Ducado da Pentápolis

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Ducado da Pentápolis
Província do(a) Império Bizantino

554–ca. 752
Location of Pentápolis
Em vermelho as cidades da Pentápolis, em laranja, outras cidades do Exarcado de Ravena
Capital: Rimini
Governador: Duque
Período : Idade Média
 -  Estabelecido sob autoridade do prefeito pretoriano da Itália 554
 -  Conquista pelo rei lombardo Astolfo 752


O Ducado da Pentápolis foi um ducado (em latim: ducatus, um território bizantino governado por um duque (dux) nomeado por e sob a autoridade do prefeito pretoriano da Itália (554-584) e do exarca de Ravena (584-751). A Pentápolis (em grego: πεντάπολις; lit. "cinco cidades") consistiu das cidades de Ancona, Fano, Pesaro, Rimini e Senigália. Ficava junto da costa do mar Adriático entre os rios Maréchia e Musone, imediatamente ao sul do território central do exarcado (o Ravenato), a oeste do Ducado de Perúgia, outro território bizantino, e ao norte do Ducado de Espoleto, que foi parte do Reino Lombardo (fundado em 568). O ducado provavelmente estendeu-se para o interior, tanto quanto os Apeninos, talvez além, e sua cidade mais austral foi Numana, sobre a margem norte do Musone.[1] A capital da Pentápolis foi Rimini e o duque tinha autoridade civil e militar no ducado.[2]

A Pentápolis foi uma das partes da Itália mais vibrante comercialmente. Seus cidadãos tentaram constantemente reduzir a autoridade do exarca no ducado, enquanto a Itália bizantina experimentou uma descentralização geral durante o século VII.[3] Em 725, quando o exarca Paulo quis liderar uma expedição punitiva contra o Ducado de Roma, onde papa Gregório II e os cidadãos usurparam as prerrogativas imperiais e depuseram e substituíram o duque reinante, ele levantou tropas no Ravenato e na Pentápolis. O historiador lombardo, Paulo, o Diácono diz que ele teve grande dificuldade em conseguir as tropas necessárias e sua expedição acabou por ser um fracasso. Em 726, a iconoclastia do imperador Leão III, o Isáurio (r. 717–741) tornou-se pública pela primeira vez, possivelmente através de um édito contra imagens sagradas. A incapacidade do exarca de impor sua autoridade em Roma e sua fraqueza na Pentápolis fez-o impotente quando os "exércitos", ou seja, as milícias aristocráticas romanas, dos ducados do Ravenato, da Pentápolis e Veneza ergueram-se em revolta, declarando-os protegidos pelo papa do decreto imperial, que Paulo tinha sido ordenado a aplicar em toda a Itália (727).[4] [5]

Em 738, o rei lombardo Liutprando (r. 712–744) marchou através da Pentápolis em seu caminho para Espoleto, e durante sua passagem foi atacado por um grupo de "espoletos" (lombardos da Itália Central) e "romano" (habitantes da Pentápolis). Os locais tinham sido incitados a esta aliança contra Liutprando pelo novo exarca, Eutíquio, que pode ter feito um acordo com o Transamundo II.[6] Os pentapolitanos não estavam, tradicionalmente, em bons termos nem com os bizantinos, com os quais Liutprando lutou em 728-729, nem com o exarca em Ravena, que Liutprando também combateu frequentemente, mas é improvável que tenham considerado as incursões lombardas na região deles como uma "libertação".[7] Liutprando atacou Ravena e Cesena na via Emília em 743, provavelmente com objetivo de controlar a passagem através do território bizantino para Espoleto. Seu sucessor, Rachis (r. 744–749), atacou várias cidades na Pentápolis e Perúgia em 749, antes de se retirar para tornar-se monge.[8] Por 752, a Pentápolis foi conquistada pelo rei Astolfo (r. 749–756) dos lombardos.[9]

Referências

  1. Hallenbeck 1982, p. 7
  2. Hutton 1913, p. 119
  3. Noble 1984, p. 3–5
  4. Noble 1984, p. 29–30
  5. Os eventos de 725-727 no Exarcado estão registrados na "Liber Pontificalis", uma coleção de biografias papais; na "Chronicon Venetum" de João, o Diácono, um historiador veneziano; na "Historia Longobardorum" de Paulo, o Diácono; e na muito posterior "Chronicon" do historiador norte-europeu Regino de Prum.
  6. Noble 1984, p. 44
  7. Noble 1984, p. 35
  8. Noble 1984, p. 56–58
  9. Noble 1984, p. 71

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hallenbeck, Jan T.. (1982). "Pavia and Rome: The Lombard Monarchy and the Papacy in the Eighth Century"". Transactions of the American Philosophical Society 72 (4). DOI:10.2307/1006429.
  • Hutton, Edward; Sund, Harald. Ravenna: A Study. Londres e Toronto: J. M. Dent and Sons Ltd, 1913.
  • Noble, Thomas F. X.. The Republic of St. Peter: The Birth of the Papal State, 680–825. Filadélfia, Pensilvânia: University of Pennsylvania Press, 1984. ISBN 0-8122-1239-8.