Crisoterapia

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Crisoterapia ou auroterapia são termos utilizados para designar o tratamento com compostos de ouro[1] . Os sais de Ouro acumulam-se lentamente no organismo humano e, passado algum tempo, reduzem a inflamação. Os sais de Ouro são por isso utilizados para modificar a progressão de: artrite reumatóide, doenças inflamatórias do intestino, artrite psoríaca, Lúpus Eritmatoso e Artrite Reumatóide Juvenil. Actualmente, os sais de Ouro não são frequentemente utilizados para tratar crianças com Artrite Juvenil Ideopática, convencionalmente utiliza-se Metrotexato. Os sais de Ouro são, por vezes, utilizados em crianças com poliartrite progressiva que não respondem à terapia com fármacos anti-inflamatórios não esteróides (metrotexato) e a outras medicações. Este tratamento é algo dispendioso, uma vez que implica controlo médico e laboratorial.

Mecanismo de Acção[editar | editar código-fonte]

O processo químico através do qual o Ouro consegue atrasar a progressão da artrite ainda não está completamente explicado. No entanto, dados obtidos através da análise de crisoterapia com aurotiomalato de sódio (contém Au (I)) em ratos, resultaram na proposta de 3 mecanismos anti-inflamatórios distintos:

- a formação de Au (III) a partir do Au(I) do aurotiomalato capta espécies reactivas de oxigénio (ROS) como o ácido hipoclórico;

- o Au (III) é uma espécie altamente reactiva que desnatura irreversivelmente as proteínas, incluindo proteínas lisossomais que intervêm não especificamente no processo de inflamação quando são libertadas de células no focos de inflamação.

- o Au (III) interfere com as enzimas lisossomais envolvidas no processamento de Antigénios ou pode alterar directamente as moléculas de MHC da via endossomal-lisossomal.

Em última instância, qualquer destes mecanismos pode explicar a diminuição da produção e apresentação de peptídeos auto-artrogénicos. Se, para além disto, qualquer destes processos decorrer conjuntamente com um sistema Redox nas células fagocíticas, então as acções anti-inflamatórias poderão ser efectivas durante um período de tempo mais longo, explicando, em grande medida, tanto a actividade anti-inflamatória como os efeitos adversos dos fármacos anti-reumatismais.

Administração[editar | editar código-fonte]

O Ouro pode ser administrado oralmente ou através de injecção intramuscular. Em qualquer dos casos é administrado semanalmente durante, aproximadamente 3 a cinco meses, a partir dos quais se administram doses menos frequentes.

A Auranofina existe sob a forma de comprimidos revestidos para administração oral e é comercializada sob o nome comercial de Ridaura. O Aurotiomalato de sódio é administrado por injecção intramuscular e comercializado sob o nome comercial de Tauredon. É necessário realizar monitorização laboratorial, através de análises regulares ao sangue e urina (nesta verificam-se as proteínas que indicam dano a nível renal).

"Modificadores" da Acção Reumatismal[editar | editar código-fonte]

Auranofina

Fórmula estrutural da Auranofina.

Efeitos Adversos[editar | editar código-fonte]

Os efeitos adversos podem desenvolver-se após uma quantidade significativa de Ouro se acumular no organismo. Os compostos de Ouro demoram cerca de dois meses até atingirem um nível estável e têm um tempo de semi-vida biológico relativamente longo (pensa-se que o tempo de semi-vida biológico do Ouro depois de uma dose única de um composto de Ouro administrado por via endovenosa, esteja compreendido entre 3 e 27 dias). Dez dias após a descontinuação do tratamento, apenas 70% já foi excretado, tornando os problemas de toxicidade do Ouro que podem ocorrer difíceis de lidar e de ultrapassar rapidamente.

Os potenciais benefícios resultantes desta terapia para doentes com doenças inflamatórias do intestino, rash cutâneo ou história de depressão da medula óssea terão que ser avaliados tendo em conta os riscos de toxicidade do Ouro sobre sistemas de órgãos comprometidos ou reservas diminuídas. É também de considerar eventuais problemas com a detecção e correcta identificação dos efeitos secundários.

O Ouro administrado oralmente tem menos efeitos adversos que o administrado intramuscularmente. Normalmente, quando é prescrita a terapia com Ouro oral os efeitos adversos que são observados mais frequentemente são: diminuição do apetite, náuseas, enfraquecimento do cabelo e diarreia, assim como outros problemas ao nível da pele, sangue, rins ou pulmões. No caso da terapia ser via intramuscular os efeitos adversos mais comuns são rash cutâneo e feridas na boca e mais raramente, problemas renais e supressão da produção de células sanguíneas.

Referências

  1. Shaw III, C. F.. (1999). "Gold-Based Medicinal Agents". Chemical Reviews 99 (9): 2589–600. DOI:10.1021/cr980431o. PMID 11749494.