Línguas tuaregues

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Línguas tuaregues
 (Tamasheq, Tamajaq, Tamahaq)
Falado em:  Argélia
 Burkina Faso
 Líbia
 Mali
 Níger
Região: Saara
Total de falantes: 1,2 milhões (Ethnologue)
Família: Afro-asiática
 Berbere
  Línguas tuaregues
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: tmh
ISO 639-3: vários:
tmh — Tamashaq (generic)
thv — Tahaggart Tamahaq
taq — Tamasheq
ttq — Tawallammat Tamajaq
thz — Tayart Tamajeq
Tuareg area.png

O tuaregue (também conhecido como tamasheq, AFI[ˈtæməʃɛk], e tamajaq, ⵜⴰⵎⴰⵌⴰⵆ, tamahaq; em português, tamaxeque) é um grupo de dialetos e línguas berberes aparentados, falados pelos berberes tuaregues em partes de Mali, Níger, Argélia, Líbia e Burkina Faso, com alguns poucos falantes na região de Kinnin, no Chade.[1]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Outras línguas berberes e o tamaxeque são mutuamente compreensíveis e em geral são consideradas com uma única língua (pelo linguista dinamarquês Karl-G. Prasse, por exemplo), sendo que há algumas distinções principalmente em função de alguns poucos desvios fonéticos (afetando a pronúncia de z e de h). O tamaxeque é muito conservativo em alguns aspectos, mantendo duas vogais curtas onde as outras línguas berberes do norte têm uma ou mesmo nenhuma. Além disso, sofreu muito menos influências léxicas do árabe do que as demais línguas berberes.

Dialetos[editar | editar código-fonte]

  • Tudalt
  • Tadraq

Ortografia[editar | editar código-fonte]

Alfabetos representativos para Tuaregue (consoantes)[2]
DNAFLA Tifinagh Árabe
b 2D40.png ب
d د
2D39.png ض
f ف
g ݣ
j
ɣ 2D57.png
h 2D42.png
k 2D3E.png ک
l
m 2D4E.png
n 2D4F.png ن
q 2D46.png
r 2D54.png
s 2D59.png ﺱ‎
2D59.png
š ﺵ‎
t
w
x
y
z 2D63.png or
or 2D64.png
ž or 2D63.png
(ḥ)
(ç)

As línguas tuaregues são geralmente escritas no alfabeto tifinagh nativo, existe porém algum uso do alfabeto árabe nalgumas áreas desde os tempos medievais, enquanto que o alfabeto latino é oficial no Mali e no Níger. O programa nacional do Mali de alfabetização (DNAFLA) estabeleceu um padrão para o uso do alfabeto latino, o qual é usado com modificações, conforme o léxico de Karl-G. Prasse, também no programa de alfabetização de Burkina Faso. Em Níger, outro sistema foi usado, havendo também diferenças nos usos do tifinagh e na escrita árabe.[3]

A escrita árabe é mais usada por tribos islâmicas, e pouco consideradas nessas padronizações.[4]

O uso do tifinagh é restrito principalmente à escrita de fórmulas mágicas, a qual é feita em palmas, quando o silêncio é exigido, e nas cartas escritas recentemente.[5]

O sistema DNAFLA é ume espécie de ortografia morfo-fonêmica, sem indicação de voigais encurtadas, sempre escrevendo a particular direcionada como < dd>, e não uma indicação de assimilação (Exemplo. <Tămašăɣt> for [tămašăq]).[6]

Em Burkina Faso as ênfases são marcadas por "ganchos" nas letras como na língua fula, por exemplo. <ɗ ƭ>.[7]

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Vogais[editar | editar código-fonte]

O sistena de vogais inclui 5 vogais longas /a, e, i, o, u/, versões "emfáticas" de /e, o/, e duas vogais curtas /ə, ă/.[8] . Karl-G. Prasse argumenta que /e/ e /o/ geralmente derivam de /i/ e /u/, enquanto que evidências comparativas mostram que /ə/ deriva do amálgama “proto-berbere” entre */ĭ/ e */ŭ/.

Sudlow classifica as semivogais /w, j/ junto com as vogais e percebe alguns possíveis ditongos: /əw/ (>[u]), /ăw/, /aw/, /ew/, /iw/, /ow/, /uw/, /əj/ (>[i]), /ăj/, /aj/, /ej/, /ij/, /oj/, /uj/.[9]

Antes das enfáticas, as vogais se reduzem, se tornando o /ə/ em [ă], /e, i/ em um [e] “enfático”; e /u, o/ em [o] “enfático”, com algumas variações dialetais (com percepção de f /i, u/ "menos aberto" que /e, o/).[10]

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Consoantes tamaxeque [11]
Labial Coronal Palatal Velar Uvular Faríngea Glotal
Oclusiva b t tˤ d dˤ ɟ[12] k g q
Fricativa f s sˤ z zˤ ʃ ʒ x ɣ[13] (ħ ʕ) h (ʔ)
Nasal m n ŋ
Lateral l (lˤ)

O inventário de consoantes se parece muito com o do árabe: vocalização diferenciada, uvulares, faringeais (tradicionalmente referidas como enfáticas) /tˤ/, /lˤ/, /sˤ/, /dˤ/, /zˤ/; requerendo a contração dos músculos da faringe, influindo na pronúncia da vogal seguinte (porém /lˤ, sˤ/ só ocorrem em palavras que vem do árabe e /lˤ/ é raro).[14] .

/ŋ/ é um som raro, /ʒ/ é raro em Tadraq, e /ħ, ʕ/ são usados apenas nas palavras árabes no dialeto Tanəsləmt (a maioria dos tamaxeques substituem-nos por /x, ɣ/ respectivamente).

A oclusiva glotal é não fonêmica. Ocorre no começo de palavras com vogal inicial para preencher a função da consoante inicial na estrutura da sílaba (ver a seguir), embora se as palavras forem precedidas por uma palavra que termina em consoante, é feita uma ligação em substituição. O /a/ inicial de uma frase é também seguida por uma oclusiva glotal fonética.[10]

A geminação é contrastiva.[15] Normalmente /ɣɣ/ se torna [qq], /ww/ se torna [gg], e /dˤdˤ/ se torna [tˤtˤ].[15] /q/ e /tˤ são (com poucas exceções) sempre geminados. Além disso, em dialeto Tadraq /g/ é geralmente geminado, mas em Tudalt tom singelo /g/ pode ocorrer.[15]

A assimilação vocal ocorre, com a primeira consoante tomando a sonoridade da segunda (Ex.: /edˤkăr/>[etˤkăr]).[16]

A redução dos conjuntos consonantais modifica a palavra / fonema-final /-ɣt, -ɣk/ em [-qq] e /-kt, -ɟt, -gt/ em /-kk/ (Ex.. /tămaʃăɣt/>[tămaʃăq] 'Tamasheq'[17] ).[18]

Diferenças dialetais[editar | editar código-fonte]

Os diferentes dialetos têm inventários de consoantes ligeiramente diferentes. Algumas diferenças podem ser de origem na Linguística histórica. Por exemplo, o *h do proto-berbere veio a desaparecer no Tuaregue Ayer, mas é mantido em qualquer condição no Tuaregue de Mali. Os Tuaregues Iwellemmeden e Ahaggar Tuareg são intermediaries a essas duas posições.[19] . A consoante proto-berbere *z aparece diferente nos diversos dialetos, um desenvolvimento que se refletiu num certo grau no nome dos dialetos. Percebe-se que o h do tamahaq (tahaggart), como š em tamaxeque e como um simples z nos dialetos tamajaq (tawallammat e tayart). Nesses 2 últimos, *z é percebido como ž antes de vogais palatais, explicando a forma do nome tamajaq. Em tawallammat e especialmente em tayart, esse tipo de palatalização em realidade não fica confinado apenas ao próprio z. Nesses dialetos, as dentais em geral são palatizadas antes de /i/ e /j/. Por exemplo, tidət é pronunciado tidʲət em tayart.[20]

Outras diferenças podem ser facilmente rastreadas até suas origens. Por exemplo, as faríngeas ħ e ʕ vieram junto com as palavras de origem árabe, via dialetos mais especializados, no ensino de iIslamismo marabuto. Outros dialetos substituem ħ e ʕ, respectivamente x e ɣ.

Fonotaxe[editar | editar código-fonte]

A estrutura silábica é CV(C)(C), incluindo as oclusivas glotais (ver acima).[10]

A tonicidade contrastiva pode ocorrer no aspecto estativo dos verbos.[8]

Gramática[editar | editar código-fonte]

A ordem básica das palavras Tuaregues é Verbo-Sujeito-Objeto. Os verbos podem ser agrupados em 19 classes morfológicas, algumas das quais têm definições semânticas. Os verbos levam consigo informações sobre o sujeito da frase na forma de marcação pronominal. Não há adjetivos simples e puros em Tuaregue, conceitos de adjetivação são expressos uma forma relativa de verbo chamada particípio (algo diferente do que se tem em Português). As Tuaregues são muito influenciadas pelas Línguas songai norte, como a Língua Tasawaq, cujos falantes são Tuaregues étnicos, mas falam variantes Songhay. Essa influência inclui pontos de fonologia e alguns de gramática, havendo também muitas palavras de origem externa.

Sintaxe[editar | editar código-fonte]

Tamasheq preferencialmente usa a ordem V.S.O.; Contém, porém “estrutura de tópicos” (como em Japonês, permitindo o conceito enfatizado ser colocado antes, seja ele o Sujeito ou Objeto esta ultimo dando um efeito de algo como a voz passive do Português.[21] Sudlow usa os seguintes exemplo, todos expressando o conceito de “Homens não cozinham porridge (para de flocos de aveia (Irlanda))”, onde ‘’e’’ denota o Ə de Sudlow):

meddăn wăr sekediwăn ăsink SVO
wăr sekediwăn meddăn ăsink VSO
ăsinkwăr ti-sekediwăn meddăn ‘Porridge, homens não os cozinham.’
wădde meddăn a isakădawăn ăsink ‘Não são os homens que cozinham porridge’
meddăn a wăren isekediw ăsink ‘Homens não são aqueles que cozinham porridge.’

Mais uma vez, como em Japonês, o “pronome/particula ‘a’ is usado com uma cláusula relative para trazer um substantive numa frse para o início visando ênfase” with a following relative clause to bring a noun in a phrase to the beginning for emphasis,” uma estrutura que pode ser usada para ainda para objetos de preposições.[22] . O exemplo de Sudlow (S denota Fricativa palato-alveolar muda):

essensăɣ enăle ‘Eu comprei milheto.’
enăle a essensăɣ ‘Foi milheto o que eu comprei.’

O marcador de objeto direto toma a forma i/y em Tudalt e e/y em Tadraq.[23]

Morfologia[editar | editar código-fonte]

Sendo uma língua “raiz-e-padrão” ou “templática”, raízes “triliterais” (com base de três consoantes) são os mais comuns em Tamasheq. Niels e Regula Christiansen usam a raiz “k-t-b” (escrever) para deomostrar conjugações de aspecto completes de passado.

Afixos p/ Sujeito Tamasheq[24]
Pessoa
s 1 ...-ăɣ
2 t-...-ăd
3 m y-...
f t-...
part.[25] m y-...-ăn
f t-...-ăt
pl 1 n-...
2 m t-...-ăm
f t-...-măt
3 m ...-ăn
f ...-năt
part.[25] ...-nen
Conjugação de k-t-b 'escrever'[26]
Person Singular Plural
1st ektabaɣ ‘Eu escrevi’ nektab Nos escrevemos (pass)’
2nd (m) tektabad ‘Tu (2s) escreveste’ tektabam ‘Vós (2p/masc) escrevestes’
(f) tektabmat ‘Vós (2p/fem) escrevestes’
3rd (m) iktab ‘Ele escreveu’ ektaban ‘Eles (3/p/masc) escreveram’
(f) tektab ‘Ela escreveu’ ektabnat ‘Elas (3/p/fem) escreveram’

A correspondência verbal com Japonês continua com o uso do aspecto; Tamasheq usa, conforme registrou Sudlow:

  1. Perfeito: ações completas
  2. Estativo: "estados finais, resultados de uma ação completa."
  3. Imperfeito: ações futuras ou possíveis, "muitas vezes usado seguindo um verbo que expressa emoções, decisão ou pensamentos,” pode ser marcado com "'ad'" (na forma curta "'a-'" com preposições).
  4. Cursivo: ações em andamento, muitas vezes habituais.
aspectos
Verbo9 Perfeito/perfeito simples Estativo/perfeito intensivo Imperfeito/perfeito simples Cursivo/ perfeito intensivo
z-g-r izgăr izgăr
'Ele saiu' 'Ele tinha saído'
b-d-d ibdăd ibdăd
'Ele parou (em pé)' 'Ele parou (em pé); (e ainda está assim)'
ekkeɣ hebu ekkêɣ hebu
'Eu fui ao mercado' 'Eu estou indo ao mercado'
l-m-d ad elmedăɣ Tămasăq lammădăɣ Tămasăq
'Eu vou aprender Tamasheq' 'Eu estou aprendendo Tamasheq'
a-dd-as asekka
'Eu vou chegar (aqui) amanhã'
iwan tattănăt alemmoZ
'Vacas comem palha'
ăru tasăɣalăɣ siha
'Eu trabalhava aqui'

Comandos são expressos no Modo Imperativo, que tende a ser uma forma do aspecto imperfeito, a menos que a ação seja para ser repetidan ou continuada, caso em que o aspecto cursivo é preferível.[27] .

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Monique Jay, “Quelques éléments sur les Kinnin d’Abbéché (Tchad)". Études et Documents Berbères 14 (1996), 199-212 (ISSN 0295-5245 ISBN 2-85744-972-0).
  2. Sudlow (2001:28,35-36)
  3. Sudlow (2001:33-36)
  4. Orthography in a plurigraphic society: the case of Tuareg in Niger. H.J. Stroomer, Dr. M.G. Kossmann, Dr. R. Elghamis.
  5. Penchoen, Thomas G.. Tamazight of the Ayt Ndhir. Los Angeles: Undena Publications, 1973. p. 3.
  6. Sudlow (2001:34)
  7. Sudlow (2001:33)
  8. a b Sudlow (2001:25)
  9. Sudlow (2001:25-26)
  10. a b c Sudlow (2001:27)
  11. Sudlow (2001:26-28)
  12. Sudlow (2001:26) não diz claramente se são verdadeiras oclusivas palatais ou algo diverso, possivelmente uma oclusiva frontal velar ou um tipo de africadas.
  13. Sudlow (2001:26) não especifica se tratam de velares ou uvulares
  14. Sudlow (2001:26-7)
  15. a b c Sudlow (2001:28)
  16. Sudlow (2001:28-29)
  17. Notar que a geminação é eliminada se não for seguidapor uma vogal.
  18. Sudlow (2001:29)
  19. Prasse 1969, Kossmann 1999
  20. Prasse e.a. 2003:xiv
  21. Sudlow, (2001:46)
  22. Sudlow (2001:48)
  23. Sudlow (2001, 1.1.)
  24. Sudlow (2001:118)
  25. a b Forma de Particípio Ex.:. "quem ..."
  26. Christiansen 2002, p. 5.
  27. Sudlow (2001:57)

Leituras diversas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Christiansen, Niels and Regula. 2002. Some verb morphology features of Tadaksahak . SIL Electronic Working Papers 2002-005. Dallas: SIL International. Online. URL: http://www.sil.org/silewp/abstract.asp?ref=2002-005.
  • Heath, Jeffrey. A grammar of Tamashek (Tuareg of Mali). [S.l.]: Walter de Gruyter, 2005. 745 pp. ISBN 3110184842.
  • Sudlow, David. (2001). The Tamasheq of North-East Burkina Faso. Köln: Rüdiger Köppe Verlag.
  • Bougchiche, Lamara. (1997) Langues et litteratures berberes des origines a nos jours. Bibliographie internationale et sytematique. Paris: Ibis Press.
  • Chaker, Salem, ed. (1988) Etudes touaregues. Bilan des recherches en sciences sociales. Travaux et Documents de i.R.E.M.A.M. no. 5. Aix-en-Provence: IREMAM / LAPMO.
  • Leupen, A.H.A. (1978) Bibliographie des populations touaregues: Sahara et Soudan centraux. Leiden: Afrika Studiecentrum.

Dicionários[editar | editar código-fonte]

Página 247 do Dictionnaire Touareg-Français de 1951, mostrando o meticuloso manuscrito de Foucauld, com ilustrações detalhadas da estrutura do tasdest e de outros termos referentes à construção de tendas da Kel Ahaggar.
  • Charles de Foucauld (1951-1952) Dictionnaire touareg-francais. 4 vol. Paris: Imprimerie Nationale de France. Publicação póstuma do fac-símile (autor falecido em dez. 1916); dialeto de Ahaggar, sul da Argélia.
  • Jeffrey Heath (2006) Dictionnaire tamachek - anglais - français. Paris: Karthala. [covers dialects of northern Mali]
  • Motylinski, A. (1908). Grammaire, dialogues et dictionnaire touaregs. Alger: P. Fontana.
  • Prasse, Karl-G., Alojaly, Ghoubeid, and Mohamed, Ghabdouane (2003) Dictionnaire touareg-francais (Niger). 2ª ed. rev.; 2 vol. Copenhagen: Museum Tusculanum Press, University of Copenhagen. [1ª ed. 1998; abrange dois dialetos do norte do Níger]
  • Prasse, Karl-G., Lexique Touareg-Français. Copenhague: Museum Tusculanum Press, 1998.

Gramáticas[editar | editar código-fonte]

Textos[editar | editar código-fonte]

  • Ag Erless, Mohamed (1999) "Il ný a qu'un soleil sur terre". Contes, proverbes et devinettes des Touaregs Kel-Adagh. Aix-en-Provence: IREMAM.
  • Aghali-Zakara, Mohamed & Jeannine Drouin (1979) Traditions touarègues nigériennes. Paris: L'Harmattan.
  • Albaka, Moussa & Dominique Casajus (1992) Poésies et chant touaregs de l'Ayr. Tandis qu'ils dorment tous, je dis mon chant d'amour. Paris: L'Harmattan.
  • Alojaly, Ghoubeïd (1975) Ǎttarikh ən-Kəl-Dənnəg - Histoire des Kel-Denneg. Copenhagen: Akademisk Forlag.
  • Casajus, Dominique (1985) Peau d'Âne et autres contes touaregs. Paris: L'Harmattan.
  • Chaker, Salem & Jélène Claudot & Marceau Gast, eds. (1984) Textes touaregs en prose de Charles de Foucaould et. A. de Calassanto-Motylinski. Aix-en-Provence: Édisud.
  • Chants touaregs. Recueillis et traduits par Charles de Foucauld. Paris, Albin Michel, 1997
  • Foucauld, Charles de (1925) Poésies touarègues. Dialecte de l'Ahaggar. Paris: Leroux.
  • Lettres au marabout. Messages touaregs au Père de Foucauld. Paris, Belin, 1999
  • Heath, Jeffrey (2005) Tamashek Texts from Timbuktu and Kidal. Berber Linguistics Series. Cologne: Koeppe Verlag
  • Louali-Raynal, Naïma & Nadine Decourt & Ramada Elghamis (1997) Littérature orale touarègue. Contes et proverbes. Paris: L'Harmattan.
  • Mohamed, Ghabdouane & Karl-G. Prasse (1989) Poèmes touaréges de l'Ayr. 2 vol. Copenhagen: Akademisk Forlag.
  • Mohamed, Ghabdouane & Karl-G. Prasse (2003) əlqissǎt ən-təməddurt-in - Le récit de ma vie. Copenhagen: Museum Tusculanum Press.
  • Nicolaisen, Johannes, and Ida Nicolaisen. The Pastoral Tuareg: Ecology, Culture, and Society. Vol. 1,2. New York: Thames and Hudson, Inc, 1997. 2 vols.
  • Nicolas, Francis (1944) Folklore Twareg. Poésies et Chansons de l'Azawarh. BIFAN VI, 1-4, p. 1-463.

Tópicos linguísticos[editar | editar código-fonte]

  • Cohen, David (1993) 'Racines'. In: Drouin & Roth, eds. À la croisée des études libyco-berbères. Mélanges offerts à Paulette Galand-Pernet et Lionel Galand (Paris: Geuthner), 161-175.
  • Kossmann, Maarten (1999) Essai sur la phonologie du proto-berbère. Köln: Rüdiger Köppe.
  • Prasse, Karl-G. (1969) A propos de l'origine de h touareg (tahaggart). Copenhagen.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]