Tunguska brasileiro

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Tunguska brasileiro, ou evento do Curuçá,[1] são os termos pelos quais ficou conhecido o evento de impacto ocorrido no estado brasileiro do Amazonas no dia 13 de agosto de 1930,[2] análogo ao evento de Tunguska, ocorrido na Sibéria em 1908. O evento foi provavelmente uma queda cósmica que teria ocorrido na região do Rio Curuçá, no município brasileiro de Atalaia do Norte, no estado do Amazonas. À época, ribeirinhos e indígenas da região afirmaram que viram "bolas de fogo" caindo do céu, tendo estas atingido a margem direita do rio Curuçá.

O evento[editar | editar código-fonte]

O fenômeno ficou esquecido por mais de cinquenta anos, tendo sido "reavivado" após o astrônomo inglês M. E. Bailey ter encontrado nos arquivos do Vaticano uma edição de 1931 do L'Osservatore Romano que continha registros do monge capuchinho-franciscano Fedele d'Alviano, que visitou a região apenas cinco dias após o ocorrido. Na época, Fedele d'Alviano entrevistou diversas pessoas da região, que lhe disseram que ficaram assustadas com o ocorrido. Segundo Bailey, o evento do rio Curuçá foi uma das quedas cósmicas mais importantes do século XX. Investigando a data do evento, acredita-se tratar de um meteorito proveniente da chuva de meteoros das Perseidas, que riscam os céus no mês de agosto (e cujo pico máximo é a 12 de agosto).[3]

Inspirado no artigo de Bailey e baseado em imagens dos satélites LANDSAT, o astrofísico brasileiro Ramiro de la Reza conseguiu identificar um astroblema de 1 km de diâmetro, localizado a sudeste da localidade de Argemiro, nas seguintes coordenadas geográficas: 5° 11 S, 71° 38 W.[4] Mais precisamente, Ramiro De La Reza et al. (2014, p. 406) indicam que: "O ponto central do astroblema determinado com base na imagem SPOT é 5º 10’ 53” S e 71º 38’ 27” O."[5]

Na primeira semana de junho de 1997, de la Reza liderou uma expedição organizada pela Rede Globo e co-financiada pela ABC-TV da Austrália, até a região onde ocorreu o fenômeno. A suposta cratera realmente foi encontrada, mas no entanto ainda faltam provas que atestem o fato de que ela surgiu a partir do impacto do meteorito relatado em 1930. No entanto um registro do Observatório Sismológico San Calixto em La Paz e interpretado por A. Vega, da mesma instituição, mostrou que aquela cratera poderia ter sido criada na mesma data, sugerindo que o sinal sísmico estaria relacionado ao impacto de um meteorito daquele tamanho. [6] No entanto um grupo mexicano recentemente contestou que a cratera e o registro sísmico estariam relacionados ao evento.[7]

O governo brasileiro poderia, como fez o governo russo no evento Tunguska, disponibilizar uma equipe qualificada para pesquisar, e, de fato, caracterizar o que pode ter sido o segundo maior evento observado no mundo moderno. Até o momento apenas um missionário religioso e uma pequena expedição financiada pela TV avaliaram o evento. [8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BAYLEY, M. E. et al., "The Brazilian Tunguska Event", Londres, The Observatory: A Review of Astronomy, vol. 115, n. 1128, pp. 25-253, 1995.
  • WINTER, Othon e LEITE, Bertília. Fim de milênio: uma história dos calendários, profecias e catástrofes cósmicas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. ISBN 8571105189

Referências

  1. http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc17.htm
  2. WINTER, Othon e LEITE, Bertília. Fim de milênio: uma história dos calendários, profecias e catástrofes cósmicas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. p. 119
  3. http://star.arm.ac.uk/impact-hazard/Brazil.html
  4. http://www.lpi.usra.edu/meetings/metsoc2004/pdf/5150.pdf
  5. DE LA REZA, Ramiro.; BARROS, Henrique; MARTINI, Paulo. O evento do Curuçá: a queda de bólidos em 13 de agosto de 1930, In: MATSUURA, O. T. (Org.) História da Astronomia no Brasil. Vol. 1. Recife: Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), 2014. (p. 393 - 418).
  6. http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc17.htm
  7. http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S003206331000320X
  8. http://www.comciencia.br/reportagens/espaco/espc17.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]