Concílio de Constantinopla (867)

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O Concílio de Constantinopla de 867 d.C. foi convocado pelo patriarca de Constantinopla Fócio para tratar de diversos assuntos relativos às disputas com a Igreja ocidental, como a primazia papal, as relações do papa com Reino da Bulgária e o uso da cláusula Filioque[1] [2] [3] [4] .

Contexto[editar | editar código-fonte]

Pelo menos três concílios (867, 869, 879) foram realizados em Constantinopla para discutir a deposição do patriarca Inácio pelo imperador bizantino Miguel III, o Ébrio e a posse de Fócio em seu lugar. O papa, em desacordo, realizou um sínodo em Latrão em 863 que reverteu a decisão da Igreja oriental e do imperador, o que foi visto no oriente como uma intervenção inaceitável do papa de Roma. No concílio, Nicolau tentou remover Fócio e reconduzir Inácio ao cargo por sua própria autoridade. Assim, o papa estaria também intervindo em questões relativas à autoridade imperial, além da autoridade das outras igrejas orientais, seus próprios concílios e poderes, o que eles entendiam estar fora da jurisdição romana.

O papa Nicolau I estava intervindo na escolha de patriarcas em jurisdições diferentes da sua (patriarcas que supostamente eram iguais a ele) e no processo de confirmação de suas escolhas. No período inicial do cristianismo - e na destes concílios - não havia outros patriarcas no ocidente, exceto o o de Roma, enquanto que os outros quatro estavam no oriente (os patriarcas de Antioquia, Jerusalém, Alexandria e o de Constantinopla).

O concílio de 867 depôs o papa, declarou um anátema sobre ele e o excomungou[5] . Além disso, as alegações romanas de primazia, seus contatos com a Bulgária[5] e o uso da Filioque foram também condenados[6] [7]

Eventos posteriores[editar | editar código-fonte]

O concílio de 867 foi seguido pelo Concílio de Constantinopla de 869, que depôs Fócio e o excomungou, reinstalando Inácio. O Concílio de Constantinopla de 879 então restaurou as conclusões do Concílio de 867 e reconduziu Fócio ao cargo. A Igreja Católica rejeita os concílios de 867 e 879, mas aceita o concílio de 869, enquanto que a Igreja Ortodoxa rejeita o de 869, aceitando os outros dois.


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Fortescue, A.. The Orthodox Eastern Church (em ). [S.l.: s.n.]. 147–148 pp.
  2. Andrew Louth. Greek East and Latin West (em ). [S.l.: s.n.]. p. 171.
  3. Tougher, S.. The Reign of Leo VI (em ). [S.l.: s.n.]. p. 69.
  4. Siecienski, A. Edward. The Filioque: History of a Doctrinal Controversy (em ). USA: Oxford University Press. p. 103. ISBN 978-0-19-537204-5. Visitado em 23/12/2011.
  5. a b In: Cross, F. L.. The Oxford dictionary of the Christian church: Photius (em ). New York: Oxford University Press, 2005.
  6. The Union: a method of Pope-centrist ecumenism (em inglês) Pravoslavie.ru. Visitado em 23/12/2011.
  7. Moscow-Bari-Rome (em inglês) Pravoslavie.ru. Visitado em 23/12/2011.