Monomania

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Em psiquiatria, monomania (do grego monos, "um", e mania, "mania") é um tipo de paranóia na qual o paciente tem uma única idéia ou tipo de idéias. A monomania emocional é aquela na qual o paciente é obcecado por uma única emoção ou por várias relacionadas a uma só; a monomania intelectual é aquela relacionada a um único tipo de idéia(s) delirante(s).

No uso coloquial, a expressão monomania é frequentemente ligada a uma subcultura que o público em geral considera esotérica. Todavia, as diferenças entre monomania e paixão podem ser muito sutis e dificultar seu reconhecimento.

Monomania na literatura[editar | editar código-fonte]

Edgar Allan Poe, escritor do século XIX, escreveu vários contos nos quais o narrador e protagonista sofriam de alguma forma de monomania, tornando-se excessivamente fixados numa determinada idéia, compulsão ou pessoa, frequentemente até o ponto da destruição mental e/ou física.

Um livro importante sobre monomania é "O gato preto e outras histórias" de Edgar Allan Poe, o qual inclui:

  1. O Gato Preto: um homem tem medo do gato de estimação e o mata; adota um outro gato, mata a própria esposa e é depois punido pelo gato.
  2. O Retrato Oval: sobre um pintor obcecado por retratar a própria esposa.
  3. Berenice: sobre um louco que se torna obcecado com os dentes da prima doente.
  4. A Morte Escarlate: um príncipe teme uma terrível moléstia, mas finalmente adoece da morte vermelha e morre.
  5. O Coração Delator: um louco fica obcecado pelo olhar de um velho.

Já foi dito que o ódio que Flaubert nutria pela burguesia e sua bêtise ("imbecilidade deliberada"), que começou na infância, transformou-se num tipo de monomania.

É de monomania que sofre a heroína trágica de Flaubert, "Madame Bovary"; no caso dela, isso toma a forma de uma incessante culpa e temor em fazer descobertas. O mesmo medo monomaníaco é explorado em grande profundidade no romance "Lady Audley's Secret" de M. E. Braddon, através do protagonista Robert Audley, a quem a mulher acusa de monomania pelas tentativas implacáveis dele em prová-la culpada. Ela descreve a monomania desta forma:

"Qual é um dos mais estranhos diagnósticos de loucura -- qual é o primeiro sinal horripilante da aberração mental? A mente se torna estática; o cérebro estagna; a serena corrente da reflexão é interrompida; o poder pensante do cérebro converte-se em monotonia. Como as águas paradas num tanque apodrecem por causa de sua estagnação, a mente torna-se turva e corrompida pela falta de ação; e a reflexão perpétua sobre um único assunto torna-se monomania."

Do mesmo mal padece Bentinho, o protagonista do Dom Casmurro de Machado de Assis, cuja fixação é provar que a mulher, Capitu, cometeu adultério.

Em Crime e Castigo, o magnum opus de Fyodor Dostoevsky, afamado novelista russo do século XIX, o personagem principal, Raskolnikov, é descrito como monomaníaco em várias ocasiões.

Em Moby Dick de Herman Melville (1851), o capitão Ahab é um monomaníaco, algo demonstrado por sua caçada implacável à baleia branca.

Em Wuthering Heights, da escritora britânica Emily Brontë, o personagem Heathcliff possui monomania, o que pode ser descrito nos capítulos finais quando o último passa dias sem comer e sem desejar nenhum contato social, devido à alunição de Catherine Earnshaw.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • POE, Edgar Allan. "Edgar Allan Poe: Ficção Completa, Poesia e Ensaios". Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2001. ISBN 8521000340.

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