Guerras croato-búlgaras

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Guerras croato-búlgaras
Data 8541000
Local Reino da Croácia
Desfecho Inconclusivo
Mudanças
territoriais
Diversas mudanças territoriais, especialmente no vale entre os rios Bosna e Drina
Combatentes
Primeiro Império Búlgaro Império Búlgaro Croácia Dálmata Croácia Dálmata
Reino da Croácia (medieval) Reino da Croácia
Principais líderes
Primeiro Império Búlgaro Bóris I
Primeiro Império Búlgaro Duque Alogobotur
Primeiro Império Búlgaro Samuel
Croácia Dálmata Trepimiro
Reino da Croácia (medieval) Tomislau
Reino da Croácia (medieval) Svetoslav Suronja

As Guerras croato-búlgaras foram uma série de conflitos que irromperam por três vezes durante os séculos IX e X entre os reinos medievais da Croácia e da Bulgária. Neste período, a Croácia se aliou com a Frância Oriental e com o Império Bizantino contra o Império Búlgaro.

Primeira guerra (854)[editar | editar código-fonte]

Em meados do século IX, a Bulgária era a principal potência no norte, centro e leste dos Balcãs. Em 854, o tsar Bóris I firmou uma aliança com o príncipe da Grande Morávia Rastislau contra Luís, o Germânico, da Frância Oriental. O duque Trepimiro da Croácia Dálmata, um leal vassalo dos francos, ficou preocupado com a expansão búlgara, principalmente depois que ela alcançou a fronteira croata depois da campanha contra a Ráscia. Acredita-se que os búlgaros tenham invadido a Croácia por volta de 854[1] , mas existe também a possibilidade de que o rei Luís tenha subornado Trepimiro para que ele atacasse primeiro[2] . Durante a guerra de 854, houve apenas uma grande batalha, travada na região nordeste da moderna Bósnia e Herzegovina e o resultado foi inconclusivo. Logo depois, começaram as negociações de paz entre Bóris e Trepimiro que resultaram numa troca de presentes e na assinatura de um tratado de paz. A fronteira foi determinada como sendo no rio Drina (atualmente também a fronteira entre a Bósnia e a República da Sérvia).

Segunda guerra (926)[editar | editar código-fonte]

Uma longa e árdua guerra foi travada entre o tsar Simeão I, que queria tomar para si o trono bizantino, e o imperador Romano I Lecapeno. Sob forte pressão búlgara e colecionando derrota após derrota, o Império Bizantino negociou com a Sérvia e a Croácia numa tentativa de forjar uma aliança contra o Império da Bulgária. Ao saber dos planos através do príncipe Miguel da Zaclúmia, que fora expulso pelos sérvios quando eles tomaram suas terras, Simeão invadiu e anexou a Sérvia em 924. O monarca Zaharija Pribislavljević buscou refúgio na corte croata do rei Tomislau, que receberia, logo depois, o enorme influxo de refugiados sérvios tentando escapar da destruição provocada pelos búlgaros. Numa tentativa de atrair os croatas para a luta, Romano I ofereceu aos croatas os rendimentos da província da Dalmácia por volta de 925[3] . A Dalmácia, incluindo a maior parte das cidades e das ilhas setentrionais, passou a ser governada por Tomislau. Os sérvios da Zaclúmia, aliados com a Croácia e com o príncipe Miguel, tornaram-se vassalos de Tomislau em algum momento antes de 926. Como resposta, o tsar Simeão enviou o duque Alogobotur para expulsar os refugiados sérvios para a Croácia, o que provocou uma guerra por volta de 926.

O clímax do conflito foi a Batalha do Planalto Bósnio em 926, quando forças croatas comandadas pelo rei Tomislau derrotaram completamente os búlgaros comandados por Alogobotur, eliminando a maior parte dos soldados búlgaros. A vitória croata foi tão decisiva e a batalha, tão grande, que as fontes contemporâneas exageraram enormemente o exército croata, citando números de até 160 000 soldados, e o búlgaro, com um número um pouco maior[4] . Esta foi a única batalha que o tsar Simeão foi derrotado. Como ambos os monarcas mantinham uma boa relação com o papa João X, o papa conseguiu negociar a paz com base no status quo. Embora a fronteira oriental tenha se estendido até o rio Bosna, o reino croata se fortaleceu muito militarmente e conquistou importantes recursos naturais: ela emergiu como um dos mais modernos reinos do período e chegou até mesmo a criar uma modesta marinha. No mesmo dia da batalha, Simeão morreu em Preslav e seu sucessor, Pedro I da Bulgária, teve que enfrentar a revolta de seus irmãos Miguel (Michail) e João (Ivan). Os sérvios aproveitaram-se da situação e, já em 931, muitos haviam retornado para casa no renovado reino sérvio, encerrando assim a efêmera fronteira oriental búlgaro-croata.

Terceira guerra (997)[editar | editar código-fonte]

Na segunda metade do século X, o Reino da Croácia era governado por Estêvão Držislav, que, em troca de ser reconhecido como rei em seus domínios, firmou uma aliança com o Império Bizantino[5] . Depois de sua morte, em 997, seu filho, Svetoslav Suronja, continuou a política pró-Bizâncio do pai. Seus irmãos, Krešimir III e Gojslav, não queriam Svetoslav como monarca e tentaram depô-lo, pedindo ajuda do tsar Samuel da Bulgária. Respondendo ao pedido, Samuel atacou em 998 e arrasou as cidades dálmatas de Trogir e Split, mas acabou sendo interrompido no cerco de Zadar. Logo em seguida, as forças búlgaras retornaram para casa[6] utilizando uma rota pela Bósnia. O território tomado por Samuel foi entregue a Krešimir III e Gojslav, que, ainda contando com a ajuda búlgara, venceram a guerra civil croata e tomaram o reino croata em 1000. Svetoslav, aliado dos bizantinos e dos venezianos, foi exilado em Veneza, mas, depois de uma mudança no governo da cidade, acabou exilado para Hungria. Depois da morte de João Vladislau em 1018, a Bulgária caiu frente às forças do imperador Basílio II e Krešimir III e Gojslav, os dois reis croatas, tornaram-se vassalos bizantinos.

Referências

  1. De Administrando Imperio
  2. К. Грот, Известия о сербах и хорватах, стр. 125—127
  3. "Tempore Joannis pape sanctissimo consulatu peragente in provincia Croatorum et Dalmatiarum finibus Tamisclao rege et Michael in suis finibus presidente duce" [carece de fontes?]
  4. De Administrando Imperio, 948, Constantino VII Porfirogênito
  5. Recipiebant enim regie dignitatis insignia ab imperatoribus Constantinopolitanis et dicebantur eorum eparchi siue patritii
  6. Crônica do Padre de Dóclea