Joe Sacco

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Joe Sacco nasceu em Malta em 1960, atualmente reside em Seattle (Estados Unidos) e é reconhecido mundialmente pela combinação de suas duas profissões: artista de quadrinhos e jornalista. Suas obras mais conhecidas são Palestina: Uma nação ocupada e a segunda parte, Palestina: Na faixa de gaza e Área de Segurança: Gorazde, publicadas no Brasil pela Conrad Editora.

Pelo seu característico estilo entre comics (história em quadrinhos) e jornalismo, Sacco recebeu importantes prémios nas duas áreas em que atua até ser comparado a Art Spiegelman, autor de Maus: relato de um sobrevivente que retratava a história de como seus pais sobreviveram ao Holocausto, foi o primeiro cómic a receber um Prémio Pulitzer de jornalismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Joe Sacco nasceu em Malta em 1960, mas passou grande parte de sua infância na Austrália e a adolescência nos Estados Unidos. Em 1981 se graduou em jornalismo pela Universidade do Oregón, e dois anos depois voltou para Malta, onde publicou seus primeiros desenhos. Posteriormente se estabeleceu em Portland (EUA), onde co-editava e co-publicava uma revista mensal de desenhos em quadrinhos. Em 1986 se mudou para Los Angeles, onde começou sua colaboração para a Editora Fantagraphics Books.

A partir de 1988 se dedicou a viajar pelo mundo, e logo publicou seu primeiro livro de quadrinhos, Yahoo, que abordava diversos temas. Desde 1993 até 1995 trabalhou no livro Palestina, onde passou para o papel suas próprias experiências em territórios ocupados na Palestina. Em 1996, Sacco recebeu um grande prestígio pelo livro publicado e foi premiado com o American Book Awards. Em 2000 publicou outra obra prima Área de Segurança: Gorazde, sobre a guerra civil na Bósnia Oriental, e foi premiado pela Fundação Guggenheim. Em 2003, continuando o trabalho anterior publicou O Mediador novamente centrado no conflito da antiga Iugoslávia.

Palestina[editar | editar código-fonte]

A zona que corresponde à antiga Palestina encontra-se hoje dividida entre uma área do estado de Israel, e duas áreas de maioria árabe ocupadas por Israel após a Guerra dos Seis Dias em 1967: a Faixa de Gaza e a Cisjordânia. Partes dispersas desta área árabe passaram há alguns anos a ser administradas por uma entidade autónoma, a Autoridade Palestiniana, mas Israel mantém o controle das fronteiras e está actualmente a construir um muro de separação, que na prática anexa porções significativas da Cisjordânia ocidental às fronteiras israelenses.

O livro conta a trajetória de Sacco desde Jerusalém até a Faixa de Gaza descobrindo a cultura e as pessoas que vivem lá, do lado palestino e também do lado israelense muita das vezes desconhecida pela mídia ocidental.

Área de Segurança: Gorazde[editar | editar código-fonte]

A Guerra da Bósnia durou entre março de 1992 e novembro de 1995, Sarajevo tornou-se o alvo de jornalistas pela tragédia ocorrida lá. Mas a parte oriental do país foi esquecida, o povo muçulmana era vítima de crueldade pelo exército da Sérvia, visto isso a ONU criou as "Área de Segurança" mas estas áreas eram constantemente cercadas e atacadas pelo exército. Sacco contou esta história com muito detalhe nos desenhos e mostrando uma das áreas de segurança. Goražde teve mais de 2.600 pessoas civis mortas de uma população de 37.000 habitantes.

Discurso jornalístico e arte sequencial em Notas sobre Gaza[editar | editar código-fonte]

A busca de uma possível objetividade e imparcialidade jornalística sacrifica uma abordagem mais pessoal e subjetiva dos fatos e, às vezes, o interesse do público leitor. Tendo em vista a afinidade do público com a matéria e sua objetividade, as corporações de imprensa tem feito uso de diversos recursos narrativos no qual há toda uma construção literária (em caso de jornais e revistas]) ou cinematográficas (caso da TV]) para expor os fatos. Mas seguindo uma linha dita independente estão as narrativas jornalísticas em Quadrinhos.

Em diversas entrevistas o maltês radicado nos EUA afirma que a composição de seus personagens, de sua narrativa é baseada sobretudo em suas investigações jornalísticas, entrevistas e convivência com os moradores.

Mas na construção de seus personagens e na reconstituição dos fatos, Sacco não estaria sacrificando o fato em si?


Notas sobre Gaza[editar | editar código-fonte]

Como explica no prefácio, Sacco esteve na Faixa de Gaza em 2001 juntamente com outro jornalista para cobrir a Segunda Intifada na cidade de Khan Younis, mas ele estava mais interessado em um incidente durante Crise do Canal de Suez no qual civis em idade militar foram executados pelo exército israelense, mas havia poucos registros sobre o caso. Notas de rodapé no contexto.

E como não havia nenhum material sobre o assunto, ele decidiu voltar em 2003 e pesquisar por conta própria as poucas horas onde homens foram mortos naquela cidade, mas no meio das entrevistas descobriu outro evento dias depois na cidade de Rafah no qual outros civis foram assassinados.


Discurso das notas de rodapé[editar | editar código-fonte]

Apesar de parecerem eventos isolados, Sacco acredita que os acontecimentos se formam a partir de “tragédias históricas que ganham no máximo uma nota de rodapé no contexto mais amplo”, mas não tem uma devida atenção. Por isso, ele opta entrevistar as pessoas em um modelo bastante parecido com o que é visto nos documentários de Eduardo Coutinho: mesmo que exista um fato comum aos relatos, o discurso está em constante movimento e é cortado por ideologias e contextos que os enriquece; ele busca a sua resposta dando voz a aqueles que historicamente são oprimidos e não costumam ter direito de fala nos noticiários tradicionais.

O “problema” desse método de abordagem e apuração consiste em depender unicamente do relato e, para fazer a prova dos nove, outro relato é confrontado a fim de compor com maior proximidade o fato ocorrido no passado. Mas como disse Mayra Rodrigues Gomes:


(...) os fatos acontecem (...) já como relatos. Ou se quisermos, como elementos discursivos.


Logo, por mais que Sacco tente encontrar a “verdade” dos eventos, ele tem consciência desde o começo que nem sempre o que “está nos autos, está no mundo”,ou melhor dizendo, "só acontece o que passou no Jornal Nacional": ele tem plena noção da impossibilidade de retratar um fato tal como ocorrera, ainda que disponha de fontes confiáveis, dentro do possível.

E sendo essa faca de dois gumes, as notas de rodapé - os relatos que estão à margem da versão oficial da história - mostram-se tão complexas a ponto de ser um forte argumento de que não é possível explicar a dimensão real do todo em uma coluna de jornal ou em trinta segundos de um telenoticiário.

Comics[editar | editar código-fonte]

  • 1988-92: Yahoo. Coleção de histórias, publicada mais tarde no livro Notas de um Derrotista (2003), pela Fantagraphics Books, ISBN 1560975105.
  • 1993-95: Palestine pela Fantagraphics Books, ISBN 156097432X.
  • 1994: Spotlight on the Genius that is Joe Sacco. Fantagraphics Books.
  • 1997: Natal com Karadzic na Zero Zero (Fantagraphics Books) (2005) ISBN 1560975105.
  • 1997: War Junkie, Fantagraphics Books, ISBN 1560971703.
  • 1998: Soba, publicado em Histórias da Bósnia (2005) ISBN 1560975105.
  • 1998: Stones, publicado na revista Zero Zero pela Fantagraphics Books.

Livros[editar | editar código-fonte]

  • 1996: Palestina publicado pela Fantagraphics Books. ISBN 156097432x
  • 2000: Área de Segurança: Gorazde publicado pela Fantagraphics Books ISBN 1560974702
  • 2003: O Mediador: Uma História de Sarajevo publicado pela Fantagraphics Books. ISBN 1896597602
  • 2003: Notas de um Derrotista publicado pela Fantagraphics Books. ISBN 1560975105
  • 2005: War's End: Profiles from Bosnia 1995-96 publicado pela Drawn and Quarterly. ISBN 1896597920
  • 2006: But I Like It publicado pela Fantagraphics Books. ISBN 1560977299
  • 2010: Notas sobre Gaza

Referências externas[editar | editar código-fonte]


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