Ilha Robben

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Pix.gif Ilha Robben *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

SafrikaIMG 8414.JPG
Entrada para a prisão
País África do Sul
Critérios C (iii) (vi)
Referência 916
Coordenadas 33º 48' S 18º 22' E
33º48'S 18º22'E
Histórico de inscrição
Inscrição 1999  (23ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
Celas
Pátio da prisão
Pedreira

A ilha Robben, onde Nelson Mandela – o primeiro presidente da África do Sul eleito por sufrágio universal em 1994 – e seus companheiros estiveram encarcerados durante mais de duas décadas, foi inscrita pela UNESCO na lista dos lugares que são considerados Património da Humanidade em 1999.

Localizada à entrada da baía da Mesa, a 11 km da Cidade do Cabo, esta ilha, com 5,4 km de comprimento e 2,5 km de largura máxima, foi “descoberta” por Bartolomeu Dias em 1488 e, durante muitos anos, foi utilizada por navegadores portugueses, mais tarde por ingleses e holandeses como posto de reabastecimento. O seu nome actual significa “ilha das focas”, em neerlandês.

Para além de ser um museu que retrata uma parte da história da África do Sul, principalmente no que refere à luta contra o apartheid, a Ilha Robben é igualmente um santuário natural para muitas espécies, tanto marinhas, como terrestres.

Breve história[editar | editar código-fonte]

Após a descoberta da ilha pelos portugueses e já era usada pelos restantes marinheiros europeus, em 1591, um grupo de khoikhoi, cansados das práticas comerciais desleais dos mesmos, atacou a ilha Robben mas, como não tinham nada que superassem as armas de fogo dos europeus, foram derrotados e deixados na ilha sem comida, nem água. Estes foram os primeiros prisioneiros da ilha.

Em 1652, Jan van Riebeeck, da Companhia Holandesa das Índias Orientais, promoveu a colonização da ilha. Colonos holandeses começaram a construir, a caçar focas como fonte de carne e a comerciar com os nativos do continente. O primeiro prisioneiro político registado na ilha foi Autshumato em 1658, que foi acusado de “roubar” gado que o seu povo considerava tinha sido injustamente confiscado pelos Europeus.

Em 1795, o Império Britânico, invejoso dos lucros que os holandeses estavam tendo na seu comércio entre a Europa e a Índia, declararam que a extremidade sul da África era sua propriedade e atacaram a ilha com navios de guerra, terminando 150 anos de dominação holandesa. Os britânicos decidiram também usar a ilha Robben apenas como prisão, para onde enviaram criminosos, tais como, desertores, assassinos, ladrões e prisioneiros políticos. O século XIX, na África do Sul, foi uma época de conflito entre os xhosa e os ingleses pelo controlo da terra, uma guerra que ficou conhecida como a Guerra dos Cem Anos, incluindo muitas batalhas chamadas as “Batalhas do Desconhecido” (“Frontier Battles”, em inglês), durante as quais muitos Xhosa foram presos na Ilha.

Com o tempo, a ilha tornou-se igualmente um “hospital” para doentes mentais, leprosos, “sem-abrigos”, prostitutas com doenças de transmissão sexual, alcoólicos e mesmo pessoas idosas ou doentes que não podiam trabalhar e eram classificadas como “lunáticos”. Todos eram alojados nas mesmas condições dos prisioneiros: não recebiam qualquer tratamento médico e eram sujeitos a violência, estupro e tortura. Em 1892, os leprosos organizaram um protesto contra as autoridades britânicas: Franz Jacobs, o líder da rebelião, escreveu à rainha da Inglaterra exigindo melhores condições na ilha. Em reposta, as autoridades mandaram tropas para esmagar a rebelião e conseguiram-no, quando Jacobs foi forçado a admitir que estava errado. No entanto, as condições aparentemente melhoraram para os leprosos e eles passaram a poder receber visitas, correio e os próprios edifícios foram renovados.

Em 1930, a ilha Robben passou a ser uma base militar: os leprosos foram mandados para hospitais e a maioria dos edifícios foram queimados para eliminar a chance duma epidemia; o sistema de água foi melhorado, foram construídos edifícios modernos e a ilha passou inclusivamente a ser uma oficina de desenvolvimento de armas modernas. Mas a sua importância como prisão continuou e, em 1961, quando o Partido Nacional tomou o poder e implementou as leis do apartheid, a ilha Robben voltou a ser usada para prisioneiros politicos.

As condições da prisão tornaram-se piores que nunca: 60 prisioneiros numa cela feita para 20, eram acordados todos os dias às 5h30 da manhã, forçados a atravessar o pátio nus, e revistados, mesmo nas cavidades do corpo. Eram obrigados a comer agachados e os guardas tinham ordens para bater em qualquer um que tentasse sentar-se. Durante o dia, os presos tinham trabalhos forçados, movendo um monte de pedras dum local para outro. Eram comuns as mortes por fome e por espancamento.

A ilha Robben foi assim uma prisão de máxima segurança para prisioneiros políticos até à libertação de Nelson Mandela, em 1990 e, nessa altura, com a libertação de todos os opositores do apartheid, a ilha pasou a ser usada como uma prisão comum, até 1996, quando a prisão foi fechada. Em 1997, a ilha foi declarada um monumento nacional, foi organizado o museu e, finalmente, em 1999, a ilha Robben tornou-se oficialmente parte do Património da Humanidade.

Santuário da natureza[editar | editar código-fonte]

Apesar de exposta aos fortes ventos do sul, a ilha Robben é um santuário da natureza – e a parte norte da ilha é oficialmente um santuário para aves, com cerca de 132 espécies, algumas das quais em risco de extinção. O Pinguim-africano, que já esteve ameaçado, neste momento reproduz-se em grandes números na ilha.

No que respeita a outros tipos de animais, existem na ilha 23 espécies de mamíferos, avestruzes e vários tipos de lagartos, cobras e tartarugas. Do ponto de vista da fauna marinha, as águas à volta da ilha são ricas em focas, baleias e golfinhos.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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