Patriarcado Ecumênico de Constantinopla

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita uma ou mais fontes fiáveis e independentes, mas ela(s) não cobre(m) todo o texto (desde julho de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes e inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, conforme o livro de estilo.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Santo André e sua Cruz Decussata

O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (em grego: Οικουμενικό Πατριαρχείο Κωνσταντινουπόλεως, transl.: Oikoumenikó Patriarkheío Kōnstantinoupóleōs) ou Igreja Ortodoxa de Constantinopla é uma das quinze Igrejas Ortodoxas Autocéfalas. Seu líder é o Primaz da Ortodoxia, primeiro entre os iguais, primus inter paris. Sua proeminência é atestada pelo título "Ecumênico", usado desde o século VII e que lhe confere poder decisório em caso de impasse.

História[editar | editar código-fonte]

Selo Episcopal de Bizâncio

Fundação e primeiros anos[editar | editar código-fonte]

A Igreja que peregrina em Bizâncio (em grego Βυζάντιον. transl. Byzántion) provavelmente remonta ao tempo dos Doze Apóstolos quando, segundo a tradição, Santo André a erigiu. Curiosamente, as duas sedes primazes, Roma e Constantinopla, supostamente foram fundadas pelos irmãos Pedro e André, também os primeiros escolhidos pelo Messias.

A importância da "Sede Constantinopolitana" e de seu bispo foi fortemente marcada pela ascensão da cidade a capital do Império Romano, a "Nova Roma". Por esse tempo, seu bispo era o segundo em importância, após o Papa, mas o IV Sínodo Eumênico conferiu a ele as mesmas honras de sua contraparte romana.

O Grande Cisma[editar | editar código-fonte]

Durante o Primeiro Milênio d.C., a Pentarquia foi bastante articulada e promoveu os primeiros sete concílios ecuménicos. Porém, com a queda do Império Romano e do afastamento cultural do Ocidente-Oriente, as diferenças litúrgicas, quanto à prática e às interpretações tenderam a avolumar-se e, na precária estabilidade em que se encontravam juntamente com a afetação política, romperam-se. Esse rompimento deu-se paulatinamente, mas tornou-se oficial em 1054.

Com a separação dos quatro Patriarcados orientais com o ocidental, coube ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla a primazia de honra que era, na Pentarquia, disposição do Patriarca Ocidental.

Reconciliação[editar | editar código-fonte]

A Basílica de Santa Sofia: a grande igreja construída por Justiniano I torna-se no século VI a nova catedral de Constantinopla.

Sob o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I, as igrejas peregrinas retiraram sua mútua excomunhão.

"Com o Patriarcado de Constantinopla, [Roma] mantêm relações regulares e freqüentes. Quando surgem dificuldades ou incompreensões, resolvem-se diretamente. O intercâmbio regular de delegações para a festa de Santo André ao Fanar e dos Santos Pedro e Paulo em Roma oferece um instrumento útil de conversações diretas. O Patriarca Ecumênico S. S. Bartolomeu I esteve em Roma para a festa dos Santos Pedro e Paulo deste ano. Naquela ocasião, pediu ao Santo Padre as relíquias de São João Crisóstomo e de São Gregório Nazianzeno, patriarcas de Constantinopla, que se encontram na Basílica de São Pedro. Ao final deste mês Sua Santidade Bartolomeu I virá a Roma para receber do Santo Padre a doação das relíquias. Será a ocasião para um novo encontro".[1]

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Patriarca[editar | editar código-fonte]

Essencialmente ele desempenha funções de convocar sínodos, sejam eles pan-ortodoxos ou locais; exortar e vigiar a atuação dos metropolitas; julgar questões de mérito ou recursos relativos a metropolitas; e o direito de colocar mosteiros e igrejas dos bispos a ele subordinados sob seu controle direto. Também desempenha funções de "orador" em diálogos intereclesiais ou inter-religiosos.

Santo Sínodo[editar | editar código-fonte]

Além do Patriarca, o Sínodo dos Bispos Constantinopolitano é formado pelos metropolitas:

  • Evangelos da Perga
  • Kallinikos de Listra
  • Konstantinos de Derkon
  • Augoustinos da Alemanha
  • Maximos de Pittsburgh
  • Atenágoras do México
  • Apostolos de Militos
  • Nektarios de Petra e Herronissos
  • Crisóstomo de Mira
  • Apostolos de Moschonisia
  • Theoliptos de Iconium
  • Cirilo de Rodes

O patriarcado sob a secular República da Turquia[editar | editar código-fonte]

O exterior da Basílica Patriarcal de São Jorge localizada no distrito Phanar em Istambul. A fachada data do meio do século XIX e mostra influência neo-clássica.

Desde 1586, o patriarcado ecumênico tem sua sede na relativamente modesta igreja de São Jorge, em Istambul. O atual território do patriarcado foi significantemente reduzido em relação ao que era em seu ápice. Seu território canônico inclui a maior parte da moderna Turquia, norte da Grécia e Monte Atos, o Dodecaneso e Creta. Segundo sua interpretação do cãnone 28 de Calcedônia, Constantinopla também reivindica jurisdição sobre todas os territórios fora dos canonicamente definidos de outras igrejas ortodoxas, o que inclui todo o hemisfério Ocidental, Austrália, Reino Unido, Europa Ocidental, Sudeste Asiático e outros. Esta reivindicação é contestada por outras igrejas autocéfalas com dioceses naquelas áreas, assim como pelo governo turco.

O atual patriarca ecumênico, Bartolomeu I.

A presença ortodoxa na própria Turquia é pequena, porém a maioria dos ortodoxos na América do Norte (dois terços do total) estão sob este patriarcado ecumênico, primariamente na Arquidiocese Ortodoxa da América.[2] O patriarcado também possui crescente maioria no Reino Unido. Além disso, as jurisdições das comunidades americanas oriundas da Albânia, Cárpatos na Rússia e da Ucrânia são parte do patriarcado.

A maior parte dos fundos do patriarcado não vêm diretamente dos membros de suas igrejas, mas de membros influentes que fazem grandes doações para a manutenção do patriarcado. Em troca, eles recebem títulos honoríficos que séculos atrás eram dados ao staff do patriarcado.

A Escola Teológica de Halki no topo da colina da Esperança

O patriarcado atua na capacidade de ser um intermediário e facilitador entre as igrejas ortodoxas e também nas relações com outras igrejas cristãs e outras religiões. Este papel algumas vezes traz ao patriarcado conflitos com outras igrejas ortodoxas, quando seu papel na igreja é debatido. A questão central é se o patriarcado ecumênico é simplesmente a mais honrada entre as igrejas ortodoxas ou se ela tem uma autoridade real e prerrogativas sobre as demais igrejas autocéfalas.. Esta disputa é frequente entre Constantinopla e Moscou, a maior igreja em termos de população, especialmente como expressado na teoria da "terceira Roma" que coloca Moscou no lugar de Constantinopla como o centro da ortodoxia. Tal disputas ocasionalmente resulta em curtos rompimentos temporários entre as duas igrejas.

O relacionamento entre o patriarcado e o Império Otomano foi frequentemente amargo, devido à ausência dos privilégios garantidos ao Islã. Na secular República da Turquia, as tensões são ainda constantes. A Turquia requer por lei que o patriarca seja cidadão turco, mas todos os patriarcas têm sido gregos étnicos desde 1923. A desapropriação de propriedades da igreja e o fechamento da Escola Teológica de Halki também são dificuldades enfrentadas pelo patriarcado.

Ver também[editar | editar código-fonte]


A Pentarquia
Bispo de Roma
(Lista de papas)
Patriarca da Igreja de Alexandria
(Lista de patriarcas)
Patriarca da Igreja de Antioquia
(Lista de patriarcas)
Patriarca da Igreja de Jerusalém
(Lista de patriarcas)
Patriarca da Igreja de Constantinopla
(Lista de patriarcas)


Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Patriarcado Ecumênico de Constantinopla