Genética do comportamento

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Genética do comportamento é a aplicação da genética ao estudo do comportamento. A área de abrangência dessa "inter-disciplina" corresponde ao estudo dos fatores ou determinantes genéticos no comportamento humano e animal. Assim com à psicologia, na concepção de Ebbinghaus (1908), a genética do comportamento possui um longo passado e uma curta história. Sua origem nos remete à domesticação dos animais e à zootecnia das origens de nossa civilização na antiguidade oriental (o mundo dos egípcios, hebreus, gregos etc.)[1] .

Genética do comportamento apesar de ser aparentemente um tema relativamente novo e ainda pouco compreendido está atrelado às origens das disciplinas genética e psicologia. No primeiro caso enquanto desdobramento da teoria da evolução proposta por Charles Darwin (1809 - 1882) que inclusive propôs uma análise da descendência do homem onde aborda temas associados ao comportamento. Relacionando-se com a psicologia ainda são válidos, no âmbito da estatística os estudos de Francis Galton (1822 — 1911) e lamentável a sua utilização na eugenia especialmente por grupos racistas e nazistas.

Sobre a evolução do comportamento Lorenz, em 1958 [2] nos coloca a possibilidade de haver por trás de todas as variações do comportamento individual uma estrutura mais profunda de comportamento herdado que caracterize todos os membros de uma dada espécie ou grupo taxonômico maior - extamente do mesmo modo como o esqueleto de um ancestral primordial caracteriza a forma e a estrutura de todos os mamíferos de hoje, por exemplo. Nesse mesmo artigo ele demonstra que padrões motores inatos que distinguem espécies entre si podem ser duplicados pela hibridação, combinando traços ou suprimindo traços de um ou de outro dos progenitores.

Tal combinação de comportamentos também foi mostrada no comportamento dos periquitos [3] e é bem conhecida entre os criadores de cães que apontam a instabilidade e imprevisibilidade do comportamento como característica indesejável da misturas de raças caninas.

Ainda sobre a genética do comportamento Mota,[4] observa que além do comportamento animal que consta com observações que datam final do séc. XIX sobre a herdabilidade de características da excitação nervosa e expressão motora de camundongos conhecidos como valsadores (twirler) por Von Guaita 1898 e características bem conhecidas da sucessão de padrões de comportamento da abelha e comportamentos específicos de algumas linhagens existe considerável aplicação ao estudo do comportamento humano.

Genética dos distúrbios mentais[editar | editar código-fonte]

Excetuando-se as síndromes genéticas geralmente associadas à deficiência mental o referido autor (Mota, 1985) assinala que uma das melhores maneiras de avaliar o quanto uma característica tem de hereditária e de ambiental é estudá-la em gêmeos monozigóticos MZ e dizigóticos - DZ em situações de adoção. Utilizando esse método estudos apontam a presença de fatores hereditários na Coréia de Huntington com um risco empírico de 50% para filho ou filha de um afetado; Esquizofrenia com risco variáveis segundo graus de parentesco (25%, 50%) mesmo sem ambientes comuns; Epilepsia com forte concordância em gêmeos MZ e discordância em DZ para formas idiopáticas da doença e Psicose maníaco depressiva com menor conhecimento de causa face a diversidade de conceituação dos transtornos depressivos e suicídio associados à essa patologia.

Segundo Thompson & Thompson [5] o risco relativo à agregação familiar de uma doença pode ser medido comparando a freqüência da doença nos parentes do probando afetado com a freqüência (prevalência) na população em geral (ou seja uma razão de prevalências λr = % nos parentes do probando / % na população). Chamam atenção de que a agregação familiar pode ser explicada pelo fato de que membros de uma mesma família compartilham sua informação genética e estão expostos aos mesmos fatores ambientais e de que quanto mais comum a doença na população maior a probabilidade da agregação familiar e apresentam a seguinte tabela da Razão de Risco λ (Lambda r):

Doenças – Relação do Risco relativo λr em irmãos

  • Esquizofrenia = 12
  • Autismo = 150
  • Distúrbio maníaco depressivo (bipolar) = 7
  • Esclerose múltipla = 24

O valor 1 indica que o doente não é mais susceptível de desenvolver a doença do que qualquer indivíduo na população. Esse mesmos autores situam o Risco de recorrência de criança de pais esquizofrênicos (23%) como cerca de 3 vezes menor que de Crianças de pais com distúrbio bipolar (75%).

Um outro aspecto do espectro de fatores que contribuem para a síndrome de dependência de álcool e de outras drogas são características específicas do metabolismo dessa substancia pelo organismo. Cientistas descobriam que pessoas com uma variante rara de gene bebem em média 5% menos álcool. Foi identificado um gene que parece ter papel importante na regulação na quantidade de álcool que uma pessoa bebe. Foi feito um estudo com mais de 47.000 mil voluntários e descobriu-se que existem pessoas que possuem uma rara variante de gene chamada de AUTS2 bebem em média 5% menos álcool do que as com a variante mais comum. Este gene também é conhecido como candidato 2 de suscetibilidade do autismo. Em uma parte da pesquisa, depois de identificar o AUTS2, os cientistas analisaram o quanto o gene era ativo em amostras de tecidos do cérebro. Eles descobriram, então, que as pessoas com a variante do gene relacionado ao menor consumo de álcool tinham uma atividade maior no gene.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Loehlin, John C. History of Behavior Genetics in: YONG-KIU, KIM (Ed.) Handbook of behavior genetics. USA, Springer, 2009 no Google Livros
  2. Lorenz, Konrad Z. A evolução do comportamento, Scientific American. dez. 1958 in McGaugh J.L.; Weinberger, N.M.; Whalen, R.E. (org.) Sicientific American, Psicobiologia as bases biológicas do comportamento. SP, Polígono, 1970
  3. Dilger, W. C. O comportamento dos periquitos, Scientific American. Jan. 1962 in McGaugh J.L.; Weinberger, N.M.; Whalen, R.E. (org.) Sicientific American, Psicobiologia as bases biológicas do comportamento. SP, Polígono, 1970
  4. Mota, Paulo Armando. Genética e psicologia. RJ, Guanabara-Koogan, 1985
  5. Nusbaum, Robert ; et AL Thompson & Thompson Genética Médica. RJ, Elsevier, 2008