Folie à deux

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Transtorno delirante induzido
É importante ressaltar que não se pode classificar como psicose as crenças e comportamentos que forem comuns nesta sociedade.
Classificação e recursos externos
CID-10 F24.1
CID-9 297.3
DiseasesDB 34350
MeSH D012753
Star of life caution.svg Aviso médico

Folie à deux ("Loucura a dois" em francês, pronuncia-se: foli-à-dú) é uma sintomatologia psicopatológica na qual sintomas psicóticos são compartilhados por duas pessoas, geralmente da mesma família ou próximas.[1] Quando a família tem um estrutura psicótica pode ser chamada de folie en famille. No CID 10 é classificado como um "Transtorno psicótico induzido"(F24) na sub-categoria transtorno esquizotípico (F20 a 30). E no DSM é classificado como "Transtorno psicótico compartilhado". Esse termo deve ser usado para descrever a relação psicopatológica independente dos diagnósticos individuais dos envolvidos.[2]

Características[editar | editar código-fonte]

É comum que medos e angústias mal fundamentados (paranoias) dos pais sejam introjetada nos filhos, não só por sugestionabilidade, como também pelo possível compartilhamento de genes, cultura e influências sociais em comum.

Pode ser necessário separar os envolvidos durante o tratamento para prevenir que eles reforcem os comportamentos inadequados entre si. Quando o transtorno está sendo induzido por um psicótico (chamado de primário) em uma ou mais pessoas vulneráveis, porém com boa capacidade de interpretação da realidade social, os sintomas das vítimas tendem a desaparecer apenas com terapia, sem a necessidade de medicamentos.

É mais frequente em famílias que vivam juntas (principalmente pais e filhos próximos) pelos fatores genéticos, ambientais, interpessoais, sociais e culturais compartilhados entre eles e envolvidos na formação de uma psicose.[3]

Adolescentes e adultos jovens são mais vulneráveis a psicoses. Ileno Costa e Isalena Carvalho (2007) defendem que toda psicose é resultado de um adoecimento da estrutura familiar e da própria sociedade sendo protagonizada por indivíduos vulneráveis.[4] E a possibilidade de compartilhar sintomas psiquiátricos mesmo em pessoas sem genética reforça a importância que o psicológico, a sociedade e o ambiente tem sobre os indivíduos em oposição ao modelo tradicional que considerava a psicose como uma doença apenas genética.

Classificações[editar | editar código-fonte]

Pode ocorrer por imposição em uma relação de poder (Folie imposée ou communiquée) quando uma pessoa impões crenças altamente prejudiciais, inadequadas e socialmente não-compartilhadas (ex: cultos novos, teorias de conspiração...) para uma ou mais pessoas vulneráveis ou ambos podem ter transtornos psicóticos e compartilharem suas crenças entre si (Folie simultanée ou induite), influenciando o comportamento um do outro.[5]

Quando envolve mais de duas pessoas pode ser chamada de folie à tróis (loucura a três), folie à quatre (loucura a quatro) ou folie à plusieurs (loucura de muitos). E possível que alguns cultos radicais extremistas, suicídios em massa e teoristas de conspiração possam ser casos de folie à plusieurs, popularmente conhecidos como histeria colectiva.

Subtipos[editar | editar código-fonte]

Gralnick (1942) formulou 4 subtipos [6] :

  • Folie imposée: Ideias delirantes são impostas a uma pessoa saudável e desaparece quando separado do causador.
  • Folie communiquée: Após longo período de resistência a pessoa saudável, mas persiste quando separado do causador.
  • Folie simultannée: Quando ambos psicóticos de gravidade similar trocam idéias delirantes. Comum em hospitais psiquiátricos. Associado a vulnerabilidade e fatores depressivos.
  • Folie induite: Um paciente com psicose mais grave adiciona novas idéias delirantes a um paciente com psicose mais moderada.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Frequentemente é necessário começar o tratamento separando os dois envolvidos. O caso primário geralmente exige tratamento com antipsicóticos, acompanhamento psicoterápico e terapia organizacional. Dependendo do caso o caso secundário também pode exigir medicação, mas ca~~~~so o afastamento seja suficiente pode-se restringir o tratamento ao acompanhamento psicológico semanal.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Berrios G E (1998) Folie à deux (by W W Ireland). Classic Text Nº 35. History of Psychiatry 9: 383-395
  2. Teixeira, Paulo José Ribeiro; Araújo, Glauco Corrêa; Rocha, Fábio Lopes. Folie à deux: Revisáo crìtica da literatura J. bras. psiquiatr;41(2):61-5, mar. 1992.
  3. Maharaj, K. M; Hutchinson, Gerald A. Shared-induced paranoid disorder Folie a deux between mother and son. West Indian med. j;41(4):162-3, Dec. 1992.
  4. CARVALHO, Isalena Santos; COSTA, Ileno Izídio e BUCHER-MALUSCHKE, Júlia S. N. F.. Psicose e Sociedade: interseções necessárias para a compreensão da crise. Rev. Mal-Estar Subj. [online]. 2007, vol.7, n.1 [citado 2011-04-06], pp. 163-189 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1518-61482007000100010&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1518-6148.
  5. Journal of Nervous and Mental Disorders, 1956, Vol 124: 451-459
  6. CUNHA, Fernando Toledo da; LADEIRA, Rodolfo Braga; SALGADO, João Vinícius and NICOLATO, Rodrigo. Folie induite: relato de um caso à margem das classificações atuais. J. bras. psiquiatr. [online]. 2008, vol.57, n.2 [cited 2012-11-19], pp. 142-144 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0047-20852008000200011&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0047-2085. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852008000200011.