Hipergamia

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A hipergamia (também referida como relacionamento de conveniência) é o ato ou prática de buscar um parceiro ou cônjuge de maior condição socioeconômica, ou casta e classe social do que a sua própria[1] . A prática é conhecida pejorativamente no português brasileiro como golpe do baú.

O termo é normalmente usado mais especificamente em referência a uma tendência observada entre culturas humanas onde mulheres procuram ou são encorajadas a procurar por pretendentes do sexo masculino que possuam status social mais elevado que os seus, o que normalmente se manifesta em uma atração por indivíduos comparativamente mais velhos, ricos ou mais privilegiados do que elas mesmas.[2] Comportamentos hipergâmicos podem ser explicados em termos de necessidade econômica genética, em que sociedades com altos níveis de desigualdade de gênero são mais propensas a terem mulheres que se "relacionam por conveniência" pelo benefício das suas crianças, e mais prováveis de terem homens que fazem o contrário para assegurar que suas parceiras tenham um maior incentivo para permanecer fiéis.[3]

A palavra "hipogamia"[4] se refere tipicamente a situações em que o inverso ocorre: relacionar-se com uma pessoa de classe social ou status inferior.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Alguns psicólogos evolucionários acreditam que as mulheres exibem preferências na escolha de parceiros que são pelo menos iguais em termos de atração física, nível educacional, emprego, situação social, e acumulação de capital. Em comparação, homens tenderiam a enfatizar em uma mulher apenas o valor da atração física.[5] [6]

Em uma antologia sobre dinheiro e relacionamentos com opiniões de várias escritoras, as autoras expressaram que o papel que o dinheiro tem em determinar como as mulheres escolhem relacionamentos de longo prazo com seus parceiros é um assunto considerado tabu.[7]

Variações[editar | editar código-fonte]

Um estudo particular não encontrou diferenças estatísticas no número de mulheres ou homens tendo "relacionamentos de conveniência" em uma amostra de 1109 cônjuges que se casaram pela primeira vez nos Estados Unidos.[8]

Para cidadãos da Índia rural, a hipergamia é uma oportunidade de se modernizar. Casamentos na Índia rural são exemplos crescentes de hipergamia[9] . Fazendeiros e outros trabalhadores rurais querem que suas filhas tenham acesso à vida na cidade, já que com ligações urbanas é obtido acesso à internet, melhores oportunidades de emprego, e maiores círculos sociais[10] . Uma ligação numa área urbana cria um horizonte amplo para a família da noiva, e jovens crianças na família podem ser enviadas para viver com o casal na cidade para uma melhor educação. A hipergamia tem um custo, porém: o dote, que normalmente tem o valor igual ou maior do que o de uma casa[11] . O alto preço que precisa ser imposto aos pais enquanto casam uma filha tem levado a um aumento nos números de feticídios femininos[12] [13] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. http://www.merriam-webster.com/dictionary/hypergamy
  2. http://depts.washington.edu/crfam/WorkingPapers/CRF%202004-01_Rose.pdf
  3. Gilles Saint-Paul (May 2008), Genes, Legitimacy and Hypergamy: Another Look at the Economics of Marriage, CEPR Discussion Paper No. DP6828, University of Toulouse I - GREMAQ-IDEI; Centre for Economic Policy Research (CEPR), http://idei.fr/doc/wp/2008/genes.pdf 
  4. não deve ser confundida com o termo botânico hypogamous.
  5. Buss, D.M.; Barnes, M. (1986), "Preferences in human mate selection", Journal of Personality and Social Psychology 50 (3): 559–570, doi:10.1037/0022-3514.50.3.559, http://www.landofangels.de/py1/buss-barnes-1986.pdf 
  6. Bereczkei, T.; Voros, S.; Gal, A.; Bernath, L. (1997), "Resources, attractiveness, family commitment; reproductive decisions in human mate choice", Ethology 103 (8): 681–699, doi:10.1111/j.1439-0310.1997.tb00178.x, PMID 12293453, http://www.popline.org/docs/1239/131493.html  [ligação inativa]
  7. Sachs, Andrea. "The Truth About Women, Money and Relationships", Time Magazine, Jan. 07, 2009. Página visitada em 2009-07-24.
  8. Dalmia & Sicilian; Sicilian, Paul (Volume 14, Number 4 / November, 2008), "Kids Cause Specialization: Evidence for Becker’s Household Division of Labor Hypothesis", International Advances in Economic Research (International Advances in Economic Research) 14: 448, doi:10.1007/s11294-008-9171-x. 
  9. Caldwell, J.C. P.H. Reddy, Pat Caldwell. “The Causes of Marriage Change in South India.” Population Studies, Vol. 37, No. 3 (Nov., 1983), pp. 343-361. Print.
  10. Barber, Jennifer. “Community Social Context and Individualistic Attitudes toward Marriage.” Social Psychology Quarterly, Vol. 67, No. 3 (Sep., 2004), pp. 236-256. Print.
  11. Thornton, Arland. Dirgha J. Ghimire, William G. Axinn, Scott T. Yabiku. “Social Change, Premarital Nonfamily Experience, and Spouse Choice in an Arranged Marriage Society” American Journal of Sociology, Volume 111 Number 4 (January 2006): 1181–1218. Print.
  12. Srivinsan, Padma. Gary R. Lee. “The Dowry System in Northern India: Women's Attitudes and Social Change.” Journal of Marriage and Family, Vol. 66, No. 5, Special Issue: InternationalPerspectives on Families and Social Change (Dec., 2004), pp. 1108-1117. Print.
  13. Terra (8 de Março de 2006). Feticídio feminino dizima população de mulheres na Índia.