Tuyuhun

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Canato Tuyuhun

Monarquia

284 d.C.670 d.C. 
Tibetan snow leopard.svg
Mapa Tuyuhun.jpg
Mapa do Canato de Tuyuhun e região em 645 d.C.
Fusicheng está localizado em: China
Fusicheng
Localização da capital
Coordenadas 37° N 100° 08' E
Continente Ásia
Capital Fusicheng
País atual China

Língua oficial linguagem Tuyuhun

Grão-cã
• 284-317  Murong Tuyuhun
• 635-672  Murong Nuohebo

Período histórico Idade do ferro até Antiguidade Clássica
• 284 d.C.  Fundação
• 643 d.C.  Vassalo da Dinastia Tang
• 670 d.C.  Destruído pelo Império Tibetano

Tuyuhun (chinês: 吐谷渾; Wade-Giles: T'u-yühun), também conhecido como Azha (tibetano: 'A-zha), foi um Canato dinástico estabelecido pelos povos nômades aparentados com os Xianbei nas montanhas Qilian e no vale superior do rio Amarelo, no atual Condado de Gonghe, Chingai, China. [1]

História[editar | editar código-fonte]

Após a desintegração do Canato Xianbei, grupos nômades foram liderados por seu Grão-cã, Murong Tuyuhun (慕容 吐谷渾), para as ricas pastagens ao redor do Lago Chingai em meados do século III. [2] [3]

Murong Tuyuhun era o irmão mais velho do ancestral dos Qianyan (Antigos Yan), Murong Gui, [4] e filho mais velho de Murong Shegui (慕容 涉 歸) líder da dinastia Luandi do ramo Murong dos Xianbei que levou seu povo de seus assentamentos originais na Península de Liautum para a região das Montanhas Yin, cruzando o Rio Amarelo entre 307 e 313, e para a região oriental da moderna Chingai. [5]

O Canato de Tuyuhun se estabeleceu em 284 subjugando os povos nativos conhecidos como Qiang, que incluíam mais de 100 tribos diferentes e mal coordenadas que não se submetiam umas às outras ou a qualquer autoridade. [6]

Depois que Tuyuhun morreu em Linxia, Gansu em 317, seus sessenta filhos expandiram ainda mais o Canato derrotando os reinos Qin Ocidental (385-430) e Xia (407-431). Após isso as tribos Xiambei: Qinghai, Tufa, Qifu e Haolian se juntaram ao Canato. Em 504 sua capital Fusicheng foi transferida a 6 quilômetros a oeste das margens do Lago Qinghai. [7]

Esses grupos Xianbei formavam o núcleo do Canato Tuyuhun e somavam cerca de 3,3 milhões de pessoas em seu auge. Os Tuyuhun realizaram extensas expedições militares para o oeste, chegando até Cotã no Sinquião e nas fronteiras da Caxemira e do Afeganistão, e estabeleceram um vasto canato que abrangia Chingai, Gansu, Ningxia, norte do Sujuão, leste de Xianxim, sul do Sinquião e a maior parte do Tibete, estendendo-se por 1.500 quilômetros de leste a oeste e 1.000 quilômetros de norte a sul. Eles unificaram partes do Interior da Ásia pela primeira vez na história, desenvolveram a rota sul da Rota da Seda e promoveram o intercâmbio cultural entre os territórios oriental e ocidental, dominando o noroeste por mais de três séculos e meio até ser destruído pelos Império tibetano. [8] O Canato Tuyuhun existiu como um reino independente. [9]

Conflito entre os impérios Tang e Tibetano[editar | editar código-fonte]

A campanha do Imperador Taizong contra os Tuyuhun em 634 d.C.
A Batalha do rio Dafei em 670 d.C.

Na época do início da dinastia Tang, o Canato Tuyuhun entrava numa fase de declínio gradual e foi cada vez mais envolvido no conflito entre a China e o Tibete. Como os Tuyuhun controlavam as rotas comerciais cruciais entre o leste e o oeste, o Canato se tornou o alvo imediato da invasão pelos Tang. [10]

Já nessa época Império Tibetano desenvia-se rapidamente sob a liderança de Songtsen Gampo, que uniu os tibetanos e se expandiu para o norte, ameaçando diretamente o Canato Tuyuhun. Logo depois de assumir o trono do Reino Yarlung no Tibete Central em 634, derrotou os Tuyuhun perto do Lago Chingai e recebeu um enviado dos Tang. O imperador tibetano pediu em casamento uma princesa chinesa, mas foi recusado. Em 635, o imperador Tang derrotou o exército tibetano; após esta campanha, o imperador chinês concordou em fornecer uma princesa chinesa para Songtsen Gampo. [11]

O imperador tibetano, afirmou que os Tuyuhun se opuseram ao seu casamento com a princesa Tang, e enviou 200.000 soldados para atacar. [12] As tropas Tuyuhun recuaram para Chingai, enquanto os tibetanos foram para o leste para atacar o povo Tangute e alcançaram o sul de Gansu. O governo Tang enviou tropas para lutar. Embora os tibetanos tenham se retirado em resposta, o Canato Tuyuhun perdeu grande parte de seu território no sul de Gansu para os tibetanos. [13]

O governo de Tuyuhun estava dividido entre as facções pró-Tang e pró-Tibete, com a última se tornando cada vez mais forte e colaborando com o Tibete para provocar uma invasão que foi efetivada por Mangsong Mangtsen na primavera de 670. Em represália o governo Tang, enviou o general Xue Rengui para liderar 100.000 soldados para reconquistar a região no vale do rio Dafei (atual condado de Gonghe, Chingai). Eles foram aniquilados pela emboscada de 200.000 soldados tibetanos. Nesta ocasião o Império Tibetano conquistou todo o território do Tuyuhun. [14]

Desintegração[editar | editar código-fonte]

Após a queda do reino, o povo Tuyuhun se separou. Liderados por Murong Nuohebo, grupos que haviam se estabelecido do lado leste das Montanhas Chingai, migraram para o leste na China central. O resto permaneceu e foi governado pelo Império Tibetano. [15]

Referências

  1. Mote, Frederick W. (2003). Imperial China 900-1800 (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press. p. 170 
  2. Hung, Hing Ming (2013). Li Shi Min, Founding the Tang Dynasty:. The Strategies that Made China the Greatest Empire in Asia (em inglês). [S.l.]: Algora Publishing. p. 155 
  3. Xue, Da. Tortuous Development in the Wei, Jin and Southern and Northern Dynasties (em inglês). [S.l.]: DeepLogic. p. 53 
  4. Xiong, Victor Cunrui (2017). Historical Dictionary of Medieval China (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield. p. 448 
  5. Byington, Mark E. (2020). The Ancient State of Puyŏ in Northeast Asia:. Archaeology and Historical Memory (em inglês). [S.l.]: BRILL. p. 160 
  6. Holcombe, Charles (2001). The Genesis of East Asia:. 221 B.C. - A.D. 907 (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press. p. 131-131 
  7. Xiong, Victor Cunrui (2017). Historical Dictionary of Medieval China (em inglês). [S.l.]: Rowman & Littlefield. p. 190 
  8. Rong, Xinjiang (2020). Studies on the History and Culture Along the Continental Silk Road (em inglês). [S.l.]: Springer Nature. p. 13 
  9. Beckwith, Christopher I. (2009). Empires of the Silk Road: A History of Central Eurasia from the Bronze Age to the Present (em inglês). [S.l.]: Princeton University Press. pp. 128–129 
  10. Skaff, Jonathan Karam (201). Sui-Tang China and Its Turko-Mongol Neighbors:. Culture, Power, and Connections, 580-800 (em inglês). [S.l.]: OUP USA. p. 281 
  11. Schaeffer, Kurtis R.; Kapstein, Matthew T.; Tuttle, Gray (2013). Sources of Tibetan Tradition (em inglês). [S.l.]: Columbia University Press. pp. 11–12 
  12. Wang, Zhenping (2013). Tang China in Multi-Polar Asia:. A History of Diplomacy and War (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press. p. 140 
  13. Stary, Giovanni (2006). Tumen Jalafun Jecen Aku:. Manchu Studies in Honour of Giovanni Stary (em inglês). [S.l.]: Otto Harrassowitz Verlag. p. 115 
  14. Wang, Zhenping (2013). Tang China in Multi-Polar Asia:. A History of Diplomacy and War (em inglês). [S.l.]: University of Hawaii Press. p. 147 
  15. Jing, Ai (2015). A History Of The Great Wall Of China (em inglês). [S.l.]: World Scientific. p. 68