Noite na Taverna

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Noite Na Taverna
Idioma português
País  Brasil
Género drama, horror
Lançamento 1855
ISBN 8525408646

Noite na Taverna é uma obra de Álvares de Azevedo publicada postumamente no ano de 1855 em uma coletânea de textos do autor em dois volumes. De tons trágicos e cheia de fantasia, a obra é uma autêntica representante da escola byroniana do Romantismo no Brasil.

O livro está dividido em sete capítulos. O primeiro capítulo faz uma introdução, traça o cenário (uma taverna) e apresenta os personagens. O último finaliza a história anterior e o livro simultaneamente, dando um caráter de realidade às histórias narradas pelas cinco personagens. O diálogo inicial entre Satã e Macário, que é o final de outro livro de Álvares de Azevedo, Macário, demonstra que o que se vai ler é algo cheio de vícios. Além disso, uma característica da obra é a visão idealizada do amor, pois só o amor seria capaz de corrigir todos os males.

Reunidos em uma taverna, as personagens, descrentes com a vida e o amor, cheios de vícios e amantes do vinho, definem-se como libertinos, admiram Don Juan e contam "histórias sanguinolentas" envolvendo o amor e crimes do passado, todas com fim trágico. Representação de que o amor e a vida não valeria.

O livro é composto por três básicas características:

  • Amor: histórias macabras
  • Morte: crime e violência. Em todos os capítulos há o tema da morte por amor.
  • Bebida: ao se lembrarem das dolorosas lembranças, as personagens vão se embriagando; com isso parte de sua dor é suavizada.

Citação: "É preferível morrer por amor que viver sem ele."

Solfieri[editar | editar código-fonte]

No segundo capítulo, Solfieri conta uma história de quando estava na Itália, em Roma. Em uma noite chuvosa, ele se depara com um vulto chorando em uma janela. Percebe ser uma bela mulher. Ela deixa a casa e ele a acompanha até um cemitério próximo. Lá, a mulher chora ajoelhada diante de uma lápide enquanto Solfieri adormece.

Um ano se passa quando o narrador, vagando pelas ruas de Roma após uma noite de orgia, adentra sem saber como uma igreja. Vê um caixão. Quem está deitado é a mulher do cemitério. Após perceber que ainda vivia, ele tenta carregá-la pela cidade, em estado catatônico, ou seja, não morta. Chegando em casa, a mulher morre dois dias e duas noites depois, de uma luta febre muito alta. Solfieri a enterra em seu quarto e encomenda uma estátua da defunta.

  • Amor: Solfieri encontra a bela dama, que estava no sono da morte, mas ainda vivia.
  • Morte: a mulher que Solfieri salvou de ser enterrada viva morre dois dias e duas noites depois, de febre altíssima.
  • Bebida: no conto Solfieri estava embriagado de vinho, e embriaga seus colegas que chegam para que possa cuidar da bela donzela.

Bertram[editar | editar código-fonte]

Bertram, um ruivo, conta seu caso de amor por uma espanhola de Cádis chamada Ângela. Eles têm um caso amoroso, quando o pai de Bertram, na Dinamarca, adoece e chama o filho. Ele vai, só retornando dois anos depois. Nesse meio tempo, Ângela casa-se e tem um filho. Os dois tentam continuar seu caso amoroso, mas o marido descobre tudo. Antes que o marido a mate, ela mata a ele e ao pequeno filho, fugindo com Bertram.

Um dia, sem maiores explicações, ela o deixa. Ele passa a viver desesperado tentando esquecê-la, até que cai às portas de um casarão e é atropelado por uma carruagem, sendo socorrido pelos donos da casa. O dono da casa é um velho e tem uma filha de dezoito anos. Bertram e a moça decidem fugir juntos, mas ele logo se entedia dela e vende em um jogo de cartas para um pirata. A moça envenena o pirata e se joga nas águas do oceano.

Na Itália, o narrador decide suicidar-se, mas quando vai fazê-lo é salvo por um marinheiro a quem mata sem o querer. Bertram passa algum tempo no navio, uma corveta, o suficiente para conhecer a esposa do capitão e apaixonar-se por ela, sendo correspondido.

Em meio a esse caso amoroso, o navio é atacado por piratas e afunda, não sem fazer o outro afundar também. Da tripulação salvam-se o capitão, sua mulher, o narrador e dois marinheiros, todos em uma jangada. Após algum tempo, sem água e sem comida, tendo os dois marinheiros sido levados pelo mar, os três tiram a sorte para ver qual morrerá e servirá de alimento para os outros. O capitão perde, mas não aceita seu destino e luta por sua vida. Ele perde a luta e Bertram e a esposa comem o capitão pela falta de alimentos, mantendo-se por dois dias. Quando os dois já estão na praia, já fracos pela fome, a mulher pede por um último momento de amor antes de sua morte, e Bertram acaba sufocando-a por temer a morte.

Após muito tempo vivendo sozinho na praia, Bertram avista um brigue inglês, que o resgata.

  • Amor: primeiro Ângela, depois a jovem de dezoito anos e por último a mulher do capitão.
  • Morte: Ângela matando o marido e o filho; Bertram tenta se suicidar mas acaba matando quem o salva; e ainda há o capitão e os outros dois marujos que servem de alimento a ele e à mulher do capitão (fora os outros que morreram: tripulação o navio, os piratas, etc.)
  • Bebida: no meio da narrativa há uma interrupção, onde diz "Olá mulher, taverneira maldita, não vês que o vinho acabou-se?" Em meio disso aparece um velho e eles brindam a morte.

Gennaro[editar | editar código-fonte]

Ele tinha dezoito anos e era aprendiz de um pintor chamado Godofredo Walsh. Apaixonado pela esposa do mestre, Nauza, uma mulher de vinte anos, era amado por Laura, a filha do pintor. Laura engravida dele mas quando lhe propõe casamento, ele se esquiva. Desgostosa, ela se envenena para tirar o bebê e acaba morrendo de verdade.

O pai, sem nada saber, passa a visitar o quarto da filha todas as noites e, por isso, Gennaro passa a dormir com a mulher dele. O velho faz Gennaro confessar tudo numa noite. Dias depois, o leva para um barranco e tenta matá-lo. Gennaro, no entanto, sobrevive à queda e decide voltar - primeiro para pedir perdão, depois para se vingar. Chegando à casa do pintor, encontra sua amada Nauza e o pintor mortos.

  • Amor: Gennaro por Nauza; Laura por Gennaro.
  • Morte: Laura morre de depressão; Godofredo mata a mulher e a si mesmo.
  • Bebida: não há neste capítulo.

Claudius Hermann[editar | editar código-fonte]

Claudius Hermann é um apostador e é em uma corrida de cavalos que ele vê pela primeira vez a bela duquesa Eleonora, por quem se apaixona. Depois, no teatro, a reencontra e passa a segui-la durante seis meses, querendo possui-la.

Uma noite, suborna um criado para que o deixe entrar e ficar durante uma hora, além de conseguir uma chave do quarto. Ele a deseja tanto que coloca um sedativo no vinho dela e assim, aproveita-se da duquesa, voltando várias vezes.

Em uma dessas noites, o marido dela, o Duque Maffio, também bebe um pouco do narcótico. Claudius, que estava decidido a matá-lo, muda de ideia e a sequestra. Ao chegarem a uma estalagem, no outro dia, ela acorda e ele lhe conta tudo, forçando-a a ficar com ele. Ele lhe dá tempo para pensar. Volta ao quarto mais tarde e vê que a duquesa viu suas cartas, que eram escritas pensando nela; ela muda de ideia e aceita fugir com ele. Alguns dias depois, quando Claudius volta para casa, encontra ela morta e seu marido louco e desfigurado sobre a cama.

  • Amor: ele a vê na corrida e apaixona-se pela duquesa Eleonora, seguindo-a e desejando possui-la.
  • Morte: Claudius volta para casa e encontra Eleonora morta com Duque Maffio ao seu lado.
  • Bebida: ele se aproveita da duquesa colocando um sedativo em seu vinho, chegando, sem intenção, a colocar no vinho do marido dela também.

Johann[editar | editar código-fonte]

A história narrada por Johann tem início em uma casa de jogos em Paris. Ele estava jogando bilhar e estava perdendo, enquanto para seu adversário, um rapaz louro chamado Arthur, faltava apenas uma. Na sua vez de jogar, Arthur esbarra na mesa, desviando a bola e Johann perde. Irritado, ele desafia o rapaz para um duelo de morte e o outro aceita. Partem para um hotel para pegar as armas e aí o louro escreve dois bilhetes. Vão para uma rua erma e mal-iluminada.

Lá, cada um escolhe uma arma, apenas uma das quais estando carregada. Atiram. Arthur cai e pede que Johann pegue os bilhetes, um endereçado à mãe do perdedor e outro à sua amante, contendo um endereço e uma hora marcada, acompanhado de um anel. Johann resolve se passar pelo outro no encontro marcado.

Ele dorme com a amante do defunto e quando se retira do quarto pela manhã, é atacado por um vulto. Há uma luta, os dois rolam escada abaixo e ele mata o vulto. Arrastando-o para a luz, descobre que o vulto era seu irmão, e a moça com quem dormira, sua irmã.

  • Amor: ele vai ao encontro da amante do seu adversário, o qual ele matou, e dorme com ela.
  • Morte: em uma briga de jogo, ele desafia seu adversário para um duelo de morte e este é assassinado, após passar a noite com sua irmã, Johann mata o irmão.

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