Senhorio da Transjordânia

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Senhorio da Transjordânia

Senhorio vassalo do
Reino Latino de Jerusalém

Fatimid flag.svg
1115 – 1189 Flag of Ayyubid Dynasty.svg
Localização de Transjordânia, Oultrejordain
Mapa político dos estados cruzados no Próximo Oriente em c.1100; o Senhorio de Oultrejordain era a região do Reino de Jerusalém a leste do rio Jordão.
Continente Ásia
País Parte da actual Jordânia
Capital Montreal até 1142, depois Al Karak
Língua oficial Francês antigo, latim
Religião Cristianismo ocidental
Governo Suserania hereditária
Senhores de Oultrejourdain
 • c.1118-1126/1134 Romano de Le Puy
 • 1126/1134-1147 Payen o Mordomo
 • 1147-1161 Maurício de Oultrejourdain, irmão de Payen (território provavelmente sob o domínio real deste 1134)
 • 1161-1167 Filipe de Milly com a sua primeira esposa Isabel, filha de Maurício; depois de viúvo abandonou o senhorio para ingressar na Ordem dos Templários
 • 1167-1168 Gualtério III de Brisebarre, senhor de Beirute, com a sua esposa Helena de Milly, primeira filha de Filipe
 • 1168 Beatriz de Brisebarre, filha de Gualtério e Helena
 • 1168-1173 Onofre III de Toron, primeiro esposo de Estefânia de Milly, segunda filha de Filipe
 • 1173-1174 Miles of Plancy, segundo esposo de Estefânia
 • 1177-1187 Reinaldo de Châtillon, terceiro esposo de Estefânia
 • 1187-1197 (apenas titular a partir de 1189) Onofre IV de Toron, com a sua mãe Estefânia de Milly
 • 1197-c.1199 (apenas titular) Alice da Arménia, sobrinha de Onofre, com o seu esposo Raimundo de Antioquia
Período histórico Idade Média
 • 1115 Construção do Krak de Montreal por Balduíno I de Jerusalém
 • 1189 Conquista de todos os territórios do senhorio por Saladino
Membro de: Estados cruzados

O Senhorio da Transjordânia, Senhorio de Oultrejordain ("para além do Jordão" em francês antigo), Senhorio de Transjordão, Transjordânia ou Senhorio de Montreal foi um feudo dos estados cruzados localizado em uma área extensa e apenas parcialmente identificada, a leste do rio Jordão, anteriormente conhecida como Edom e Moabe. Posteriormente os seus territórios seriam parte do Emirado da Transjordânia, e actualmente da Jordânia.

A sul, os seus territórios estendiam-se através do deserto de Negev até ao Golfo de Ácaba (Ile de Graye, actualmente Ilha do Faraó). Na antiga região de Galaad não havia fronteiras definidas: a norte encontrava-se o mar Morto e a leste a região das caravanas e rotas de peregrinação do Hejaz, sob o domínio do sultão de Damasco.

Segundo João de Ibelin, Transjordânia era um dos quatro principais vassalos do Reino de Jerusalém (os outros três eram o Condado de Jafa e Ascalão, o Principado da Galileia e o Senhorio de Sídon). No século XIII foi chamado de senhorio por este jurista cruzado, mas poderá ter sido tratado como um principado no século XII.

Conquista cruzada[editar | editar código-fonte]

Krak de Montreal, fortaleza que seria o primeiro centro do poder do Senhorio da Transjordânia

Antes da Primeira Cruzada, a região da Transjordânia era controlada pelos fatímidas do Egipto, cujos poucos representantes retiraram com a chegada dos latinos - as várias tribos locais rapidamente acordaram uma paz e posteriormente se submeteram ao domínio ocidental. As primeiras expedições cruzadas a esta área foram feitas por Balduíno I de Jerusalém em 1100, 1107 e 1112. Em 1115 construiu o Krak de Montreal de modo a controlar a rotas das caravanas muçulmanas entre o Egipto, a Arábia e a Síria, o que fornecia enormes rendimentos ao reino.

Ao redor de Petra os cristãos estabeleceram um arcebispado sob a autoridade do Patriarcado Latino de Jerusalém, e posteriormente um senhorio vassalo sob o controlo de Filipe de Milly, anterior senhor de Nablus.

A população da Transjordânia era maioritariamente composta por beduínos xiitas nómadas. A minoria cristã era composta por nómadas ou semi-nómadas em quem os cruzados não confiavam, e cristãos sírios, trazidos de Jerusalém em 1115 para habitar o anterior bairro judaico, cujos habitantes originais tinham sido mortos ou expulsos.

Os beduínos eram de um modo geral ignorados, apesar de os governantes cristãos recolherem impostos das suas caravanas pela passagem pelo território. A terra do senhorio era relativamente boa para a agricultura, principalmente de trigo, romãs e oliveiras. Outra actividade económica era a recolha de sal do mar Morto.

Primeiros senhores[editar | editar código-fonte]

Apesar de estabelecido pelas expedições do rei de Jerusalém, devido à vasta extensão e inacessibilidade da sua área, os senhores da Transjordânia geralmente gozavam de alguma independência quanto ao seu suserano. Balduíno I terá oferecido o feudo a Romano de Le Puy em 1118, mas provavelmente este terá permanecido sob o domínio real até 1126, quando Payen o Mordomo foi nomeado seu senhor (1126-1147). Tradicionalmente, o governante deste senhorio não poderia ter simultaneamente qualquer outro cargo no reino, uma vez que se encontrava afastado do centro do poder.

Castelo de Al Karak, capital do senhorio da Transjordânia desde 1142

A cerca de 1134, o conde de Jaffa Hugo II de Le Puiset e Romano de Le Puy rebelaram-se contra o rei Fulque de Jerusalém, mas foram derrotados e exilados. É possível que a partir desta data o senhorio tenha revertido para o domínio real de Fulque e depois do seu filho Balduíno III. No entanto, continuou a haver senhores da Transjordânia neste período: os irmãos Payen o Mordomo e Maurício de Oultrejourdain.

Em 1142 Fulque construiria o castelo de Al Karak, tornando-o na principal fortaleza cruzada da região. Safed and Subeibe foram outros dos castelos guarnecidos na Transjordânia. Toron (perto de Tiro e Nablus (na Judeia) não se encontravam neste senhorio, mas foram frequentemente governadas pelos seus senhores, geralmente através de casamentos.

Em 1148 o senhor da Transjordânia esteve envolvido na decisão de atacar Damasco durante a Segunda Cruzada, apesar da trégua entre Jerusalém e esta cidade-estado muçulmana vital para o equilíbrio de poderes da região e para a sobrevivência deste senhorio. A cruzada revelou-se um fracasso e os territórios da Transjordânia ficaram numa posição mais debilitada.

Casa de Milly[editar | editar código-fonte]

Maurício legou o senhorio à sua filha Isabel (c.1125-1166) e ao marido desta, Filipe de Milly, que foi convencido a abandonar o seu senhorio de Nablus para ser reconhecido senhor da Transjordânia. Após a morte de Isabel, Filipe ingressou na Ordem dos Templários, da qual seria Grão-Mestre em 11691171. O senhorio passou para as mãos da sua filha Helena, casada com Gualtério III de Brisebarre, senhor de Beirute, e depois para a filha destes, até ser herdado por Estefânia, a segunda filha de Filipe.

Seriam os esposos de Estefânia que governariam o senhorio nos anos seguintes: primeiro Onofre III de Toron, filho do condestável Onofre II; segundo, o senescal Miles de Plancy; e terceiro, a partir de 1177, Reinaldo de Châtillon, o anterior príncipe de Antioquia por casamento com a princesa Constança, recentemente libertado do cativeiro em Alepo.

Reinaldo afirmava que o rei não tinha autoridade na Transjordânia e agia de moto próprio. Usou a posição estratégica dos seus castelos para atacar peregrinos e caravanas muçulmanas, chegando a ameaçar Meca. Saladino respondeu atacando várias vezes as terras transjordânicas, até que a 4 de Julho de 1187 foi travada a batalha de Hattin. Nela, os exércitos cruzados foram derrotados e Reinaldo foi executado às mãos do próprio sultão. Em 1189 o aiúbida conquistara todos os territórios da Transjordânia e destruíra os seus castelos.

Em 1229 Jerusalém foi recuperada por um curto período de tempo para os cristãos, por tratado de Frederico II da Germânia, mas os territórios a leste do rio Jordão nunca mais saíram do domínio muçulmano. Ainda assim, nobres cruzados da linhagem de Isabel de Toron, filha de Estefânia, continuaram a intitular-se senhores ou príncipes da Transjordânia. Até à sua extinção sem herdeiros próximos na década de 1350, a casa de Montfort, senhores de Tiro, deteria o título. Posteriormente, os direitos hereditários provavelmente passaram para os reis de Chipre, também descendentes dos senhores de Toron e Tiro.

Bibliorafia[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]