Amor (Leiria)

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 Portugal Amor  
—  Freguesia  —
Brasão de armas de Amor
Brasão de armas
Amor está localizado em: Portugal Continental
Amor
Localização de Amor em Portugal
39° 48' 11" N 8° 51' 59" O
País  Portugal
Concelho LRA.png Leiria
Fundação 1630[1]
 - Tipo Junta de freguesia
Área [2]
 - Total 23,48 km²
População (2011)[3]
 - Total 4 747
    • Densidade 202,2/km2 

Amor é uma freguesia portuguesa do concelho de Leiria[4] , com 23,48 km² de área e 4 747 habitantes (2011). Densidade: 202,2 hab/km².

As principais localidades desta freguesia são Amor, Casal dos Claros, Barreiros, Coucinheira, Casal Novo, Barradas e Toco.

Lenda sobre a Origem do Nome[editar | editar código-fonte]

Fazia o Senhor Rei D.Dinis e a sua Santa mulher, a Rainha Isabel, uma mais demorada pousada em Leiria, talvez para descansar dos muitos a fazeres do seu alto cargo. Um dia, o Rei passeando no seu fogoso corcel, galopou, galopou, campos fora, e, lá longe, num pequeno lugar vê uma camponesa formosa como nenhuma outra se vira ainda em muitas léguas ao derredor.

Apaixonou-se o Rei pela camponesa e ali, naquele lugar, no meio do campo florido de papoilas e malmequeres, nasceu naquele dia um grande amor. As visitas do Rei ao seu grande amor continuaram e tornaram-se conhecidas nas redondezas, e, àquele lugar começaram a chamar Amor.

Também a Rainha soube dos novos amores do seu marido e Rei e, para lhe mostrar a sua reprovação sem o melindrar, mandou uma noite alumiar o caminho por onde o Rei, seu esposo, deveria regressar a Leiria.

D. Dinis, ao dar com as veredas, por onde voltava, com grande alumiação, de muitos fogachos, viu estar ali uma muda intenção crítica da Rainha, e exclamou: "Até aqui cego vim!" E o sítio onde começavam as iluminarias passou a chamar-se "Cegovim", que, por uma natural corruptela popular se chama hoje Segodim.[5]

Considerações[editar | editar código-fonte]

[6] Como é natural acontecer com a maior parte dos topónimos, a lenda acerca da origem do nome de Amor é apenas uma recriação romântica popular que não se prova com factos históricos. Aliás, constatamos que os habitantes de Amor insistem frequentemente nesta mesma lenda como sendo um facto histórico comprovado pelo que muito dificilmente acolherão ideias contrárias. No entanto, através da análise da própria narrativa, juntamente com a fonética do topónimo, reparamos em incongruências que, de facto, deitam por terra o que se reconta. Vamos por partes:

1. A narrativa da lenda

a) A prosa é escrita com laivos de poesia, característica própria de uma criação romanceada. A confusão nasce a partir do momento em que são introduzidas personagens históricas.

b) O topónimo, segundo a lenda, nasce de uma relação amorosa supostamente secreta e, pela descrição, tem origem quase simultânea com essa mesma relação, o que muito dificilmente se comprovaria em qualquer circunstância.

c) A origem do topónimo Segodim como sendo de um curto diálogo entre duas pessoas também não colhe como facto histórico.

d) Geograficamente, Segodim não se encontra, bem pelo contrário, no trajecto entre Leiria e Amor, mas encontra-se entre Amor e Monte Real, local onde assentava a corte de D. Dinis nas suas visitas à zona centro.

2. A fonética

a) Segundo o Dicionário Etimológico Onomástico da Língua Portuguesa (2003), de José Pedro Machado, o nome Amor, como «topónimo. Leiria», surge com as seguintes indicações: «Amor (à … ô). Do lat. adamōre-, tornado Aamor, donde Amor com a aberto, mas átono.» Portanto, a pronúncia correcta para esse topónimo implica a abertura do a inicial da palavra, tornando-a distinta da do substantivo amor, derivada de amōre-, termo este que designa um sentimento.[7]

b) Tudo indica que o topónimo Amor tenha origem árabe, como o têm muitos topónimos portugueses, tendo evoluído para a actual forma que fácil e compreensivelmente se confunde com o substantivo amor que designa relação amorosa. E, por isso mesmo, aponta para que a origem da povoação seja anterior à existência do próprio rei D. Dinis e da própria nacionalidade.

Referências

  1. Paróquia de Amor. Arquivo Distrital de Leiria. Página visitada em 26 de Abril de 2014.
  2. Áreas das freguesias, municípios e distritos da CAOP2013 (em português). Direcção-Geral do Território (2013). Página visitada em 1 de Abril de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013. "Separador Areas_Freguesias_CAOP2013"
  3. População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano) (em português). Instituto Nacional de Estatística. Página visitada em 1 de Abril de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013. "Informação no separador "Q601_Centro""
  4. Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias) (pdf) (em português). Diário da República eletrónico. Página visitada em 1 de Abril de 2014. Cópia arquivada em 6 de Janeiro de 2014.
  5. Podemos encontrar outras versões desta lenda um pouco por todo o lado; por exemplo aqui
  6. Paulo Adriano, in www.vivamor.net
  7. Eunice Marta, in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa


Hiperligações[editar | editar código-fonte]

  • VivAmor Onde todos os amorenses têm uma palavra a dizer.