Esther Vilar

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Esther Margareta Katzen, mais conhecida como Esther Vilar (16 de Setembro de 1935Buenos Aires, Argentina) é uma escritora argentino-alemã. É mais conhecida pelo seu livro de 1971, O Homem Domado, e suas continuações, que argumentam, ao contrário da retórica feminista e dos direitos femininos, que as mulheres em culturas industrializadas não são oprimidas, e que ao invés disso exploram um sistema bem estabelecido de manipulação dos homens.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Os pais de Esther eram judeus imigrantes da Alemanha. Ambos se separaram quando ela tinha 3 anos.

Ao terminar os estudos de medicina na Universidade de Buenos Aires, obteve uma bolsa e foi para a Alemanha Ocidental em 1960, tendo se especializado em psicologia e sociologia, e trabalhado como assistente-médica num hospital alemão por um ano. Antes de se estabelecer como autora, também exerceu as profissões de tradutora, vendedora, operária em uma fábrica de termômetros, modelo de calçados e secretária.

Esther se casou em 1961 com o autor alemão Klaus Wagn[1] por dois anos e teve um filho chamado Martin, em 1964. Posteriormente o casamento terminou em divórcio, porém ela alegou: "Eu não terminei com o homem, apenas com o casamento como instituição".[2]

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

O Homem Domado (1971)[editar | editar código-fonte]

Um dos livros de Esther Vilar é chamado de O Homem Domado (Der Dressierte Mann no título original em alemão). Nele, ela alega que as mulheres não são oprimidas pelos homens, mas os controlam em um relacionamento que é vantajoso à elas mas no qual a maioria dos homens não tomam ciência.

Algumas das estratégias descritas no livro são:

  • Atrair homens com sexo, usando estratégias de sedução.
  • Usar o elogio para controlar homens administrando-o com cuidado.
  • Usar chantagem emocional como meio de controlar os homens.
  • Uso de amor e romance como um pretexto para disfarçar suas intenções e motivos reais.

O Homem Domado se tornou bastante popular na época de seu lançamento, em parte devido à considerável cobertura da imprensa que obteve.[3]

Esther Vilar também apareceu no programa The Tonight Show em 21 de Fevereiro de 1973 para discutir o livro. Em 1975 ela foi convidada para um debate televisivo[4] pela WDR com Alice Schwarzer, que ficou conhecida como representante do movimento feminista na época. O debate foi controverso, em particular devido à alta agressividade, e em dado momento Alice alegou que Esther era:[5] "Não apenas sexista, mas fascista", também comparando seu livro com o semanário nazista "Der Stürmer".[6]

Segundo a autora, as controvérsias em torno do livro teriam levado a mesma a receber ameaças de morte. Comparando-se à experiência de Salman Rushdie, ela relatou ter recebido décadas de desprezo:

Eu não imaginei o quanto me encontraria isolada após escrever este livro. Nem previ as consequências que teria para os meus subsequentes trabalhos e mesmo para minha vida privada - ameaças violentas ainda não cessaram até este momento.[7]

Outros[editar | editar código-fonte]

A peça de Esther, Speer, (1998) é um trabalho de ficção biográfico, sobre o arquiteto alemão, e tem sido apresentada em Berlim e Londres, dirigida e estrelada por Klaus Maria Brandauer. Esther também escreveu outros livros e peças, mas a maioria não foi traduzida nem mesmo para o idioma inglês.

Trabalhos selecionados[editar | editar código-fonte]

  • Vilar, Esther. The Manipulated Man. [S.l.]: Pinter & Martin, 1998. ISBN 0-9530964-2-4
  • Vilar, Esther. The Polygamous Sex: A man's right to the other woman. [S.l.]: W. H. Allen, 1976. ISBN 0-491-01737-5
  • Vilar, Esther. Speer. [S.l.]: Transit, 1998. ISBN 3-88747-128-8 (play)
  • Vilar, Esther. El discurso inaugural de la papisa americana: The inaugural address of the American papess. [S.l.]: Lectorum, 1982. ISBN 84-02-09008-7
  • Vilar, Esther. Alt. [S.l.]: Herbig Verlagsbuchhandlung, 1980. ISBN ?
  • Vilar, Esther. De gedresseerde man. [S.l.]: Tritonpers, 1971. ISBN 90 6057 032 4
  • Vilar, Esther. Het polygame geslacht. [S.l.]: De Centaur, 1975. ISBN 90 6057 023 5
  • Vilar, Esther. Het einde van de dressuur. [S.l.]: De Centaur, 1977. ISBN 90 6057 224 6
  • Vilar, Esther. Oud. [S.l.]: De Centaur, 1980. ISBN 90 6057 168 1

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Wünsch dir was (em alemão) Der Spiegel, 27 de Dezembro de 1971. Acessado em 20 de Dezembro de 2011.
  2. Author Esther Vilar Lashes Out At Women (em inglês) Star-Banner, 14 de Junho de 1972. Acessado em 20 de Dezembro de 2011.
  3. E. Vilar, "Der dressierte Mann", rádio-entrevista (em alemão) ARD, 7 de Novembro de 1971. Acessado em 19 de Dezembro de 2011.
  4. Trechos do debate podem ser vistos no documentário sobre Alice Schwarzer, disponível na coletânea de 12 DVDs "Deutschland - Lenker und Gestalter" lançada na Alemanha, e em uma entrevista recente de Alice que foi ao ar em 27 de Setembro de 2011, disponível no site da ARD. O debate na íntegra, contendo 42 minutos, pode ser obtido diretamente da WDR em DVD aqui.
  5. Im Clinch (em alemão) Der Spiegel, 10 de Fevereiro de 1975. Acessado em 20 de Dezembro de 2011.
  6. Frau gegen Frau (em alemão) Die Zeit, 16 de Junho de 2005. Acessado em 20 de Dezembro de 2011.
  7. Esther Vilar, O Homem Domado, edição revisada, Agosto de 1998

Ligações externas[editar | editar código-fonte]