Galha

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Galhas, bugalhos, cecídios ou cecídias[1] são estruturas que se originam em determinado órgão de uma planta através de hipertrofia e hiperplasia (Anatomia vegetal) de tecidos, inibição do desenvolvimento ou modificação citológica e/ou histoquímica em resposta ao ataque de organismos indutores que podem ser vírus, bactérias, fungos, nematódios, ácaros ou insetos - parasitas, geralmente específicos à espécie (ou ao gênero ou família) da planta. São estruturas às vezes comparadas a tumores.

Galhadores são altamente específicos ao órgão e hospedeiro, ou seja, eles induzem galhas em apenas uma espécie ou um grupo muito pequeno de espécies de hospedeiros.

Galhadores[editar | editar código-fonte]

As galhas, que podem ser causadas por herbívoros como bactérias, vírus, fungos, protozoários, nematódios, ácaros ou insetos (Insetos galhadores), dependendo do órgão e da planta galhada, são interpretadas em sua maior parte como reação defensiva contra o galhador.

A alta especificidade dos galhadores aos seus hospedeiros reflete-se na morfologia da galhas, ou melhor, cada tipo de inseto galhador forma um morfotipo específico de galha. Por exemplo, insetos galhadores são extremamente sensíveis a pequenas diferenças na fisiologia, química, desenvolvimento e fenologia da planta hospedeira, o que os leva às vezes a discriminar até mesmo espécies muito pouco distintas.

A especificidade entre algumas espécies é tão forte que pesquisadores podem se beneficiar do conhecimento dos abundantes tipos de galha para separar plantas híbridas de parentais.

Galhas de Insetos[editar | editar código-fonte]

Galhas de insetos são estruturas patológicas originadas da neoformação de tecidos, como resultado de um estímulo químico e/ou mecânico do inseto. Durante o desenvolvimento da galha, modificações estruturais ocorrem com formação de tecidos cecidogênicos, que geralmente incluem os nutritivos que alcançam a câmara larval, cujas células mostram características de alta atividade metabólica que permitem a nutrição do parasita.

As galhas de insetos se desenvolvem após indução por larvas ou adultos, que realizam a postura de ovos ou se alimentam do vegetal, injetando substâncias e ainda realizando alterações mecânicas.

Galhas de insetos são estruturas simétricas, considerados órgãos vegetais neoformados que possuem características e funções típicas. Os tecidos das galhas apresentam um gradiente funcional que está relacionado com o hábito alimentar do inseto galhador.

Pela indução de galhas, os insetos são responsáveis por revelar novas potencialidades morfogenéticas da planta hospedeira, que inicialmente são dirigidas contra eles, mas que o inseto então usa para obtenção de comida e abrigo.

Ecologia[editar | editar código-fonte]

A escolha do local da indução de galhas requer extrema especialização do herbívoro. A galha é uma estrutura séssil e na maioria dos casos pode persistir por um tempo considerável, até que a progene do indutor saia dela.

Então, a viabilidade destes descendentes é influenciada pela possibilidade da proteção pela galha de fatores abióticos, predação, parasitismo, patógenos e resistência da planta.

Alguns botânicos observaram que as espécies (ou às vezes gêneros) de plantas e as espécies de galhadores possuem uma íntima relação evolutiva, e, em algumas destas relações, após haver alterações cecidogênicas, as substâncias (metabólitos secundários) e a estrutura da galha favorecem o galhador. Isto ocorre devido ao afastamento dos predadores dos galhadores ou dos herbívoros competidores destes galhadores. Não há, porém, benefício às plantas na maioria dos casos, ou seja, o mutualismo na galha geralmente não é observado.

Anatomia[editar | editar código-fonte]

A alteração anatômica observada pode apresentar desde apenas a lignificação de alguns tecidos até mesmo o crescimento e formação de novos tecidos (hipertrofia e hiperplasia), inexistentes nos órgãos sadios.

Filogenia de galhas[editar | editar código-fonte]

Existem estudos de grupos taxonômicos de plantas galhadas que permitem averiguar a co-evolução entre galhadores e plantas galhadas, demonstrando íntima associação entre estes, às vezes até mesmo entre subespécies de plantas. Estes estudos são feitos através dos cladogramas elaborados do grupo de galhadores e do grupo de vegetais, que são comparados, e às vezes é detectada uma correlação muito íntima entre ambos os cladogramas.

A anatomia e histoquímica da galha pode ser um caráter ecológico-morfológico para construção de hipóteses de filogenias, porém deve-se, como precaução, utilizar, como prevê a Sistemática Cladística, o maior número de caracteres úteis, já que pode haver casos em que a galha não indicará informação correta ou útil, pois existem os fenômenos de convergência evolutiva, que teoricamente poderiam ocorrer para quaisquer tipos de caracteres.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Gall. Infoplease encyclopedia. Página visitada em Março de 2006.
  • Common oak gall. University of Kentucky Entomology. Página visitada em 11 de Setembro de 2006.
  • Gall. Wikipedia. Página visitada em 15 de Agosto de 2007.

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • Gonçalves, S.J.M.R.; Isaias, R.M.S.; Vale, F.H.A.; Fernandes, G.W. Sexual dimorphism of Pseudotectiococcus rolliniae Hogson & Gonçalves 2004 (Hemiptera Coccoidea Eriococcidae) influences gall morphology on Rollinia laurifolia Schltdl. (Annonaceae). Tropical Zoology 18: 161-169, 2005. csa.com
  • Oliveira, D.C.; Isaias, R.M. Redifferentiation of leaflet tissues during midrib gall development in Copaifera langsdorffii (Fabaceae). South African Journal of Botany, 2009.
  • Oliveira, D.C.; Christiano, J.C.S.; Soares, G.L.G.; Isaias, R.M.S. Reações de defesas químicas e estruturais de Lonchocarpus muehlbergianus Hassl. (Fabaceae) à ação do galhador Euphalerus ostreoides Crawf. (Hemiptera: Psyllidae). Rev. bras. Bot. vol.29 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2006. SciELO Brasil
  • Kraus, J.E.; Isaias, R.M.S.; Vecchi, C.; Fernandes, G.W. Structure of insect galls on two sympatric subspecies of Chrysothamnus nauseosus (Pall ex. Pursh) Britton (Asteraceae). Boletim de Botânica da Universidade de São Paulo, São Paulo, v. 21, n. 3, p. 1-13, 2003.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. [1]