, que muitas vezes se inscrevem fora da legalidade”.[9]

Questões internacionais[editar | editar código-fonte]

Além da integração física-rodoviária, a integração energética entre Brasil e Paraguai por meio da Usina de Itaipu Binacional apresenta-se como um dos grandes temas tanto para as relações bilaterais quanto regionais.

O Mercosul está em outra frente de análise, mas a ligação entre o maior parque industrial brasileiro e toda a região sudeste torna a Tríplice Fronteira um corredor para escoamento da produção industrial brasileira. No sentido oposto, o caminho também propicia que as importações brasileiras, especialmente de grãos, cheguem aos seus destinos.

Paradoxalmente, o histórico de comércio lícito também anda junto com o ilícito.[10] A opção paraguaia pelo comércio de triangulação comercial ampliou o número de atores como contrabandistas de produtos importados principalmente da China. A estes produtos, soma-se também o contrabando de cigarros, em 2014 responsável por 87% das apreensões da Receita Federal.[11]

No âmbito global, a presença de imigrantes árabes e muçulmanos na região tem levado a um dilema de segurança internacional. Especialistas de segurança, especialmente norte-americanos, tem alertado para o nexo entre os lucros do comércio praticado em Ciudad del Este e grupos terroristas no Oriente Médio.[12]

Referências

  1. Gimenez, Heloisa [et. al.] (julho de 2018). «A Tríplice Fronteira como Região: Dimensões Internacionais.». Cadernos Prolam/USP. Consultado em 29 de abril de 2020 
  2. «Instituto Nacional de Estadística y Censos». 2010. Consultado em 13 de julho de 2018 
  3. Dirección General de Estadística, Encuestas y Censos (13 de julho de 2018). «DGEEC» (PDF) 
  4. «Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística». IBGE. 2010. Consultado em 13 de julho de 2018 
  5. «Pesquisa sobre o tráfego de pessoas e veículos». Centro Universitário Dinâmica das Cataratas. 2016. Consultado em 13 de julho de 2018 
  6. Silva, Micael Alvino (2015). A ocupação do espaço brasileiro da Tríplice Fronteira. In: PRIORI, A.; BERTONHA, J. F. Imigração e colonização no Paraná e em São Paulo entre os séculos XIX e XX. Guarapuava-PR: EDUNICENTRO 
  7. Blanc, Jacob; Freitas, Frederico (org.). (2018). Big Water: The Making of the Borderlands Between Brazil, Argentina, and Paraguay. Tucson: The Arizona University Press. pp. ix 
  8. YEGROS, Ricardo Scavone; BREZZO, Liliana Maria. (2013). História das Relações Internacionais do Paraguai. Brasília: FUNAG 
  9. Rabossi, Fernando (2010). Como pensamos la Triple Frontera. BÉLIVEAU, Verónica Giménez; MONTENEGRO, Silvia (comp.). La Triple Frontera: Dinámicas culturales y procesos transnacionales. Buenos Aires: Espacio Editorial 
  10. Masi, Fernando (2006). «Paraguai-Brasil e o projeto Mercosul». Política Externa, V. 14, n. 3. 
  11. SILVA, M. A.; COSTA, A. B. (2018). A Tríplice Fronteira e a aprendizagem do contrabando: da “era dos comboios” à “era do crime organizado”. In: BARROS, L.; LUDWIG, F. (orgs.). (Re)Definições de fronteiras: velhos e novos paradigmas. Foz do Iguaçu: IDESF 
  12. KACOWICZ, A. M. (2015). Regional peace and unintended consequences: The Peculiar Case of the Tri-Border Area of Argentina, Brazil, and Paraguay. In: JASKOSKI, M.; SOTOMAYOR, A. C.; TRINKUNAS, H. A.: American Crossings: Border Politics in the Western Hemisphere. Baltimore: Johns Hopkins University Press