Pinóquio

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Pinóquio
Personagem de As aventuras de Pinóquio
Pinocchio.jpg
Pinóquio por Enrico Mazzanti - Florença - 1883
Origem Pedaço de madeira
Sexo Masculino
Espécie Marionete viva
Características O nariz cresce sempre que diz uma mentira
Amigo(s) Geppetto (seu criador)
Grilo Falante
Fada Azul
Inimigo(s) O Gato e a Raposa
Criado por Carlo Collodi
Romance(s) As Aventuras de Pinóquio
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Pinóquio (em italiano Pinocchio) é uma personagem de ficção cuja primeira aparição deu-se em 1883, no romance As aventuras de Pinóquio escrita por Carlo Collodi, e que desde então teve muitas adaptações. Esculpido a partir do tronco de uma árvore por um entalhador chamado Geppetto numa pequena aldeia italiana, Pinóquio nasceu como um boneco de madeira, mas que sonhava em ser um menino de verdade. O nome Pinocchio é uma palavra típica do italiano falado na Toscana e significa pinhão (em italiano padrão seria pinolo).

Nome[editar | editar código-fonte]

No romance, Geppetto explica que se chama Pinóquio porque é um nome muito conhecido:

Cquote1.svg Que nome lhe darei? - disse para si memo - Quero chamar-lhe Pinóquio. Este nome lhe dará sorte. Conheci uma família inteira de Pinóquios. Pinóquio o pai, Pinóquia a mãe e Pinóquios os meninos e todos estavam bem. O mais rico deles pedia esmola. Cquote2.svg
Carlo Collodi, Le avventure di Pinocchio, cap. III.

A origem do nome não é clara: se é verdade que pinóquio significa pinhão[1] existem muitos outros nomes similares com pin, que derivam de Pino, alcunha diminutiva de Giuseppino (diminutivo de Giuseppe - José em italiano) como o próprio Geppetto ou também de Filipino (de Filipe) e Iacopino (de Iacopo - Jacó)[2] . Por outro lado, Pinóquia indicava, no dialeto toscano de algum tempo atrás, uma galinha ou uma mulher pequena e um pouco gorducha, mas bem proporcionada.[3]

No sentido de pinhão, pode-se resumir simbolicamente as características do personagem, como evidenciou também Gérard Génot: A "semente" como valor "filial, infantil", no seu próprio ser "de madeira", enfim "a carne na madeira, a germinação na dureza".[nota 1]

Outros preferem reclamar algum topônimo toscano que poderia ter sugerido o nome a Collodi. Em Colle di Val d'Elsa, onde foi aluno do seminário episcopal local[nota 2] havia uma fonte chamada "Fonte do Pinóquio".[nota 3] Segundo alguns poderia ter tomado também do moderno San Miniato Basso, que se chamava na época "Pinóquio", que é também o nome do rio que corre no meio da vila. Era uma localidade que Collodi conhecia bem: o pai de Carlo Lorenzini, Domenico, tinha morado por muitos anos na zona de Pinóquio trabalhando como cozinheiro em casa de uma rica família do lugar.[4]

Notas

  1. Por qual motivo Collodi teria posto o nome Pinóquio ao seu boneco foi ampla e profundamente ilustrado por Gérard Genot em Le corps de Pinocchio por ocasião do I Convegno internazionale di Studi Collodiani, ocorrido em Pescia de 5 a 7 de outubro de 1974. Entre outras, Genot expressou estas considerações (em francês): "Enfin, le nom de Pinocchio, variante toscane de pinolo ou pignolo, qui désigne le pignon ou partie comestible de la pomme de pin (pigna), indique deux propriétés fondamentales du personange ou acteur qui va figurer l'actant-sujet-héros du récit. En tant que graine, il dénote la valeur filiale, infantile du héros, et forme redondance par rapport au thème général du récit. Mais aussi, par son nom ligneux, Pinocchio s'affirme (ou est affirmé) comme être de bois. Toutefois, si l'on sait que les ménagères de Toscane, aujourd'hui encore, amorcent leur feu au moyen de pommes de pin, on n'oubliera pas qu'auparavant, de ces pignes, on a retiré les pinoli. Dès lors, Pinocchio, constamment menacé de consummation (propre, par ignition, voire friture, ou métaphorique, par manducation et/ou transformation), est malgré tout se qu'il faut extraire avant de jeter au feu le tégument ligneux qui provisoirement l'enferme. Le nom de Pinocchio, le Nom-Pinocchio, c'est l'âme de petit garçon de chair du pantin héroique, c'est la chair dans le bois, la germination sous la dureté [...]".
  2. De 1837 a 1842, como relembra uma epígrafe colocada sobre a entrada do mesmo.
  3. Esta fonte é lembrada em Campione delle Strade Fabbriche Fonti e Gore della Comunità di Colle 1777, documento, presente no Archivio di Stato di Siena, de 1777, a qual na época estava “abandonada e seca” e tinha 6 braças de largura por cerca de 2 braças de profundidade. Estava nas vizinhanças do Conservatorio di S. Pietro e foram dadas ordens para sua demolição em 1817, “para construir um muro para suportar e defender a alta Ripa superior da estrada chamada Costa Riccia”. A denominação de Pinocchio a Colle, como está no citado Campione, foi dada também de uma costa, a Costa del Pinocchio.

Referências

  1. Devoto, Giacomo; Oli, Gian Carlo. Dizionario della lingua italiana. Florença: Le Monnier, 1971.
  2. De Felice. Dizionario dei cognomi italiani. Milão: Mondadori, 1978.
  3. Battisti, Carlo; Alessio, Giovanni. Dizionario etimologico italiano. Florença: Barbera, 1950-57.
  4. Alessandro Vegni. Pinocchio è nato a Empoli.