Psicologia clínica

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Psicologia Clínica é a parte da psicologia que se dedica ao estudo dos transtornos mentais e dos aspectos psíquicos de doenças não mentais. Seus temas incluem a etiologia, classificação, diagnóstico, epidemiologia, intervenção (prevenção, aconselhamento, psicoterapia, reabilitação, acesso à saúde, avaliação)[1] .

Em lígua inglesa se usa, ao lado do termo clinical psychology, também o termo "abnormal psychology". Este último é ora usado como sinônimo do primeiro (ex. Kring et al., 2006[2] ), ora significando apenas a descrição e a etiologia dos transtornos mentais (ex. Eysenk, 1973[3] ).

Introdução histórica[editar | editar código-fonte]

Os primórdios da psicologia clínica científica se encontram em fins do século XIX e o termo "psicologia clínica" foi usado pela primeira vez pelo americano Lightner Witmer (1867-1956), aluno de Wundt. Ele fundou a primeira clínica psicológica na Universidade de Pensilvânia (Estados Unidos), bem como o primeiro jornal especializado (The Psychological Clinic) em 1907. Witmer emprestou o termo "clínico" da medicina, mas não com o significado de "psicologia de medicina" e nem "a psicologia nas clínicas", mas o trabalho voltado para o caso individual. Assim, em sua Clínica Psicológica eram tratadas crianças com problemas escolares [1] . Apesar de ter cunhado o termo, a influência de Witmer para a atual psicologia clínica foi muito limitada. Taylor (2000)[4] identifica o início da pesquisa psicoterapêutica e psicopatológica na França com as obras de Ambroise-Auguste Liébault, Alfred Binet e Pierre Janet entre outros, que foram traduzidas para o inglês no fim do século XIX e influenciaram também os Estados Unidos. Também em 1907 foi publicado pela primeira vez o Journal of Abnormal Psychology, introduzindo assim esse novo termo. Vários psicólogos clínicos fundarem em 1917 a Associação Americana de Psicologia Clínica (American Association of Clinical Psychology) que em 1919 fundiu-se com a APA (American Psychological Association, Associação Psicológica Americana), da qual tornou-se a seção clínica[1] .

Também aluno de Wundt foi o psiquiatra Emil Kraeplin (1856-1926), que procurou transferir o método científico experimental para questões psiquiátricas, opondo-se à abordagem especulativa típica da psicopatologia de então e dando assim grande impulso à psicologia clínica. Um outro médico de língua alemã, o vienense Sigmund Freud, discípulo de Breuer, foi também de grande importância para o desenvolvimento da disciplina: seu trabalho gerou novas teorias psicológicas para os transtornos mentais, livrando a psicoterapia do monopólio médico. Apesar de também ele ser médico, formado nas técnicas das ciências naturais, Freud seguiu um caminho diferente do de Kraeplin, o de uma psicologia interpretativa. Esses dois médicos representam de certa forma as duas grandes correntes até hoje representadas na psicologia clínica: de um lado a psicologia clínica empírica, de outro uma psicologia de base mais hermenêutica[1] .

Ao lado da psicanálise e de outras escolas dela derivadas desenvolveram-se nos anos de 1940-1950 novas abordagens psicoterapêuticas que dariam à psicologia clínica de modo geral e à psicoterapia de modo particular uma nova face. Em 1942 Carl Rogers publicou seu livro Counseling and Psychotherapy que abriu o caminho da sua abordagem centrada na pessoa, também origem de várias escolas psicoterapêuticas; um pouco mais tarde, nos anos 50, surgiu sobre a base do behaviorismo a terapia comportamental[1] .

Estrutura da psicologia clínica[editar | editar código-fonte]

A psicologia clínica possui uma área de atuação muito vasta, de forma que parece conveniente tratar suas diferentes áreas em artigos específicos:

  • Psicodiagnóstico - uma introdução às técnicas para aquisição de informações psicológicas relevantes;
  • Ética em psicologia clínica - que oferece uma visão geral das questões éticas envolvendo o trabalho clínico em geral e clínico-psicológico em particular;
  • Psicologia da reabilitação - área específica da psicologia clínica que se dedica ao acompanhamento e reinserção da pessoa no seu cotidiano após um tratamento prolongado, quer de doença física, quer de transtorno mental.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e Perrez, Meinrad & Baumann, Urs (2005). Lehrbuch klinische Psychologie - Psychotherapie, 3. Aufl. Bern: Huber.
  2. Kring, Ann; Davison, Gerald C.; Neale, John M. & Johnson, Sheri (2006). Abnormal psychology, 10th ed. New York: Willey.
  3. Eysenk, Hans J. (Eds.) (1973). Handbook of Abnormal Psychology, 2nd ed. London: Pitman.
  4. Taylor, E. (2000). "Psychoterapeutics and the problematic origins of clinical psychology in America. American Psychologist, 55, 1029-1033.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Bastine, Reiner (1998). Klinische Psychologie, Band 1, 3. Aufl. Stuttgart: Kohlhammer.
  • Eysenk, Hans J. (Eds.) (1973). Handbook of Abnormal Psychology, 2nd ed. London: Pitman.
  • Kring, Ann; Davison, Gerald C.; Neale, John M. & Johnson, Sheri (2006). Abnormal psychology, 10th ed. New York: Willey. ISBN 0471692387
  • Perrez, Meinrad & Baumann, Urs (2005). Lehrbuch klinische Psychologie - Psychotherapie, 3. Aufl. Bern: Huber. ISBN 3-456-84241-4
  • Taylor, E. (2000). "Psychoterapeutics and the problematic origins of clinical psychology in America. American Psychologist, 55, 1029-1033.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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