Senhorio de Sídon

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Senhorio de Sídon

Senhorio vassalo do
Reino Latino de Jerusalém

Fatimid flag.svg
1110 – 1291 Mameluke Flag.svg
Localização de Sídon
Mapa político dos estados cruzados no Próximo Oriente em c.1100; o Senhorio de Sído era a região do Reino de Jerusalém entre Tiro e Beirute.
Continente Ásia
País Parte do actual Líbano
Capital Sídon
Língua oficial Francês antigo, latim
Religião Cristianismo ocidental
Governo Suserania hereditária
Período histórico Idade Média
 • 1110 Conquista do território pelos cruzados
 • 1187 Saladino apodera-se do senhorio
 • 1197 Os cruzados retomam o senhorio
 • 1291 Conquista da cidade de Sídon pelos mamelucos
Membro de: Estados cruzados

O Senhorio de Sídon foi um feudo dos estados cruzados localizado em uma faixa costeira do mar Mediterrâneo entre Tiro e Beirute, no actual Líbano.

Segundo o jurista cruzado João de Ibelin, era um dos quatro principais vassalos do Reino de Jerusalém - os outros três eram o Condado de Jafa e Ascalão, o Principado da Galileia e o Senhorio de Oultrejordain. No entanto, aparentemente seria muito menor em extensão do que estes, e o seu peso político poderá na verdade ter sido equivalente a vassalos menores do reino tais como os senhorios de Toron e Beirute.

História[editar | editar código-fonte]

A cidade de Sídon foi conquistada aos fatímidas em Dezembro de 1110 e cedida a Eustácio I Grenier pelo rei Balduíno I de Jerusalém. Seria reconquistada para os muçulmanos por Saladino em 1187, até nova conquista cristã em 1197 por Amalrico II de Jerusalém, com a ajuda de cruzados germânicos sob o comando do arcebispo de Mogúncia, quando também retomaram Beirute. Este exército chegou ainda a cercar Toron, mas a morte do imperador Henrique VI da Germânia provocaria a retirada dos germânicos em 2 de Fevereiro de 1198.

Em 1260 o Império Mongol conquistou Damasco, aliado ao Reino Arménio da Cilícia e ao Principado de Antioquia[1] . Julião Grenier, descrito por seus contemporâneos como irresponsável e leviano, e que hipotecara o senhorio de Sídon à Ordem dos Templários em 1254[2] , tentou saquear territórios sob o domínio dos mongóis. O general mongol Kitbuqa enviou o seu sobrinho para obter satisfações, mas Julião emboscou e matou esta pequena força.

Em resposta, Kitbuqa saqueou a cidade de Sídon, destruindo as muralhas e massacrando os cristãos[3] , chegando mesmo a assaltar o castelo[4] . Financeiramente arruinado após a batalha de Ain Jalut, Julião viu o seu senhorio ser tomado pelos Templários no mesmo ano[2] , nas mãos de quem ficou até à conquista definitiva pelos mamelucos em 1291, juntamente com Tiro e São João de Acre.

Senhores de Sídon[editar | editar código-fonte]

Com os territórios conquistados por Saladino em 1187, Reinaldo foi apenas senhor titular até 1197

Com os territórios tomados Ordem dos Templários em 1254, e subsequente conquista pelos mamelucos, Julião manteve-se senhor titular, passando apenas o título aos seus descendentes:

Senhorio de Schuf[editar | editar código-fonte]

Segundo o sistema feudal, Sídon era vassalo do Reino de Jerusalém, mas suserano de outros feudos menores. Um destes era o Senhorio de Shuf, criado a partir dos territórios de Sídon em c.1170, com o centro do poder na fortaleza da caverna de Tyron, escavada na montanha de frente para a cidade de Sídon[5] . Seria vendido por Julião de Grenier aos Cavaleiros Teutónicos em 1257[6] . Foram seus senhores:

  • André de Schuf (século XIII)
  • João de Schuf (século XIII)
  • Julião de Sídon (meados do século XIII)

Referências

  1. René Grousset. Histoire des Crusades (em ). Paris: Perrin, 1936, 2006. 581 pp. vol. III. 1188-1291 L'anarchie franque in Histoire des croisades et du royaume franc de Jérusalem. ISBN 9782262025694.
  2. a b Genealogia dos senhores de Sídon, Foundation for Medieval Genealogy (em inglês)
  3. Mary Nickerson Hardwicke. A History of the Crusades (em ). Kenneth M. Setton, R. L. Wolff; H. W. Hazard. ed. Madison, Wisconsin: University of Wisconsin Press, 1969. 573 pp. vol. II The Later Crusades, 1189–1311, The Crusader States, 1192–1243.
  4. The Flower of Histories of the East, compiled by Het'um the Armenian of the Praemonstratensian Order, Chapter 30 (em inglês)
  5. Kristian Molin. Unknown Crusader Castles (em ). [S.l.]: Continuum International Publishing Group, 2001. 19 pp. ISBN 9781852852610.
  6. Denys Pringle, Peter E. Leach. The Churches of the Crusader Kingdom of Jerusalem (em ). [S.l.]: Cambridge University Press, 1993. 373 pp. ISBN 9780521390378.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • John L. La Monte. Feudal Monarchy in the Latin Kingdom of Jerusalem, 1100-1291 (em ). [S.l.]: The Medieval Academy of America, 1932.
  • Jonathan Riley-Smith. The Feudal Nobility and the Kingdom of Jerusalem, 1174-1277 (em ). [S.l.]: The Macmillan Press, 1973.
  • Steven Runciman. A History of the Crusades: Vol. II: The Kingdom of Jerusalem and the Frankish East, 1100-1187 (em ). [S.l.]: Cambridge University Press, 1952.
  • Steven Tibble. Monarchy and Lordships in the Latin Kingdom of Jerusalem, 1099-1291 (em ). [S.l.]: Clarendon Press, 1989.