Modelo de Gordon
O Modelo de Gordon ou modelo de crescimento de Gordon ou método de Gordon e Shapiro é um modelo de atualização do preço de ações, elaborado em 1956, e tem o nome de seus autores, Myron J. Gordon e Eli Shapiro 1 2 O modelo, também chamado de "crescimento perpétuo", não leva em conta os ganhos de capital. De fato, considera que, uma vez que o fluxo de dividendos é perpétuo (isto é, tende ao infinito), o ganho de capital não incide sobre a avaliação da ação.
Trata-se de uma variação do modelo de análise de fluxos de caixa descontados que pressupõe o crescimento de dividendos a uma taxa constante. Por isso é adequado somente para empresas com crescimento constante ao longo do tempo, isto é, empresas consideradas estáveis e cujos dividendos estejam a crescer a uma taxa g constante a longo prazo. O modelo pressupõe também que a taxa de retorno desejada permaneça constante, e que o custo do capital próprio, isto é, expectativa de retorno sobre o patrimônio líquido k seja tal que k>g . O modelo envolve o somatório de infinitas séries cujo resultado é o preço corrente Po.
Sua principal vantagem é o fato de requerer a estimativa de apenas três variáveis: valor corrente dos dividendos do próximo ano (D1), o custo do capital próprio (k) e a taxa de crescimento dos dividendos (g).
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Descrição [editar]
A fórmula proposta por Gordon e Shapiro é:
sendo:
= valor teórico da ação
= dividendo antecipado do primeiro período
= Rentabilidade esperada pelo acionista
= Taxa de crescimento do lucro bruto por ação
Demonstração [editar]
Parte-se do modelo de Durand, que integra hipóteses sobre dividendos futuros e sobre o preço de revenda estimado, ao cabo de n anos: o preço de uma ação hoje (
) é igual à soma dos fluxos de caixa atualizadaos à taxa do período (
) isto é seus dividendos (
) pagos a cada período t bem como seu preço de revenda futuro (
):

Ora, o preço de revenda em T será igual a esta mesma fórmula, seguindo assim até o infinito, pois uma ação normalmente não é reembolsada. Em finanças, frequentemente se supõe que a taxa de atualização é a mesma a cada período, isto é
(do contrário, utilizar-se-á uma média geométrica das taxas sobre a totalidade dos períodos). Deduz-se, então, que:

Gordon e Shapiro supõem que a cada período, o dividendo pago é uma fração constante dos lucros da empresa:
. Supõe-se também que os lucros crescem a uma taxa constantes. Logo, os dividendos também crescem segundo a mesma taxa observada
, donde:

Aplicando-se o que foi demonstradao acima ao modelo de Durand:

Sabe-se que, para toda progressão geométrica de razão
, sendo
menor do que 1, sua série (soma dos termos da progressão) ao infinito é: 
Portanto:


Limitações do modelo [editar]
A principal limitação do modelo consiste no pressuposto que os dividendos vão ser distribuídos, podendo em alguns casos a empresa decidir não o fazer, sendo o modelo completamente ineficaz se for esse o caso.
A validade dos pressupostos utilizados é fundamental para o bom funcionamento do modelo. Porém, é muito difícil para o analista conseguir estimar valores que sejam completamente correctos. Algumas das limitações do modelo são as seguintes:
- O custo do capital próprio é determinado por variáveis de difícil determinação e com grande subjectividade que conduzem a uma enorme interferência sobre o resultado final.
- A taxa de crescimento dos dividendos é muito difícil de ser estimada.
- Os dividendos não são certos, nem previamente determinados;
- O mercado financeiro e a exigência de rentabilidade por parte dos accionistas varia ao longo do tempo e não é igual para todos os accionistas;
- O modelo só é aplicável se o custo do capital próprio for superior à taxa de crescimento dos dividendos.
Segundo Damodaran,3 existem algumas dificuldades de avaliar certas empresas usando o modelo de Gordon, tais como:
- Empresas com dificuldades financeiras e expectativas de fluxo de caixa negativo nos próximos períodos. Estimar lucros futuros é difícil e existe a possibilidade de falência da empresa. Também será preciso estimar os fluxos de caixa até se tornarem positivos, pois valores negativos de fluxo de caixa geram resultados negativos na avaliação.
- Nas empresas que possuem lucros e fluxos de caixa que seguem a economia, subindo durante as boas fases e caindo durante as recessões. Estas empresas precisam ter os fluxos de caixa esperado ponderado.
- Como a avaliação por fluxos de caixa reflecte o valor de todos os activos que possuem fluxos de caixa, as empresas que possuem activos não utilizados, que não geram fluxos de caixa, terão uma avaliação que não reflectirá o valor destes activos.
- Empresas que estão em processo de reestruturação frequentemente vendem alguns activos, adquirem outros, mudam a sua estrutura de capital, políticas de dividendos ou até podem passar ser de capital fechado, o que torna difícil a estimação de fluxos de caixa futuros.
Segundo o mesmo autor, o modelo de crescimento de Gordon relaciona o valor de uma acção com seus dividendos esperados no próximo período de tempo, com a taxa exigida de retorno da acção e com a taxa de crescimento esperada dos dividendos.
O modelo é muito sensível uma vez que, à medida que a taxa de crescimento converge para a taxa de desconto, o valor da acção tende ao infinito. O modelo ajusta-se melhor a empresas com uma taxa comparável ou inferior à taxa de crescimento da economia. Pode-se concluir que a taxa de crescimento perpétua irá variar de acordo com as expectativas dos analistas em relação à economia e à inflação.
Estimativa do custo do capital próprio pelo Modelo de Gordon [editar]
Por custo do capital próprio entende-se a a rentabilidade que um investidor pode esperar obter num investimento de risco semelhante ou a expectativa de retorno sobre o patrimônio líquido ou .
A partir da fórmula de Gordon e Shapiro, tem-se que o custo do capital próprio k será:

Ver também [editar]
Referências
- ↑ "Capital Equipment Analysis: The Required Rate of Profit," with Eli Shapiro, Management Science, 3(October l956) 102-110. Republicado em Management of Corporate Capital, Glencoe, Ill.: Free Press of, l959.
- ↑ GORDON, Myron J.. (1959). "Dividends, Earnings and Stock Prices". Review of Economics and Statistics 41: 99–105.
- ↑ Damodaran, Aswath. Avaliação de Investimentos. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1999.
- NEVES, João Carvalho das; Avaliação de Empresas e Negócios. McGraw-Hill
Ligações externas [editar]
- The Gordon Model: Derivation & Relation To P/E Multiple (em inglês) , por Jay B. Abrams, 1994.
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