Grande Morávia
A Grande Morávia (em eslovaco Veľká Morava, em checo Velká Morava, em latim Magna Moravia) foi um reino eslavo que de 833 até início do século X compreendeu os atuais territórios correspondentes às atuais República Checa (Morávia), Eslováquia e noroeste da Hungria. O primeiro uso do termo "Grande Morávia" remonta à obra de Constantino VII De Administrando Imperio (escrito por volta de 950). O termo "Morávia" não diz respeito apenas à região correspondente a atual Morávia mas também aos territórios ao redor do rio Morava e de sua capital chamada Morava.
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Desenvolvimento [editar]
Origens [editar]
Um dos predecessores da Grande Morávia foi provavelmente o reino de Samo, surgido por volta de 623–658 na Morávia, Eslováquia, Baixa Áustria e provavelmente na Boémia e Sorábia, próximo ao rio Elba, que não era um reino instituído mas uma confederação de povos. A história da região entre 659 e o final do século VIII é em grande parte desconhecida.
As primeiras estruturas políticas da Grande Morávia surgiram após as missões de padres irlandeses à região na primeira metade do século VIII d.C. Em 789, Carlos Magno, rei dos francos, enviou o arcebispo de Salzburg à Morávia para que ele avaliasse a situação dos povos eslavos. Além da conversão, os clérigos francos tinha como objetivo fortalecer a autoridade da Igreja e do império franco entre os eslavos. Em 828, os francos fundaram a primeira igreja em Nitra. Nessa época, o principado era governado por Pribina (?-861). Após o Tratado de Verdun em 843, o rei Luís o Germânico (804-876) herdou a França Oriental e decidiu expandir sua autoridade ao leste. Os francos jogaram os líderes eslavos uns contra os outros e garantiram a supremacia na região. Em 833, Mojmir da Morava derrubou Pribina, príncipe de Nitra, e unificou a Grande Morávia, fundando um Império. Mojmir I governou o Império da Grande Morávia de 833 a 846 d.C.
Auge [editar]
Durante a maior parte de sua curta história, o reino da Grande Morávia foi um estado vassalo do reino franco. O reinado de Mojmir I foi turbulento, tendo o poder central enfrentado a rebeldia de principados menores e a insubordinação dos nobres. Em 846, o rei Luís o Germânico aproveitou-se da debilidade institucional do governo de Mojmir I, e substitui o rei por um fantoche dos francos, o sobrinho de Mojmir, Ratislav de Nitra. Durante o reinado de Ratislav (846-870), as colinas de Slanské foram incorporadas ao Império, o que precipitou conflitos contra o reino da Bulgária e os francos. Entre 853 e 854, Ratislav apoiou um opositor de Luís o Germânico durante um conflito interno do reino franco, o que levou este último a invadir a Grande Morávia em 855. A guerra franco-morávia (855-859) encerrou-se com um tratado de paz favorável ao monarca eslavo.
Ratislav também tentou adquirir autonomia eclesiástica em relação às dioceses francas. Em 862, ele pediu ao imperador Miguel III de Bizâncio que enviasse missionários e um bispo à Grande Morávia, o que foi realizado em 863, com a chegada de Cirilo e Metodo ao país. Em 864, os búlgaros e francos aliaram-se para submeter o império eslavo e Ratislav aceitou a suserania de Luís o Germânico. Os francos temiam que o Império da Grande Morávia adquirisse autonomia demais, ameaçando a existência de seus vizinhos. Em 870, após uma nova invasão franca, o príncipe pró-germânicos Svatopluk I derrubou Ratislav e ascendeu ao trono. O governo de Svatopluk (870-894) foi marcado por crescente ingerência franca e por novas conquistas territoriais. Em 871, embora tivesse derrubado Ratislav em nome dos francos, Svatopluk foi aprisionado por estes e obrigado a lutar a seu lado contra Slavomir da Morava, um dos últimos líderes contrários ao domínio franco. No entanto, Svatopluk uniu-se a Slavomir durante a batalha e derrotou os francos, matando Engelschalk e Wilhelm, dois governadores francos enviados pelos reis germânicos. Svatopluk derrotou os francos novamente em 872, obrigando seus inimigos a aceitarem um tratado de paz em 874, a Paz de Forchheim.
Até 882, período em que vigorou a Paz de Forchheim, Svatopluk conquistou partes da atual Polônia e da República Tcheca. Entre 882 e 892, Svatopluk I defendeu o Império da Grande Morávia de ataques recorrentes por parte dos príncipes locais e dos reis francos, entre eles Arnulfo da Caríntia. Para derrotar Svatopluk, Arnulfo da Caríntia estabeleceu alianças com os búlgaros e os magiares. Em 894, Svatopluk morreu e o reino da Grande Morávia continuou a se enfraquecer diante das investidas inimigas.
Queda [editar]
Os principados do reino de Svatopluk I foram divididos entre seus três filhos, tendo Mojmir II sucedido o pai como imperador da Grande Morávia (894-907). O reinado de Mojmir foi marcado por conflitos contra francos e magiares, tendo estes últimos se apoderado do território da Grande Morávia em 907, após o assassinato do imperador em combate.
Território [editar]
Linha amarela: fronteras atuais
Linha azul: rios
Pontos vermelhos: principais castelos e fortes/principais colônias
1: de 833 à 907: Principado da Morávia
2: de 833 à 907: Principado de Nitra
3: Parte do Principado de Nitra antes de 833
4: Parte do Principado de Nitra de 833 à (?)896
5: Parte do Principado da Morávia de 853/854 à (?)907
6: Parte do Principado de Nitra de 858 à (?)894
7: Parte do Principado de Nitra
8: Parte do Principado de Nitra
9: Parte do Principado de Nitra do reino de Rastislav (846-870) ou de Svätopluk I (871-894) até 896
10: Parte do Principado de Nitra
11: País dos Vístulanos de 874 à (?) 907
12: Parte do País dos Vístulanos
13: Silésia de 880 à ?
14: Parte da Silésia de 890 à 897
15: Lusácia de 890 à 897
16: Parte da Lusácia
17: Parte da Lusácia
18: Parte da Lusácia
19: Boêmia de 888/890 à 894
20: Principado de Balaton de 883 à 894
21: Parte do Principado de Balaton
22: Parte do Principado de Balaton
23: Transeteíssia de 881/882 à 896
24: Parte da Transeteíssia
25: do reino de Svätopluk (871-894) à (?) 896
26: do reino de Svätopluk (871-894) à ?
27: Parte da Transeteíssia