Epístola a Diogneto

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A Epístola de Mathetes a Diogneto (em grego: Πρὸς Διόγνητον Ἐπιστολή) é provavelmente o exemplo mais antigo de apologética cristã, textos defendendo o Cristianismo de seus acusadores. O autor e o destinatário, gregos, não são conhecidos, mas a linguagem e outras evidências textuais colocam a obra no final do século II d.C. Alguns assumem uma data ainda mais antiga e contam a epístola entre os Padres Apostólicos.[1]

Autor e audiência[editar | editar código-fonte]

"Mathetes" não é um nome próprio e significa apenas "um discípulo". O autor é um cristão joanino que não usa o termo "Jesus" e nem a palavra "Cristo", preferindo o uso de "O Verbo"[1] .

Um "Diognetus" foi um tutor do imperador romano Marco Aurélio, que o admirava por não ser supersticioso e pelos sólidos conselhos educacionais (Meditações 1.6), mas é improvável que seja ele o destinatário desta apologia. Mais provável é 'o excelentíssimo Diognetus', Cláudio Diogenes, que era procurador de Alexandria na virada do século II para o III d.C[1] .

Manuscritos[editar | editar código-fonte]

A Epístola sobreviveu em dois manuscritos. Um terceiro, num códice do século XIII d.C. que incluía textos atribuídos à Justino Mártir, se perdeu num incêndio em Estrasburgo em 1870 durante a guerra franco-prussiana. Os outros dois são provavelmente uma cópia dele. Felizmente, ele já tinha sido publicado, a primeira vez em 1592, quando acreditava-se que autoria era de Justino por conta do contexto em que foi encontrada a Epístola, no códice[1] .

Em todos os manuscritos, duas linhas estão faltando no meio. O manuscrito do século XIII d.C. obviamente estava danificado ali e as cópias foram feitas após essa parte do texto ter se perdido[1] .

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

A Epístola a Diogneto contém doze capítulos:

Capítulo Título
I. Motivo da Epístola
II. A vaidade dos ídolos
III. A superstição dos judeus
IV. Os outros rituais observados pelos judeus
V. Os modos dos cristãos
VI. As relação dos cristãos com o mundo
VII. A manifestação do Cristo
VIII. O estado miserável da humanidade antes da vinda do Verbo
IX. Por que o Filho foi enviado tão tarde
X. As bençãos que fluirão da fé
XI. O que é válido ser conhecido e acreditado
XII. A importância do Conhecimento para a verdadeira vida espiritual

O capítulo dez termina abruptamente no meio de uma sentença e, por isso, os dois últimos capítulos - um tipo de peroração diferente da forma epistolar tradicional - são geralmente considerados como sendo adições posteriores. Algumas características típicas do século III aparece neles: "Este Verbo, Que era desde o início…". Alguns atribuíram estas adições à Hipólito, com base em similaridades de pensamento e estilo. No décimo-primeiro capítulo, "Mathetes" apresenta-se como "tendo sido um discípulo dos apóstolos, me apresento como um professor dos gentios, pregando com louvor para eles", colocando-se portanto no mesmo nível de outras autoridades como João, o Presbítero[1] .

Referências

  1. a b c d e f Wikisource-logo.svg "Epistle to Diognetus" na edição de 1913 da Catholic Encyclopedia (em inglês)., uma publicação agora em domínio público.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lona, Horacio E.. In: N. Brox, K. Niederwimmer, H. E. Lona, F. R. Prostmeier e J. Ulrich.. Kommentar zu frühchristlichen Apologeten, KfA: "An Diognet", Übersetzt und erklärt (em alemão). Freiburg u.a.: Verlag Herder, 2001. vol. 8. ISBN 3-451-27679-8.
  • Foster, Paul. (2007). "The Epistle to Diognetus." (em inglês). Expository Times 118 (4): 162-168.