Companhia Catalã

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Imperador Andrónico II num fresco presente num mosteiro em Serres, Grécia.

A Companhia Catalã foi um grupo de cerca de 6000 Almogávares comandados por Roger de Flor. Foram chamados pelo imperador Bizantino Andrônico II em 1303, para lutar contra os Turcos que ameaçavam o império Bizantino.

Índice

[editar] A chegada dos Catalães

Os Catalães, antes de chegarem a Bizantino, estavam ao serviço de Frederico II da Sicília; mas depois da paz de Caltabellotta (1302) entre Frederico e Carlos II de Anjou, a Companhia catalã ficou sem trabalho. Então, os Catalães tomaram como chefe a Roger de Flor, um aventureiro, antigo templário expulso da Ordem por roubo. Este último, ao fato dos problemas que sacudiam o império Bizantino, ofereceu os seus serviços a Andrônico II em troca do título de "Megaduque", bem como a mão de uma princesa e, para as suas tropas, um salário do duplo do habitual para mercenários. Andrônico aceitou as condições, após buscar desesperadamente durante vários anos ajuda estrangeira para lutar contra os turcos.

Desde a sua chegada em setembro de 1303, os Catalães conquistaram Constantinopla. Uns dias mais tarde, massacraram toda uma companhia de Genoveses que reclamavam o pagamento das suas dívidas. Andrônico, então, enviou-os à Ásia Menor para combater os Turcos que chegaram até o Bósforo e reduziram as populações locais à escravidão.

[editar] Lutas contra os Turcos

Desde o seu desembarque em Cízico em janeiro de 1304, os Catalães rejeitaram os Turcos que assediavam a cidade. Os homens de Roger de Flor tomaram a cidade, não sem alguns problemas com os habitantes. A campanha começou em abril de 1304, conseguindo em alguns meses a expulsar os Turcos da Ásia Menor. Os Catalães avançavam com tal velocidade sobre os Turcos que estes não podiam utilizar a sua arma chave, o arco. Roger de Flor chegou até as Portas de Ferro em Tauro, e ali, ele e os seus homens derrotaram os Turcos em agosto de 1305, capturando um enorme botim.

Infelizmente, a relação entre os Catalães e os locais não foi boa, os homens de Roger de Flor cometeram excessos.

Enquanto Roger de Flor estava em campanha, os habitantes da cidade capturaram o seu botim e, ao regresso dos Catalães, fecharam as portas da cidade. Os Catalães aprestaram-se a assediar a cidade quando foram chamados à Europa por Andrônico para lutar contra os Búlgaros.

[editar] Primeiros problemas entre Andrônico e Roger de Flor

O csar búlgaro Teodoro Sviétoslav invadiu em 1305 o território do Império e aprestava-se a atacar os portos do mar Negro. Miguel IX tentou rejeitá-lo, mas foi derrotado perto de Adrianópolis. O imperador preparava a sua revancha e teve de fazer fundir a sua louça para levantar um novo exército - fato anecdótico que amostra a crescente pobreza de Bizâncio. Apesar disso, a situação era ruim e Andrônico mandou chamar Roger de Flor.

Mas o exército bizantino opôs-se.[1] Enquanto isso, os Catalães já cruzaram o Bósforo e encontravam-se em Gallipoli. Andrônico pediu-lhes que voltassem para a Ásia, mas Roger de Flor recusou este câmbio de postura e pediu a Constantinopla que os seus soldados fossem pagos. O Basileus enviou-lhe uma pequena quantidade de dinheiro. Ao mesmo tempo, desembarcaram reforços para Roger em Madyta, dirigidos por Berenguer de Entença, um nobre aragonês. Berenger tinha sido, de fato, enviado por Jaime II de Aragão e Frederico II da Sicília. Para aceder ao título de Kaisar, Roger de Flor cedeu a Berenguer de Entença o seu título de megaduque. Quando as relações entre eles e os Bizantinos pareciam pacificar-se, Andrônico queixou-se dos imensos sacrifícios que levava feito pelos Catalães. Esta reação desgostou a Berenguer.

[editar] Guerra aberta entre os Catalães e Constantinopla

Movimentos da Companhia entre 1303 e 1304

Em janeiro de 1307, os Turcos atacaram Filadélfia e o rei da Sicília preparou uma expedição para tomar Constantinopla. Andrônico, como último recurso, reconciliou-se com Roger de Flor, nomeando-o César e dando-lhe como feudo as províncias da Ásia Menor. Roger preparou-se para atacar os Turcos com 3000 homens. Os Catalães desembarcaram na Ásia, mas Roger cometeu então o erro de ir saudar Miguel IX, ignorando a hostilidade deste para com ele. O novo Basileus recebeu-o suntuosamente mas, durante o festim (7 de abril 1307), Roger e o seu séquito foram assassinados. Ao mesmo tempo, os Turcos, chamados por Miguel IX, desembarcavam em Gallipoli e matavam um grande número de Almogávares.

O assassinato de Roger de Flor desencadeou a cólera dos Catalães.

Sob comando de Berenger de Entença, os Catalães massacraram a totalidade dos habitantes de Gallipoli e criaram uma espécie de Estado. Berenger, com uma pequena frota, dedicou-se à pilhagem na Propontida, assassinando os seus habitantes. Contudo, ao seu regresso, os Genoveses capturaram o chefe catalão. Miguel IX tentou destruir o Estado catalão, mas foi derrotado em Apros, ao sul-oeste de Rodesto. Privado de tropas, o Império não pôde impedir que os Almogávares saqueassem a Trácia e matassem ou reduzissem à escravidão a população. Os Catalães queimaram os estaleiros imperiais. Pouco a pouco, a tropa catalã tornou-se numa força multinacional: em efeito, os Gregos desertores dos Italianos e dos Turcos reforçaram os efetivos de Berenger. Para além disso, Fernand Ximénez de Arenos desembarcou em Madyte com novos reforços almogávares. Bernat de Rocafort instalou-se em Rodosto e Ramon Muntaner, um historiador aragonês, foi designado governador de Gallipoli. Durante dois anos e meio os Almogávares saquearam e massacraram as populações do território Bizantino. O genovês Spinola tentou atacar Gallipoli em julho de 1308, mas a sua expedição fracassou. Pelo seu lado, Berenger de Entença, pago pelo rei aragonês, fez uma demonstração de força ante Constantinopla.

[editar] Divisão das forças catalãs

Brasão de armas do Ducado de Neopatria.

Pouco a pouco, os recursos da península de Gallipoli acabaram-se e os Catalães decidiram ir-se. Em 1308, o infante Fernando de Maiorca, sobrinho de Frederico II, tomou sob o seu comando a Companhia Catalã. Berenguer de Entença, Ximénez e Muntaner reconheceram o seu mandato, mas Bernat de Rocafort recusou. A saída dos Almogávares para terras mais frutíferas não se desenvolveu como era previsto; após cruzarem o rio Maritsa, as tropas de Bernat de Rocafort enfrentaram-se com as de Entença. Este último faleceu durante a batalha. Conhecendo o sucedido, Ximénez fugou-se para Constantinopla, onde Andrônico o esposou com uma das suas sobrinhas e nomeou-o megaduque.

Constantinopla viu os Catalães dividirem-se e abandonar o território do Império. Rocafort ameaçou inutilmente Tessalônica e partiu para a península de Cassandreia onde saqueou tudo, até mesmo os mosteiros do Monte Athos. Fernand e Muntaner marcharam de Thasos com uma frota e dirigiram-se para o Negroponte, onde encontraram uma esquadra veneziana com Thibaud de Chepoy a bordo, quem reclamava o trono de Constantinopla.

O infante foi capturado e foi liberto o duque de Atenas, que o encarcerou como retaliação da pilhagem do porto de Amyros. As galeiras catalãs foram capturadas e a pilhagem saqueada. Thibaud De Chepoy enviou Rocafort, com o que acabava de aliar-se. Mas ambos os chefes não se terminaram de entender e os capitães, exasperados pela atitude do seu chefe, entregaram Rocafort a Thibaud de Chepoy, que o enviou para Nápoles, onde Robert de Anjou o encarcerou. O final era próximo para os Catalães; sob comando de Thibaud de Chepoy, esgotaram os recursos da península de Cassandreia. Os Almogávares, ao não conseguirem tomar Tessalônica, dirigiram-se para Tessália onde se encontraram com João o Anjo, aliado de Andrônico, que desejava servir-se deles contra os príncipes francos de Grécia. Finalmente, abandonaram João o Anjo, e aceitaram as propostas de Gautier V de Brienne, duque de Atenas. Em seis meses mais, os Catalães capturaram trinta lugares para o duque de Atenas. Porém, Gautier de Brienne cometeu o erro de não pagar mais que uma parte aos Catalães. Estes conseguiram uma última grande vitória contra os cavaleiros francos do Principado de Acaia e das ilhas.

Perseguindo os fugidos, os Almogávares ocuparam Atenas e Tebas, onde fundaram um Estado que duraria 80 anos.

Notas e referências

  1. Miguel IX escreveu ao seu irmão dizendo que a chegada dos Catalães provocaria uma revolta no exército

[editar] Ver também

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