Patriarcado Ecumênico de Constantinopla
O Patriarcado Ecumênico de Constantinopla (em grego: Οικουμενικό Πατριαρχείο Κωνσταντινουπόλεως, transl.: Oikoumenikó Patriarkheío Kōnstantinoupóleōs) ou Igreja Ortodoxa de Constantinopla é uma das quinze Igrejas Ortodoxas Autocéfalas. Seu líder é o Primaz da Ortodoxia, primeiro entre os iguais, primus inter paris. Sua proeminência é atestada pelo título "Ecumênico", usado desde o século VII e que lhe confere poder decisório em caso de impasse.
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História [editar]
Fundação e primeiros anos [editar]
A Igreja que peregrina em Bizâncio (em grego Βυζάντιον. transl. Byzántion) remonta ao tempo dos Doze Apóstolos quando, segundo a tradição, Santo André a erigiu. Curiosamente, as duas sedes primazes, Roma e Constantinopla, foram fundadas pelos irmãos Pedro e André, também os primeiros escolhidos pelo Messias.
A importância da "Sede Constantinopolitana" e de seu bispo foi fortemente marcada pela ascensão da cidade a capital do Império Romano, a "Nova Roma". Por esse tempo, seu bispo era o segundo em importância, após o Papa, mas o IV Sínodo Eumênico conferiu a ele as mesmas honras de sua contraparte romana.
O Grande Cisma [editar]
Durante o Primeiro Milênio d.C., a Pentarquia foi bastante articulada e promoveu os primeiros sete Concílios Ecuménicos. Porém, com a queda do Império Romano e do afastamento cultural do Ocidente-Oriente, as diferenças litúrgicas, quanto à prática e às interpretações tenderam a avolumar-se e, na precária estabilidade em que se encontravam juntamente com a afetação política, romperam-se. Esse rompimento deu-se paulatinamente, mas tornou-se oficial em 1054.
Com a separação dos quatro Patriarcados orientais com o ocidental, coube ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla a primazia de honra que era, na Pentarquia, disposição do Patriarca Ocidental.
Reconciliação [editar]
Sob o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I, as igrejas peregrinas retiraram sua mútua excomunhão.
"Com o Patriarcado de Constantinopla, [Roma] mantêm relações regulares e freqüentes. Quando surgem dificuldades ou incompreensões, resolvem-se diretamente. O intercâmbio regular de delegações para a festa de Santo André ao Fanar e dos Santos Pedro e Paulo em Roma oferece um instrumento útil de conversações diretas. O Patriarca Ecumênico S. S. Bartolomeu I esteve em Roma para a festa dos Santos Pedro e Paulo deste ano. Naquela ocasião, pediu ao Santo Padre as relíquias de São João Crisóstomo e de São Gregório Nazianzeno, patriarcas de Constantinopla, que se encontram na Basílica de São Pedro. Ao final deste mês Sua Santidade Bartolomeu I virá a Roma para receber do Santo Padre a doação das relíquias. Será a ocasião para um novo encontro".1
Hierarquia [editar]
Patriarca [editar]
Essencialmente ele desempenha funções de convocar sínodos, sejam eles pan-ortodoxos ou locais; exortar e vigiar a atuação dos metropolitas; julgar questões de mérito ou recursos relativos a metropolitas; e o direito de colocar mosteiros e igrejas dos bispos a ele subordinados sob seu controle direto. Também desempenha funções de "orador" em diálogos intereclesiais ou inter-religiosos.
Santo Sínodo [editar]
Além do Patriarca, o Sínodo dos Bispos Constantinopolitano é formado pelos metropolitas:
- Evangelos da Perga
- Kallinikos de Listra
- Konstantinos de Derkon
- Augoustinos da Alemanha
- Maximos de Pittsburgh
- Atenágoras do México
- Apostolos de Militos
- Nektarios de Petra e Herronissos
- Crisóstomo de Mira
- Apostolos de Moschonisia
- Theoliptos de Iconium
- Cirilo de Rhodes
O patriarcado sob a secular República da Turquia [editar]
Desde 1586, o patriarcado ecumênico tem sua sede na relativamente modesta igreja de São Jorge, em Istambul. O atual território do patriarcado foi significantemente reduzido em relação ao que era em seu ápice. Seu território canônico inclui a maior parte da moderna Turquia, norte da Grécia e Monte Atos, o Dodecaneso e Creta. Segundo sua interpretação do cãnone 28 de Calcedônia, Constantinopla também reivindica jurisdição sobre todas os territórios fora dos canonicamente definidos de outras igrejas ortodoxas, o que inclui todo o hemisfério Ocidental, Austrália, Reino Unido, Europa Ocidental, Sudeste Asiático e outros. Esta reivindicação é contestada por outras igrejas autocéfalas com dioceses naquelas áreas, assim como pelo governo turco.
A presença ortodoxa na própria Turquia é pequena, porém a maioria dos ortodoxos na América do Norte (dois terços do total) estão sob este patriarcado ecumênico, primariamente na Arquidiocese Ortodoxa da América.2 O patriarcado também possui crescente maioria no Reino Unido. Além disso, as jurisdições das comunidades americanas oriundas da Albânia, Cárpatos na Rússia e da Ucrânia são parte do patriarcado.
A maior parte dos fundos do patriarcado não vêm diretamente dos membros de suas igrejas, mas de membros influentes que fazem grandes doações para a manutenção do patriarcado. Em troca, eles recebem títulos honoríficos que séculos atrás eram dados ao staff do patriarcado.
O patriarcado atua na capacidade de ser um intermediário e facilitador entre as igrejas ortodoxas e também nas relações com outras igrejas cristãs e outras religiões. Este papel algumas vezes traz ao patriarcado conflitos com outras igrejas ortodoxas, quando seu papel na igreja é debatido. A questão central é se o patriarcado ecumênico é simplesmente a mais honrada entre as igrejas ortodoxas ou se ela tem uma autoridade real e prerrogativas sobre as demais igrejas autocéfalas.. Esta disputa é frequente entre Constantinopla e Moscou, a maior igreja em termos de população, especialmente como expressado na teoria da "terceira Roma" que coloca Moscou no lugar de Constantinopla como o centro da ortodoxia. Tal disputas ocasionalmente resulta em curtos rompimentos temporários entre as duas igrejas.
O relacionamento entre o patriarcado e o Império Otomano foi frequentemente amargo, devido à ausência dos privilégios garantidos ao Islã. Na secular República da Turquia, as tensões são ainda constantes. A Turquia requer por lei que o patriarca seja cidadão turco, mas todos os patriarcas têm sido gregos étnicos desde 1923. A desapropriação de propriedades da igreja e o fechamento da Escola Teológica de Halki também são dificuldades enfrentadas pelo patriarcado.