Villa Forni Cerato

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Imagem: Cidade de Vicenza e Villas de Palladio no Véneto A Villa Forni Cerato está incluída no sítio Cidade de Vicenza e Villas de Palladio no Véneto, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg
Fachada da Villa Forni Cerato.

A Villa Forni Cerato é uma villa italiana do Véneto, situada em Montecchio Precalcino, Província de Vicenza. O seu desenho é atribuído ao arquitecto Andrea Palladio, datado de cerca de 1565, e acredita-se que o seu cliente foi Girolami Forni, um rico comerciante de madeira que proporcionava material de construção para uma série de projectos palladianos. A atribuição a Palladio baseia-se, em parte, sobre fundamentos estilísticos, embora se trate dum tema complicado, já que o edifício se afasta das normas palladianas.

A villa está classificado, desde 1996, como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, juntamente com as outras villas palladianas do Véneto. A conservação deste bem arquitectónico está, no entanto, em risco, uma vez que se encontra em estado de abandono.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Origens[editar | editar código-fonte]

Planta da Villa Forni Cerato, desenho de Ottavio Bertotti Scamozzi, 1778.

A Villa Forni Cerato foi construída, provavelmente, na década de 1540. Esta villa, como a Casa Cogollo, representa um caso exemplar de intervenção palladiana num edifício pré-existente no lugar transformado, mesmo com meios modestos, num significativo episódio monumental. Juntamente com o palácio do notário Cogollo, esta villa é uma das poucas residências projectadas por Palladio para un proprietário de certo rico, mas não nobre: Girolamo Forni, próspero mercador de madeiras, fornecedor de numerosos estaleiros palladianos, a começar pelo do Palazzo Chiericati, amigo de artistas como Vittoria e, ele próprio, pintor, coleccionador de antiguidades e membro da Accademia Olimpica de Vicenza. É possivel que o ascético minimalismo deste celebrado edifício esteja em harmonia com o estatuto social burguês do seu proprietário.

O nome duplo, Forni-Cerato, que sempre lhe foi dado, remonta ao ano 1610. Nesse ano, o edifício, que pertencera a Girolamo Forni, que pode ser considerado como aquele que o encomendu, passou, de acordo com uma previsão do seu testamento, para a posse de Giuseppe, Girolamo e Baldissera Cerato.[2]

Tanto a sua atribuição a Palladio como o assumir de que Girolamo Forni a havia construído permanece como mera especulação. A própria linguagem abstracta da villa tem gerado dúvidas sobre a efectiva paternidade palladiana, assim como a planimetria extremamente simples, privada das relações habituais entre as dimensões das salas, ou a presença de alguma desarmonia proporcional entre as partes do edifício.

Foi mencionado uma primeira vez por Francesco Muttoni e Ottavio Bertotti Scamozzi no século XVIII, que Palladio foi o arquitecto que executou a obra. Os investigadores modernos mostram-se de acordo de maneira praticamente unânime com estes dois arquitectos. Além disso, a própria villa revela claramente quem foi o seu criador, Andrea Palladio.[3] Na realidade, a villa é o resultado da reestruturação da "casa velha" pré-existente e, se alguma vez o ponto de vista é invertido, tal deve-se ao facto da inteligência palladiana ter transformado vínculos condicionantes em oportunidades expressivas. Isso é atestado pelo claro desenho da serliana, com as colunas acentuadas por nítidas pilastras estereométricas em função da limitada largura da loggia (provavelmente dimensionada pelo salão pré-existente) ou o friso, reduzido a uma simples faixa sob a cornija. De resto, o prospecto da loggia é conceptualmennte idêntico ao da Casa Cogollo, ligando uma vez mais estes dois edifícios.

Estado de conservação[editar | editar código-fonte]

Detalhe da fachada, onde é evidente a degradação do edifício.


A villa encontra-se num mau estado de conservação e quase completamente despojada da rica decoração, em parte obra documentada de Alessandro Vittoria, resultado ao estado de abandono a que está entregue desde há vários anos. O corpo do edifício não teve nenhuma mudança, com excepção da parte traseira, que tinha uma serliana, ainda visível actualmente, e que se interpreta como uma resposta à fachada dianteira, mas mais tarde foi substituída por um terraço.[4]

Os relevos da fachada, que foram retirados em 1924, estão documentados por uma gravura em cobre, obra de Marco Moro, mas acredita-se que não eram elementos originais do suposto plano de Palladio. Os relevos actuais, que mostram deuses do rio, são cópias do século XX baseadas na gravura de Moro. O mesmo pode dizer-se em relação ao brasão dentro do frontão.

Actualmente, a única decoração escultórica autêntica parece ser uma máscara sobre o arco de volta perfeita da serliana da entrada que se atribui a Alessandro Vittoria.

Desenho[editar | editar código-fonte]

Scção da Villa Forni Cerato, desenhada por Ottavio Bertotti Scamozzi, 1778.

A Villa Forni Cerato apresenta um tamanho relativamente pequeno e a sua altura estrutura-se pelo triplo ritmo da planta; a meia-cave, o piano nobile e o mezzanino. Esta pauta tripla também determina a largura da villa. A loggia sobressai como a parte dominante da fachada dianteira, demonstrando uma destacada relação com a Villa Godi, com um tramo de escadas sobre o porão e que leva à loggia, que se abre numa serliana. Esta serliana assume toda a largura da galeria e dá-lhe uma especial importância visual.

O eixo central é extremadamente claro e não se encontra rasgado por janelas forçadas através das paredes exteriores, como acontece na Villa Godi. Pelo contrário: as janelas encaixam-se manifestamente na estrutura proporcional da villa. Mas não é só em relação a isto que a Villa Forni Cerato marca um considerável passo à frente no desenvolvimento de Palladio; pela primeira vez, as divisórias entre os diferentes pisos da fachada são claramente visíveis. Embora a serliana frontal apareça em forma simplificada, possui uma cornija projectada da base da parede ao lado do arco de volta perfeita que vai em redor da loggia e encontra o seu contraponto, no que se refere aos motivos, nos extremos superiores das janelas. Uma dupla cornija corre por baixo das janelas e liga a galeria organicamente com o resto do edifício. Além da sua função estrutural, forma tanto o remate superior como o inferior das duas balaustradas, que estão colocadas entre as pilastras externas da serliana.

Pode considerar-se que aqui se expressa, pela primeira vez, a subordinação dos detalhes individuais da fachada em relação com a fachada no seu conjunto, que foi uma característica do desenvolvimento posterior de Palladio.[5]

Referências

  1. Site do município de Montecchio Precalcino
  2. Wundram, Manfred, "Andrea Palladio 1508-1580, Architect between the Renaissance and Baroque", Benedikt Taschen, 1993 p.26 ISBN 3-8228-0271-9
  3. Ibid. p.26
  4. Ibid. pp 26-27
  5. Ibid. pp 27, 30

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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