Batalha de El Puig de Santa Maria

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Batalha de El Puig
Conquista do Reino de Valência
Batalla del Puig por Marzal de Sas (1410-20).jpg
Batalha de El Puig, de Marzal de Sas
Data 15 de agosto de 1237
Local El Puig
Desfecho Vitória da Coroa de Aragão
Comandantes
Armas de Aragon.png Bernat Guillem de Entença Allah.svg Zayyan ibn Mardanix
Forças
50 cavaleiros[1] 600 cavaleiros, 11.000 crianças
   

A batalha de El Puig de Santa Maria aconteceu em 1237, durante a campanha para a conquista da cidade de Valência.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Os Almóadas conseguiram fundir os emirados da Península Ibérica com os norte-africanos numa unidade política um tanto instável. Os governadores almóadas de Balansiya (Taifa de Valência) Zayd Abu Abd Allah e Abū Zayd podiam agir com plena autonomia, e até mesmo se intitularam reis, apesar de nunca cunharem moeda nem negarem a sua submissão ao imperador de Marraquexe. Depois da derrota na batalha de Navas de Tolosa, o império desintegrou-se em reinos de taifas, dos quais o mais importante foi o reino de Granada, os Háfsidas da Tunísia, os Banu Zian da Argélia, e os Merínidas de Marrocos.

Em 1224 Jaime I de Aragão chamou os nobres de Aragão e Catalunha para iniciar a conquista da Taifa de Valência entrando por Teruel; então Abū Zayd pediu uma trégua, a qual aceitou em troca da quinta parte das rendas de Balansiya e Mursiyya. Durante o verão de 1225, Jaime I tentou tomar o castelo de Peñíscola, mas os nobres aragoneses deram-lhe as costas e fracassou.

Abū Zayd sofreu uma rebelião indígena antialmóada encabeçada por Ibn Hud al-Djudzani, que se apoderou de Madina Mursiyya em 1228 e dominou as regiões de Orihuela, Dénia, Gandia, Xàtiva e Al-Yazirat Suquar, assediando Balansiya sem a tomar. Contudo, a ameaça do Reino de Castela fez com que Ibn Hud se retirasse para Madina Mursiyya.

O pacto entre Jaime I e Abū Zayd fez com que muitos muçulmanos se passassem ao bando de Zayyan ibn Mardanix, neto de Abu al-Hajjaj, acreditando que Abū Zayd os atraiçoara ao abandonar o Islão; este deixou a cidade de Valência e marchou para o norte, enquanto Zayyan entrava triunfalmente na cidade de Balansiya, em janeiro de 1229, ainda que sem se proclamar rei. Desde Madina Mursiyya, o rebelde antialmóada Ibn Hud al-Djudzaní assediou a cidade de Valência, pressionando Zayyan para que a abandonasse. Todo este desordem na cidade de Valência fomentou as ânsias de Jaime I para tentar de novo a conquista do Reino, após tomar Maiorca aos muçulmanos em 1229.

A campanha de Valência[editar | editar código-fonte]

Em 1235 decorreram ataques nas cercanias de Balansiya, mas finalmente o exército cristão retirou-se, tanto de Albalat quanto de Cullera. A 25 de junho de 1235, Jaime I de Aragão assediou o castelo de Foios, já muito perto de Balansiya. Os muçulmanos de Zayyan ibn Mardanix, ao se retirarem para sul, arrasaram a fortificação do Puig de Cepolla ou de Enesa

Jaime I entrevistou-se em Teruel com Abū Zayd, o emir destronado, estabelecendo um novo pacto entre eles,[2] que vinha a ser uma confirmação do pacto de 1229. Correspondia a Jaime I a quarta parte do território de Valência que se submetesse a Abū Zayd, e este e os seus filhos declaravam-se vassalos de Jaime I, e dos filhos que este tiver com a sua segunda esposa, Iolanda da Hungria. Neste tempo, Abū Zayd converteu-se ao cristianismo, adotando o nome de Vicens. Já cristão, casou-se com uma dama de Saragoça chamada María Ferrandia.[3]

Nos documentos de 1236 figuram já os preparativos catalano-aragoneses para o ataque de Balansiya. A 13 de outubro, as Cortes gerais de Monzón[4] trataram da conquista. Num documento do dia 28, expedido em Lérida, Jaime prometia dotar a igreja de Valência, quando conquistasse a cidade, empresa tratada, diz, "apud Montesonum in curia gerali quam convocavimus pro facienda exercitus contra mauros". O mesmo dia 28 prometia destinar a mesquita-mor de Valência para templo católico. A 13 de novembro ditou um decreto dispondo que, uma vez tomada a cidade, a igreja de Valência tornaria-se dependência da Seu de Tarragona. Dois dias depois assinou o reconhecimento da oferta feita pelo mestre provincial Templário, para ajudar na conquista de Valência, do direito de cunhagem nos lugares pertencentes à ordem, sem que isto constituísse um precedente contra os privilégios do Temple.

A campanha do rio Palancia[editar | editar código-fonte]

O rei, depois da tomada de Burriana e a campanha frustrada de Cullera, dispôs-se a empreender o ataque final à cidade de Balansiya, reunindo as Cortes gerais em Monção a 28 de outubro de 1236 onde conseguiria a ajuda necessária, até mesmo o Papa Gregório IX qualificava a ação de "cruzada" e outorgava uma bula a 2 de fevereiro de 1237. Após uma estadia em Montpellier, entre finais de 1236 e princípios de 1237, o exército, concentrado em Teruel começou a baixar seguindo o curso do rio Palancia, tomando Vall d'Uixó, Nules, e assediando Almenara.[5] A seguir tomaram-se Bétera, Paterna, e Montcada, e finalmente a 25 de junho de 1237 El Puig de Cepolla também denominado Enesa, e após Santa Maria, situado perto da capital valenciana.

Jaime I dispôs que a fortificação de El Puig fosse reconstruída, foi feito um muro de taipa e um caminho empedrado até o mar. Ao cabo de dois meses, as obras ficaram prontas e o castelo foi ocupado por uma guarnição de cem cavaleiros e muitos peões, mandados por Bernat Guillem de Entença, parente do conde-rei.

O historiador muçulmano Ibn Khaldun relata que, do 16 de setembro 1235 ao 4 de setembro de 1236, os cristãos, que atacaram os sarracenos, tinham sete acampamentos, dois dos quais eram contra Balansiya, Al-Yazirat Suquar e Xàtiva. Enquanto o rei de Castela tomava Córdova, Jaime apoderava-se da maior parte dos castelos de Balansiya e de Al-Yazirat Suquar. Acrescenta que o catalão construiu o castelo de Enesa, para assediar Valência, deixou o seu exército e voltou para a sua terra.

A batalha[editar | editar código-fonte]

Zayyan ibn Mardanix reuniu gente de Xàtiva e o rio Júcar e avançou para Enesa, reunindo, segundo a Crônica, 600 cavaleiros e 11.000 peões,[6] e atacando a 15 de agosto de 1237, segundo Al-Maqqari, pouco depois de o rei deixar El Puig para Huesca.

Ibn al-Abbar, que fora secretário de Abū Zayd, presente como secretário de Zayyan, relata que a batalha decorreu ao meio-dia. O exército muçulmano foi derrotado, e a maior parte dos seus soldados sucumbiram. Entre os mortos muçulmanos encontrava-se o sábio predicador Aburrebii ibn Salim Elcolaí. Jaime I, ao conhecer a vitória, acudiu a El Puig, onde permaneceu alguns dias, e depois voltou para Aragão.

A forte derrota sofrida pelos muçulmanos teve uma grande influência sobre os curso das operações. A partir desta batalha, os destacamentos dos cristãos multiplicaram-se pela comarca, e muitos muçulmanos tiveram de fugir.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Enquanto Jaime I de Aragão estava em Aragão, faleceu Bernat Guillem de Entença, o qual introduziu o desânimo entre os nobres, especialmente entre os aragoneses. Num conselho de magnatas, Blasco I de Alagón, em nome de outros muitos barões, susteve que era melhor evacuar El Puig e abandonar temporariamente a empresa, podendo ser retomada mais adiante.

Jaime I recusou seguir o conselho dos nobres, e resolveu continuar a campanha. De Aragão, o monarca voltou para El Puig de Santa Maria. Ali se encontrava a 24 de janeiro de 1238. Trouxe com ele o filho de Bernat Guillem de Entença, chamado Guillem, que tinha uns 10 ou 11 anos, armando-o cavaleiro perante os representantes das ordens militares, e fazendo-lhe doação de todas as terras do seu pai. Provisoriamente designou como capitão do castelo a Berengário de Entença.

Ainda assim, não cessou a oposição à continuação da campanha. Ao contrário, uma grande parte da guarnição de El Puig, ao saber que o conde-rei ia embora, conveio secretamente em abandonar aquela posição uma vez que Jaime fosse embora. Um dos freires dominicanos que havia na fortificação denunciou o complô ao monarca. Esta, ao dia seguinte, reuniu os nobres na capela do castelo e falou-lhes energicamente, Os barões reagiram, e prometeram prosseguir a luta até a vitória.

Pouco depois o Conquistador partia para Ulldecona para receber a sua esposa Violante; mas não quis cruzar o rio e obstinou-se na sua decisão de realizar a conquista de Valência, apesar dos conselhos do seu tio Ferrão e das súplicas da rainha. Esta e os servidores da casa real estabeleceram-se em Burriana.

De volta para El Puig, Jaime recebeu um mensageiro que, em nome de Zeian ofereceu, em troca de abandonar o ataque à capital, a cessão de todos os castelos do rio Guadalaviar até Tortosa e Teruel, bem como a construção de um formoso palácio para o conde-rei na Saida e o pagamento de um tributo anual de dez mil besantes. A resposta do conde-rei foi que, no estado a que tinham chegado, não lhe convinha o trato. Ele podia tomar a cidade de Valência, e então cairiam no seu poder todos os seus castelos e terras. Assim teria a galinha e logo os pintos.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Rovira i Virgili, Antoni [1920], Història Nacional de Catalunya, vol. IV, p. 563 a 566
  • Jaime I, o Conquistador (1557), Chronica, o commentari del gloriosissim e invictissim Rey en Iacme

Referências

  1. Hernàndez, Francesc Javier [2004], «Les Grans Conquestes», Història Militar de Catalunya. Vol. II: Temps de Conquesta, Segunda edição, p.102
  2. Neste pacto não aparecia a assinatura de Abū Zayd, mais bem figurava o seu selo pessoal, com uma águia, e a lenda em castelhano: Sciello de Ceit Buceit nieto de [Emir al] Momenim a 28 de maio de 1236
  3. algumas fontes incorretamente citam a Dominga López
  4. Vários autores [2004], «La formació dels Països Catalans... (segles XIII-XIV)», Història medieval de Catalunya, Primeira edição (segunda impressão), p.99
  5. L'Enciclopèdia, Almenara
  6. Jaime I de Aragão (1557), «cap. LX», Chronica, o commentari del gloriosissim e invictissim Rey en Iacme, f. LXIIIv