Muzalon

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Muzalon ou Mouzalon (em grego: Μουζάλων) foi o nome de uma família bizantina atestada do século XI ao XV, que produziu certo número de funcionários e altos dignitários. A família chegou a seu pico nos anos 1250, quando apreciou o patrocínio do imperador Teodoro II Láscaris (r. 1254-1258), mas foi em grande parte expurgada pelas grande famílias aristocráticas após sua morte. A forma feminina do nome é Mouzalonissa (em grego: Μουζαλώνισσα).

História e membros[editar | editar código-fonte]

Miniatura do imperador Miguel VIII Paleólogo (r. 1259–1282), o instigador da morte dos irmãos Muzalon.

Os primeiros membros conhecidos da família são atestados em selos do século XI.[1] Um deles registra Teófano Mouzalonissa, "arcontisa dos Rus'". Tem sido sugerido que ela foi a esposa de Oleg I de Chernigov, senhor de Tmutaracan, mas é também possível que tenha sido simplesmente a esposa de um arconte bizantino do cidade portuária e base de Rósia, que situava-se próxima a Tmutaracan.[2] No final do século XI, Nicolas Muzalon, tornou-se arcebispo do Chipre e mais tarde, em 1147-1151, patriarca de Constantinopla. Outro membro da família, Constantino Muzalon, foi um notário patriarcal.[3] [4]

Os mais proeminentes membros da família contudo foram os irmãos Muzalon de Adramício. Eles entraram em serviço como pajens do jovem imperador Teodoro II Láscaris, e tornaram-se seus companheiros de infância.[5] Apesar de serem de origem humilde, com a ascensão de Teodoro eles foram recompensados com os mais altos ofícios do Estado. Seu amigo próximo Jorge Muzalon foi feito grande doméstico (comandante-em-chefe do exército) e depois protovestiário (camareiro) e grande estratopedarca, um ofício criado especialmente para ele. O irmão de Jorge, Andrônico, foi feito protovestiário e depois sucedeu seu irmão como grande doméstico, enquanto Teodoro, o irmãos mais velho, foi feito protocínego (protokynegos; caçador chefe).[1] [6] Este fator sem precedentes para homens da plebe, bem como seus casamentos posteriores, por iniciativa do imperador, com mulheres proeminentes de famílias nobres, despertaram a inimizade da aristocracia tradicional.[7] Teodoro II morreu em agosto de 1258 devido a enfermidade, deixando Jorge Muzalon como regente de seu filho e sucessor João IV Láscaris (r. 1259-1261). Poucos dias depois da morte do imperador, no entanto, uma conspiração aristocrática liderada pelo futuro imperador Miguel VIII Paleólogo (r. 1259-1282) arranjou seu assassinato por soldados amotinados durante um serviço memorial para o imperador falecido.[3] [8]

Os irmãos Muzalon tinham ao menos outras duas irmãs, uma delas casada com um membro da família Hagioteodorites. O nome do outro marido é desconhecido, embora é sabido que foi assassinado junto com seus cunhados.[5] Outros membros contemporâneos da família, de relação incerta com os irmãos, inclui um governador de Niceia, cujo nome é desconhecido, e o místico e cartulário do canícula João Muzalon.[9]

Um Teodoro Muzalon aparece posteriormente como logóteta geral de Miguel VIII. Tem sido sugerido que ele é o mais velho dos irmãos assassinados, mas não é certo. Após discordar do imperador devido suas políticas religiosas unionistas, ele foi demitido e açoitado, mas voltou a exercer função sob Andrônico II Paleólogo (r. 1282-1328). Sua filha Eudóxia casou-se com Constantino Paleólogo, o segundo filho do imperador.[1] Sob Andrônico II, a família também recuperou ofícios militares: Estêvão Muzalon foi grande drungário da frota e conduziu as negociações com a Companhia Catalã, enquanto o hetaireiarca Jorge Muzalon liderou as forças bizantinas na Batalha de Bafeu contra os otomanos em 1302.[3] O aristocrata João Muzalon é mencionado no final do século, enquanto o último membro conhecido da família é o "médico filósofo" Demétrio Muzalon do século XV.[10]

Notas[editar | editar código-fonte]

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Cawley, Charles. Medieval Lands: Byzantium 395-1057. [S.l.]: Foundation for Medieval Genealogy, 2011. Capítulo: Byzantium 1261-1453.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.
  • Macrides, Ruth. George Akropolites: The History – Introduction, Translation and Commentary. Oxford: Oxford University Press, 2007. ISBN 978-0-19-921067-1.
  • Makripoulias, Christos. Mouzalon Family. [S.l.]: Foundation of the Hellenic World, 2005.