Antirretroviral

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Com o desenvolvimento da terapia antirretroviral, em 1996, a mortalidade e as infecções oportunistas foram reduzidas em mais de 72%. Já é possível viver mais de 25 anos com HIV sem apresentar nenhum sintoma ou efeito colateral.[1]

Os antirretrovirais (ARV) são fármacos usados para o tratamento de infecções por retrovírus, principalmente o HIV. A terapia altamente eficaz com antirretrovirais é conhecida como TARV.

Entre as principais causas de não adesão o esquecimento, as mudanças na rotina diária, o número excessivo de comprimidos e os efeitos colaterais causados pelos antirretrovirais. Porém algumas pessoas se recusam a tomar os medicamentos porque a medicação traz lembranças do HIV, por não aceitarem tomar as medicações por um longo período, por estarem sem sintomas físicos da doença (antes do CD4 cair a menos de 350) e por estarem com depressão maior.[2] Caso os medicamentos causem efeitos colaterais é possível escolher versões mais modernas até encontrar uma opção que agrade o paciente e seja eficaz para manter a quantidade de vírus indetectável (menos de 40 cópias).

Caso a pessoa descubra ser portador de HIV antes de desenvolver AIDS é possível nunca apresentar nenhum sintoma e fazer um tratamento sem efeitos colaterais por tempo indeterminado.

Distribuição gratuita no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Brasil foi o primeiro país em desenvolvimento a distribuir gratuitamente os antirretrovirais para os portadores de HIV do país. Desde 1988, o Sistema Único de Saúde (SUS) tem distribuído medicamentos para o tratamento de infecções oportunistas. Em 1991, iniciou-se a distribuição do antirretroviral zidovudina. Em 1996, a Lei nº 9.3135 estabeleceu a oferta universal e gratuita de ARV aos portadores do HIV e pessoas com Aids que preenchem os critérios estabelecidos no documento de consenso terapêutico em HIV/Aids do Ministério da Saúde (MS). Recomenda-se tratamento para indivíduos assintomáticos com contagem de linfócitos T CD4+ abaixo de 350 células/mm3 e pessoas sintomáticas, independentemente dos parâmetros imunológicos.[3]

A distribuição é feita a partir de hospitais credenciados nos principais centros urbanos de todo país de acordo com as prescrições do médico que atende o paciente.

Em 2010 estimava-se que haja 600 mil pessoas infectadas pelo vírus HIV no Brasil, dos quais cerca de 180.000 requisitavam os medicamentos contra Aids nos hospitais credenciados. São oferecidas no país quatro classes terapêuticas de ARV: inibidor da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo ou nucleotídeo (ITRN); inibidor da transcriptase reversa não análogo de nucleosídeo (ITRNN); inibidor da protease (IP) e inibidor de fusão. A partir de 2008, um novo inibidor da protease foi incluído, e o Ministério da Saúde passou a distribuir 18 medicamentos antirretrovirais através do SUS, sendo que oito são produzidos no país e dez são importados.[3]

Medicamentos[editar | editar código-fonte]

Fármacos atualmente utilizados na terapia antirretroviral (TARV) combinada com seu mecanismo de ação e principais efeitos adversos [4] .

Classe Nome genérico Mecanismo de ação Efeitos adversos
Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleosídeos (ITRN) Abacavir (ABC), Didanosina (ddI), Estavudina (d4T), Lamivudina (3TC), Zidovudina (AZT) e Tenofovir (TDF) Impedem a infecção das células, pois atuam sobre a transcriptase reversa, impedindo que o RNA viral se transforme em DNA complementar Toxicidade mitocondrial; toxicidade hepática, lipoatrofia, anemia, miopatia, neuropatia periférica, pancreatite
Inibidores da Transcriptase Reversa Não-Análogos de Nucleosídeos (ITRNN) Efavirenz (EFZ), Nevirapina (NVP), delavirdina Também atuam sobre a transcriptase reversa impedindo que o RNA viral se transforme em DNA complementar Elevação das enzimas hepáticas, dislipidemia, exantema e síndrome de Stevens-Johnson.
Inibidores de Protease (IP)(Inibidores da 'Maturação') Fosamprenavir (FAPV), Atazanavir (ATV), Darunavir (DRV), Indinavir (IDV), Lopinavir (LPV), Nelfinavir (NFV), Ritonavir (RTV), Saquinavir (SQV) Atuam impedindo a clivagem da protease do polipeptídeo precursor viral e bloqueia a maturação do vírus Toxicidade metabólica; lipodistrofia, dislipidemia, hiperglicemia, resistência a insulina, diabetes, intolerância gastrointestinal, toxicidade hepática
Inibidores da entrada do HIV e Inibidor da fusão Enfuvirtida (T-20) Impedem a entrada do material genético viral pela sua ação no mesmo local da entrada do HIV na célula que expressa receptor CD4 Reações de Hipersensibilidade, principalmente local, ou, mais raramente sistêmica

Risco de doenças[editar | editar código-fonte]

Portadores de HIV que usam antirretrovirais possuem riscos significantemente maiores de desenvolver hipertensão (21,2% vs 15,9%), diabetes (11,5% vs 6,6%), dislipidemia, ou seja, aumento da gordura corporal (23,3% vs 17,6%) e de infarto agudo do miocárdio (1,11% vs 0,69%) do que pessoas sem HIV. Esses problemas são mais comuns em idosos e pessoas que fazem uso da TARV há muitos anos. Um motivo possível para isso é um menor cuidado com a própria saúde pelos portadores de HIV.[5] O consumo de omega 3 diminui os riscos de problemas cardiovasculares.

Referências

  1. Lima AMA, Pedro ENR. Growing up with HIV/AIDS: a study on adolescents with HIV/AIDS and their family caregivers. Rev Latino-am Enfermagem 2008 maio/junho;16(3): 348-54.
  2. Murphy DVA. Barries to haart adherence among immunodeficiency vírus-infected adolescents. Arch Pediatr Adolesc Med 2003; 157:249-55.
  3. a b LAGO, Regina Ferro do and COSTA, Nilson do Rosário. Dilemas da política de distribuição de medicamentos antirretrovirais no Brasil. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2010, vol.15, suppl.3 [cited 2011-06-15], pp. 3529-3540 . Available from: <http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232010000900028&lng=en&nrm=iso>. ISSN 1413-8123. doi: 10.1590/S1413-81232010000900028.
  4. http://www.scielo.br/pdf/abc/v93n5/a19v93n5.pdf
  5. Triant VA, Lee H, Hadigan C, Grinspoon S. Increased acute myocardial infarction rates and cardiovascular risk factors among patients with human immunodeficiency virus disease. J Clin Endocrinol Metab. 2007; 92 (7): 2506-12.