A Cartuxa de Parma

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A Cartuxa de Parma.

A Cartuxa de Parma (em francês: La Chartreuse de Parme) é uma das duas obra-primas reconhecidas de Stendhal (e únicos romances completos) junto com O Vermelho e o Negro.[1]

O romance é citado frequentemente como um exemplo antecipado do realismo, um forte contraste com o estilo popular romântico que havia à época de Stendhal. É considerado por muitos autores como um trabalho seminal; Honoré de Balzac o considerou o mais significante romance de seu tempo, André Gide o denominou de o maior romance francês. Liev Tolstói sofreu grande influência da famosa abordagem de Stendhal com relação à Batalha de Waterloo, onde seu protagonista vagueia perturbado sem saber ao certo se esteve ou não presente realmente naquela batalha.

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O romance é considerado por muitos críticos literários como um romance análogo ao O Príncipe de Maquiavel, mas retratando a Itália do século XIX. A criação de A Cartuxa de Parma foi, em muito, inspirada em leituras de documentos sobre famílias antigas da Itália, como a família Farnese, que Stendhal teve acesso em suas inúmeras passagens pela Itália, como cônsul. O Romance tem como protagonista Fabrício Del Dongo, um jovem aventureiro, de família nobre e de poucas ambições. Assim como Julien Sorel, protagonista de O Vermelho e o Negro, Fabrício é admirador de Napoleão e essa admiração constitui um dos aspectos sócio-históricos apresentados na obra, pois mostra uma Itália que sofre as consequências sociais da restauração da monarquia em territórios que pertenceram anteriormente ao Império Napoleônico, como os territórios do Piemonte, onde se passa o Romance.[2]

Fabrício vive em seu mundo nobre, mas sem as ambições típicas de seu meio, é estouvado, ingênuo, juvenil e desapegado às coisas do dinheiro. Sua ambição é lutar e conhecer o Imperador Napoleão. Essa admiração dá início às suas peripécias, pois ele segue escondido de seu pai, monarquista, para lutar em Waterloo. A partir daí ele se vê em apuros, contando apenas com a ajuda de sua tia, Gina Pietranera. A afeição entre os dois vai crescendo e se confunde muitas vezes com um amor carnal e incestuoso. Essa dualidade entre amor fraternal e carnal constitui-se como um aspecto dramático, que seguirá os dois personagens até o desfecho da obra. No entanto, desvincilhado da influência de sua tia, Fabrício percebe que não a amava como mulher. Preso, coagido e vítima de inúmeros processos decorrentes das brigas entre partidos políticos e traições de corte, Fabrício se apaixona por Clélia Conti, filha dum general do partido de oposição do amante de sua tia, Conde Mosca. Essa paixão deflagra o período mais belo da obra, em que ambos nutrem um amor impossível de se realizar, já que Fabrício, além de se encontrar preso, possui parentesco com inimigos políticos do pai da jovem. Livre por uma fuga arquitetada por sua tia, ele se vê infeliz, já que exilado jamais poderia rever Clélia.

O drama do amor impossível acaba constituindo o fato que doravante daria fim à saúde e à vida de Fabrício. Sua morte é seguida da de Clélia e Gina.

A obra é um retrato fiel da época, sendo esta uma de suas grandes contribuições como arte. Ela articula uma intrincada rede de relações de poder e amor, contextualizadas sob governos venais, que se sustentam fragilmente eclipsados pelo fantasma de Napoleão, recém destituído de seu poder e de seu império europeu. Além disso, não se pode menosprezar a capacidade do autor em dar vida a cada um dos personagens, aprofundando com coerência o caráter psicológico dos mesmos e contextualizando-o de forma conjuntural com o próprio espírito da obra. O romance não fez sucesso na época de sua publicação, mas foi reconhecido por ninguém menos que Honoré de Balzac, que, além de se tornar amigo de Stendhal, lhe deu diversos conselhos de modo que ele "enxugasse" e tornasse o texto mais fluido e profundo.

Referências

  1. Garzanti, Aldo. Enciclopedia Garzanti della letteratura (em ). Milan: Garzanti, 1974. 817 pp.
  2. Stendhal, Charterhouse of Parma, Heritage Press edition (1955), Balzac preface, page viii[1]