Natércia (Minas Gerais)
| Município de Natércia | |||||
|
|
|||||
|
|||||
| Hino | |||||
| Fundação | 28 de fevereiro de 1743 | ||||
|---|---|---|---|---|---|
| Gentílico | naterciano | ||||
| Lema | |||||
| Prefeito(a) | José Airton Junho dos Reis (2009–2012) |
||||
| Localização | |||||
|
|
|||||
| Unidade federativa | |||||
| Mesorregião | Sul/Sudoeste de Minas IBGE/2008 [1] | ||||
| Microrregião | Santa Rita do Sapucaí IBGE/2008 [1] | ||||
| Municípios limítrofes | Heliodora, Lambari, Jesuânia, Conceição das Pedras, Pedralva, Santa Rita do Sapucaí e Careaçu[2] | ||||
| Distância até a capital | 387 km | ||||
| Características geográficas | |||||
| Área | 190,422 km² [3] | ||||
| População | 4 650 hab. Censo IBGE/2010[4] | ||||
| Densidade | 24,42 hab./km² | ||||
| Clima | Não disponível | ||||
| Fuso horário | UTC−3 | ||||
| Indicadores | |||||
| IDH | 0,784 médio PNUD/2000 [5] | ||||
| PIB | R$ 42 328,494 mil IBGE/2008[6] | ||||
| PIB per capita | R$ 8 885,07 IBGE/2008[6] | ||||
Natércia é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Sua população estimada em 2004 era de 4.789 habitantes.
Índice |
[editar] Descobrimento
“Há mais de dois séculos passados, quando os bandeirantes na sua heróica missão de desbravantes dos Sertões, passaram pela região Sudeste, em busca de ouro e esmeralda, deixaram vestígios que perduram até nossos dias.” (Junho, 1993:125)
Era no tempo da Captação (coleta) e da Capitação (impostos) do ouro. Faiscadores corriam todos os cantos das Minas Gerais. Sonhavam com tesouros fabulosos, postos a flor da terra.
[editar] História
Denominações
[editar] Descoberto da Pedra Branca
Descoberto era o título que se dava às minas de ouro quando recentemente encontradas. O da Pedra Branca é conhecido desde 1741.
Nesse ano, 33 mineradores que faiscavam em Campanha, percebendo que estavam declinando as minas e devendo atender ao lançamento dos quintos previstos, fizeram chegar ao Ouvidor de São João del-Rei uma petição para que se providenciassem logo os recursos necessários para partilha do Descoberto da Pedra Branca. Assim se expressaram: “Dizem os moradores da Campanha do Rio Verde, abaixo assinados... para a partição do novo Descoberto da Pedra Branca...”
O aludido documento é assinado em primeiro lugar por Francisco Ramos da Silva. É que todos desejavam tentar sorte melhor. Respondeu aos requerentes o ouvidor, excusando-se entretanto das providências em apreço. Alegou as muitas ocupações próprias e sugeriu-lhes requeressem diretamente ao governador-geral das Minas. Insistem novamente os signatários do requerimento e justificam a pretensão “demorando-se-lhes a repartição do Descoberto da Pedra Branca por causa do Caminho e sendo obrigados a abri-lo para efeito de se conseguir a mesma repartição...podem nomear-lhes pessoa que faça a tal repartição”
O caminho que unia Campanha ao novo Descoberto já se achava feito com perfeição notável, auxiliados que foram pelos escravos. Só lhes faltava a autorização exploratória. O governador, no dia 12 de setembro de 1742, assim despachava: “o guarda-mor que venha ao Descoberto da Pedra Branca e faça a repartição das terras com maior brevidade possível e espero nele se haja com aquele zelo e acerto com que se costuma servir a sua majestade.” Estava nomeado o guarda-mor, desde 29 de junho de 1741, sem entretanto exercer o cargo, Francisco Xavier Corrêa de Mesquita, que se deixou ficar em São Gonçalo do Sapucaí, em sua fazenda de mineração. Apesar da desculpa apresentada, o próprio ouvidor teve que fazer pessoalmente a partição, no que foi acompanhado por Bento Pereira de Sá, na qualidade de escrivão das datas e provido a 5 de novembro de 1742.
Bento Pereira de Sá é o primeiro guarda-mor da Pedra Branca e do Sapucaí. Foi guarda-mor até 1760 e exerceu, com muita dedicação e probidade, esse cargo, sempre manifestando sua presença a atuação firme em todas as minas de seu vasto território. Pelos seus muitos méritos de pacificador dos povos em questão melindrosa de governo, foi nomeado “capitão-mor” e regente de ambas as partes do Rio Sapucaí.
[editar] Ribeirão de Santa Catarina da Pedra Branca
Em 1743, o governador de São Paulo, D. Luiz de Mascarenhas, tendo conhecimento que nas Minas do Rio Verde havia grande quantidade de ouro, julgou-se dono do novo descoberto e mandou para ele na qualidade de guarda-mor, Bartolomeu Corrêa Bueno, filho do Capitão Francisco Corrêa de Lemos e Joana Batista Bueno. Teve, porém, pouca duração sua superintendência, porquanto nesse mesmo ano, o ouvidor de São João del-Rei foi informado do que se passava por José Rodrigues da Fonseca, um dos signatários de 1743.
O guarda-mor paulista viera com ordens para tomar posse da Pedra Branca e São Gonçalo. Mas o ouvidor José Antônio Calado, juntamente com os oficiais da Câmara, vieram ter a Campanha e expulsaram o intruso guarda-mor. Então foi feita oficialmente a retificação de limites a 25 de fevereiro do mesmo ano, baseados nas antigas divisas da Mantiqueira, que datavam de 2 de dezembro de 1720. Posteriormente, outras ordens régias ora confirmavam os antigos limites, ora os alteravam. E de tudo notificaram o Governador Gomes Freire, a 6 de agosto de 1743.
No auto de retificação de posse de Santa Catarina, feito a 28 de fevereiro de 1743, consta: “Neste Arraial do Ribeirão de Santa Catarina... da Pedra Branca...estamos de posse deste arraial e seus distritos (aqui a solércia) desde o tempo do primeiro descobridor... por razão de serem estas paragens pertenças de suas posses antigas do Arraial de Santo Antônio da Campanha, por esta se estender, como fica dito, até o alto da Serra da Mantiqueira.”
Assinaram o auto feito pelo escrivão José Joaquim da Silveira, além dele, 23 pessoas e foi dirimida a questão dos limites, por algum tempo. O núcleo do Descoberto da Pedra Branca formou a Paragem e Capela de Santa Catarina.
[editar] Santa Quitéria
Na época em que foi criada a Paróquia que seria de Santa Catarina, não se sabe se por engano ou por muita devoção de alguém recebeu o título de Santa Quitéria. O lugar continuou a registrar os diversos termos eclesiásticos, sem jamais tomar conhecimento do trocadilho, a não ser para titular-se e independer-se. Verificado o engano, tudo se acalmou e Santa Catarina teve legitimamente seu título de Paróquia.
[editar] Santa Catarina
Salvo demonstração em contrário, supõe-se que o nome Santa Catarina, posto no Arraial da Pedra Branca, tenha sido dado por Manoel Lopes Viana ou sua esposa. Era ele natural de Viana e foi casado com Antônia Teixeira, natural de Valença, filha de Francisco Teixeira da Silva, um dos assinantes do requerimento de partição do Descoberto da Pedra Branca e de Jerônima Corrêa. Moravam no sítio denominado Engenho em Santa Catarina e eram senhores de muitos escravos.
A povoação prosperava , sujeita, como tudo que é terreno, à lei de lucros e perdas. Mas foi com o advento do título de Ermida em 1770 elevada pelo Exmo. Vigário Capitular Cônego Vicente Gonçalves Jorge de Almeida, podendo assim gozar de certas prerrogativas que a povoação de Santa Catarina se tornou mais conhecida.
[editar] Natércia
Em 1953 a Câmara Municipal, pela maioria de seus membros, houve por bem trocar o nome para Natércia que é um anagrama de Caterina, baseando-se nos versos de Camões, o grande gênio, o pai da Língua Portuguesa. O nome foi trocado para Natércia, em virtude do extravio de Correspondência para o Estado de Santa Catarina, o que trazia grande transtorno à população local.Hoje Natércia já tem sua bandeira, que foi idealizada pelo Monsenhor José Lefort, da Diocese de Campanha.
[editar] Fundadores
Pode-se admitir que foram fundadores do Arraial de Santa Catarina, em 1749: Manoel Lopes Viana, João Álvares dos Santos, Domingos Pinto Guedes e Francisco Domingos da Rocha. Todos eles foram proprietários de fazendas e remanescentes dos faiscadores do Descoberto da Pedra Branca. Pedro de Alcântara Pereira, abastado proprietário local, doou algumas terras para a fundação da cidade, construindo-se então a capela o cemitério e algumas casas.
[editar] Habitantes
Primitivamente as terras do atual município de Natércia foram habitadas pelos Índios Puris-Coroados, segundo informações do Serviço de Proteção ao Índio. A História guardou como primeiros habitantes do local: José da Silva Passos. José Higino Pereira da silva, Carlos Firmino de Magalhães, o Capitão Faustino de Alcântara Pereira , Manoel Severino de Paiva e o Cônego Antônio Carlos Evêncio da Silveira, que se dedicavam ao Comércio, a agricultura e a pecuária. Hoje os habitantes do município são chamados de Natercianos.
Referências
- ↑ a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ Mapa Político do Estado de Minas Gerais (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (2009). Página visitada em 7 de julho de 2010.
- ↑ IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
- ↑ Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
- ↑ Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.