Filosofia islâmica clássica

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Manuscrito ilustrado árabe do século XIII mostra Sughrat (Sócrates) a discutir com seus pupilos.

A filosofia islâmica clássica ou filosofia islâmica antiga constitui-se durante um período de desenvolvimento filosófico intenso, que começa no princípio do século IX d.C. e dura até fins do século XII d.C. Esse período é conhecido como a Idade de Ouro Islâmica, e suas conquistas tiveram uma grande influência no desenvolvimento da filosofia e da ciência modernas.

História[editar | editar código-fonte]

Durante o período helenístico, a filosofia grega passa por uma transformação radical: de essencialmente grega, torna-se cosmopolita e eclética. Nela fundem-se elementos religiosos e éticos egípcios, fenícios e de outros povos do Oriente Médio. Tal transformação se reflete no papel assumido por Alexandria como centro de confluência das diversas correntes de pensamento do período.

Quando o califado abássida é fundado em Bagdá, no ano de 750, esse papel gradualmente se transfere para a capital abássida, que assim acaba por se tornar sucessora de Atenas e de Alexandria como a nova metrópole cultural do mundo medieval. Cerca de dois séculos mais tarde, Córdoba, capital da Espanha islâmica, começaria a competir com Bagdá como centro do "antigo conhecimento". De Córdoba, a filosofia e a ciência greco-árabes atravessariam os Pirenéus, chegando a Paris, Bolonha e Oxford, no séculos XII e XIII.

A recepção inicial da filosofia greco-helenística no mundo islâmico, é marcada por uma certa suspeição, da parte dos teólogos, juristas e gramáticos conservadores, por ser estrangeira e pagã - logo, perniciosa ou supérflua. Em meados do século VIII, porém, o quadro muda um pouco, com o aparecimento dos teólogos racionalistas do Islamismo, conhecidos como os Mu'tazilites, grandemente influenciados pelo método do discurso (ou método dialético) adotado pelos filósofos islâmicos. Entre esses filósofos, duas figuras se destacam, nos séculos IX e X - al-Kindi e al-Razi, que saudaram a filosofia grega como uma forma de libertação dos dogmas ou da imitação cega (taqlid). Para al-Kindi, os objetivos da filosofia seriam perfeitamente compatíveis com os da religião; para al-Razi, a filosofia era a mais alta expressão das ambições intelectuais do homem e uma das conquistas mais nobres dos gregos - insuperáveis em sua busca de sabedoria (Hikma).[1]

A Idade de Ouro[editar | editar código-fonte]

No início da Idade de Ouro Islâmica, havia duas escolas principais. A primeira, Kalam, que lidava principalmente com as questões teológicas islâmicas[2] ; a outra, Falsafa, constituía-se de interpretações do aristotelismo[3] e do neoplatonismo.[4] Houve tentativas por parte de filósofos e teólogos - principalmente Ibn Sina (Avicena) e Ubn Rushd (Averróis), além de Ibn al-Haytham (Alhazen) e Abü Rayhän al-Bïrünï - para trazer harmonia às duas correntes.[5]

Referências

  1. Islamic Philosophy from the Routledge Encyclopedia of Philosophy. Greek philosophy: impact on Islamic philosophy
  2. Wolfson, Harry Austryn. The philosophy of the Kalam. [S.l.]: Harvard University Press, 1976. ISBN 978-0-674-66580-4.
  3. Islamic Philosophy from the Routledge Encyclopedia of Philosophy. Aristotelianism in Islamic philosophy
  4. Islamic Philosophy from the Routledge Encyclopedia of Philosophy.Neoplatonism in Islamic philosophy
  5. Dallal, Ahmad (2001-2002), The Interplay of Science and Theology in the Fourteenth-century Kalam, From Medieval to Modern in the Islamic World, Sawyer Seminar. Universidade de Chicago, http://humanities.uchicago.edu/orgs/institute/sawyer/archive/islam/dallal.html 

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