Tunguska brasileiro

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Tunguska brasileiro, também referido como evento do Curuçá, [1] foi o evento de impacto ocorrido no estado brasileiro do Amazonas no dia 13 de agosto de 1930,[2] análogo ao evento de Tunguska, ocorrido na Sibéria em 1908. O evento foi provavelmente uma queda cósmica ocorrida na região do Rio Curuçá, no município de Atalaia do Norte, Amazonas. À época, ribeirinhos e indígenas da região afirmaram ter visto "bolas de fogo" caindo do céu sobre a margem direita do rio Curuçá.

O evento[editar | editar código-fonte]

O fenômeno ficou esquecido por mais de cinquenta anos, tendo sido "reavivado" após o astrônomo inglês Mark E. Bailey ter encontrado, em 1995, um artigo de cientistas russos citando um trabalho anterior de um conhecido geofísico russo, Leonid Kulik (1883-1942), no qual o autor mencionava que, em 1930, teria acontecido, na floresta amazônica, um evento similar ao registrado na região da bacia do rio Tunguska Pedregoso, na Sibéria. Bailey encontrou essa notícia publicada, em tom sensacionalista, numa edição de 1931 do jornal inglês The Daily Telegraph. Ele decidiu então procurar o artigo fonte, que estaria no Vaticano. Com dois estudantes partiu à procura desse artigo nos arquivos do jornal L'Osservatore Romano. Acabou por encontrar, numa edição de 1931 de L'Osservatore, o relato do monge capuchinho Fedele d'Alviano, que visitara a região apenas cinco dias após o ocorrido.[3] Na época, frei Fedele entrevistara diversas pessoas da região, que lhe disseram ter ficado muito assustadas com o ocorrido. Segundo Bailey, o evento do rio Curuçá foi uma das quedas cósmicas mais importantes do século XX. Investigando a data do evento, acredita-se que se trate de um meteorito proveniente da chuva de meteoros das Perseidas, que riscam os céus no mês de agosto e cujo pico máximo é a 12 de agosto).[4]

Inspirado no artigo de Bailey e baseado em imagens dos satélites LANDSAT, o astrofísico brasileiro Ramiro de la Reza conseguiu identificar um astroblema de 1 km de diâmetro, localizado a sudeste da localidade de Argemiro, nas seguintes coordenadas geográficas: 5° 11 S, 71° 38 W.[5] Mais precisamente, Ramiro De La Reza et al. (2014, p. 406) indicam que: "O ponto central do astroblema determinado com base na imagem SPOT é 5º 10’ 53” S e 71º 38’ 27” O."[3]

Na primeira semana de junho de 1997, de la Reza liderou uma expedição organizada pela Rede Globo e co-financiada pela ABC-TV da Austrália, até a região onde ocorreu o fenômeno. A suposta cratera realmente foi encontrada, mas no entanto ainda faltam provas que atestem o fato de que ela surgiu a partir do impacto do meteorito relatado em 1930. No entanto um registro do Observatório Sismológico San Calixto em La Paz e interpretado por A. Vega, da mesma instituição, mostrou que aquela cratera poderia ter sido criada na mesma data, sugerindo que o sinal sísmico estaria relacionado ao impacto de um meteorito daquele tamanho.[1] No entanto um grupo mexicano recentemente contestou que a cratera e o registro sísmico estariam relacionados ao evento.[6]

O governo brasileiro poderia, como fez o governo russo no evento Tunguska, disponibilizar uma equipe qualificada para pesquisar, e, de fato, caracterizar o que pode ter sido o segundo maior evento observado no mundo moderno. Até o momento apenas um missionário religioso e uma pequena expedição financiada pela TV avaliaram o evento. [1]

Referências

  1. a b c O evento do Curuçá: bólidos caem no Amazonas. Por Ramiro de la Reza.
  2. WINTER, Othon e LEITE, Bertília. Fim de milênio: uma história dos calendários, profecias e catástrofes cósmicas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. p. 119
  3. a b DE LA REZA, Ramiro.; BARROS, Henrique; MARTINI, Paulo. O evento do Curuçá: a queda de bólidos em 13 de agosto de 1930. In: MATSUURA, O. T. (Org.) História da Astronomia no Brasil. Vol. 1. Recife: Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), 2014. (p. 393 - 418).
  4. The Day the Earth Trembled. Por John McFarland. Armagh Observatory.
  5. The event near the Curuçá River. Por R. de la Reza, P. R. Martini, A. Brichta, H. Lins de Barros e P. R. M. Serra. 67th Annual Meteoritical Society Meeting (2004)
  6. Curuça 1930: A probable mini-Tunguska? Por Guadalupe Cordero e Arcadio Poveda. Planetary and Space Science. Volume 59, n° 1, jan. 2011, pp 10–16

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BAYLEY, M. E. et al., "The Brazilian Tunguska Event", Londres, The Observatory: A Review of Astronomy, vol. 115, n. 1128, pp. 25-253, 1995.
  • WINTER, Othon e LEITE, Bertília. Fim de milênio: uma história dos calendários, profecias e catástrofes cósmicas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1999. ISBN 8571105189

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]