Ponte (sistema nervoso)

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Ponte (sistema nervoso)
Gray768.png
Localização da ponte ("pons" na figura)
Gray679.png
Latim pons
Gray's assunto #187 785
Vascularização artérias pontinas
MeSH Pons

A ponte (também chamada de protuberância, protuberância anelar ou ponte de Varólio) é uma estrutura pertencente ao tronco cerebral.

A ponte pertence ao rombencéfalo. Nasce da porção anterior do metencéfalo, recebendo ainda uma contribuição da porção alar do mielencéfalo.

Índice

Localização [editar]

Situa-se anteriormente em relação ao cerebelo, superiormente ao bulbo e inferiormente aos pedúnculos cerebrais (mesencéfalo).

Limites:

  • Inferior – sulco bulboprotuberancial
  • Superior – sulco pôntico superior

Significância Clínica [editar]

Estrutura [editar]

A protuberância é constituída por duas porções:

  • Protuberância basal – estrutura ventral e que interconecta os dois hemisférios cerebelares através dos pedúnculos cerebelares médios
  • Tegmento, que é uma estrutura mais posterior.

Entre o bolbo raquidiano e a protuberância existe a separá-los o sulco bulboprotuberancial. Entre este sulco e a fissura mediana anterior existe um pequeno orifício, designado de buraco cego.

A protuberância apresenta então a protuberância basal, o tegmento, os pedúnculos cerebelares médios e parte do quarto ventrículo.

Na face ventral esta contém um sulco basilar, onde se encontra a artéria basilar; pedúnculos cerebelosos médios lateralmente e para onde convergem as fibras transversas da protuberância. O nervo trigémio (V), entra no tronco cerebral no seu ponto médio, e outros três nervos cranianos entram, no sulco que existe entre a protuberância basal e o bolbo raquidiano (abducente, facial e vestibulococlear). Origem aparente do nervo oculomotor, ao nível do sulco pôntico superior.

O nervo abducente (VI) é o mais pequeno e o localizado mais medialmente, emergindo no sulco ponticobulbar sobre as pirâmides. O nervo facial (VII) é mais lateral e apresenta duas partes – a raiz motora que é a maior e mais medial e a raiz sensitiva, mais pequena, às vezes referida como nervo intermédio. O nervo vestibulococlear (VIII) é mais lateral que o nervo facial e apresenta também duas partes – a divisão vestibular que é mais medial à divisão coclear.

A parte tegmentar da protuberância apresenta vários núcleos – núcleo abducente, facial e vestibulococlear. Apresenta também o corpo trapezóide que separa a protuberância basal do tegmento e é perfurada pelo lemnisco medial.

Observam-se no tegmento as fibras dos lemniscos que de medial para lateral são:

  • Medial;
  • Espinhal;
  • Trigeminal;
  • Lateral – forma parte do sistema auditivo ascendente e termina no colículo inferior do mesencéfalo.

O pedúnculo cerebelar superior, forma muito do tecto do quarto ventrículo na protuberância e emerge do cerebelo para a linha média, entrando lateralmente, junto à junção entre a protuberância e o mesencéfalo. Nesta junção, emerge o nervo troclear (IV) da superfície dorsal do tronco cerebral.

O pedúnculo cerebelar superior é coberto na protuberância rostral por fibras do lemnisco lateral, que formam parte do sistema auditivo ascendente.

Cortes transversais [editar]

A cada nível do tronco cerebral podem ser identificadas três áreas gerais em corte transversal:

  • A área posterior ao espaço ventricular;
  • A área anterior ao espaço ventricular;
  • As estruturas na superfície anterior do tronco cerebral.

A única parte do tronco cerebral onde a área posterior ao espaço ventricular contém uma quantidade significativa de tecido neuronal é o mesencéfalo – esta região é designada de tecto e é constituída pelos colículos superiores e inferiores. Na protuberância e porção rostral do bolbo o quarto ventrículo é coberto posteriormente pela vela medular superior, pela vela medular inferior e pelo cerebelo.

A área anterior ao espaço ventricular é designada de tegmento e contém a formação reticular, núcleos e feixes dos nervos cranianos, vias ascendentes e descendentes.

Vias ascendentes e descendentes principais: As estruturas na superfície anterior do tronco cerebral contêm fibras descendentes do córtex cerebral para a medula (corticoespinhais), para certos núcleos de nervos cranianos ou para núcleos pônticos que por sua vez projectam fibras para o cerebelo. Estas estruturas incluem os pedúnculos cerebrais, a protuberância basal e as pirâmides do bolbo.

Na protuberância existem portanto três tipos de fibras descendentes:

  • Corticoespinhais;
  • Corticonucleares – que se dirigem aos núcleos dos nervos cranianos;
  • Corticopônticas;

As três maiores vias (corticoespinhal, epinhotalâmico e coluna posterior) estando presentes na medula espinhal estão também presentes no bolbo raquidiano. Dois destes três – o cortinhoespinhal e o espinhotalâmico permanecem na mesma posição relativa com a medula espinhal.

As fibras corticoespinhais' atravessam os pedúnculos cerebrais e a protuberância basal e as pirâmides do bolbo na parte ventral do tronco cerebral. Na junção espinhobulbar a maioria das fibras decussam formando o feixe corticoespinhal lateral.

O tracto espinhotalâmico continua na mesma posição relativa, apresentando-se na porção anterolateral do tegmento. Os feixes da coluna posterior continuam no bolbo para terminar nos núcleos da coluna posterior – gracilis e cuneados. As suas fibras decussam e formam o lemnisco medial que atinge o tálamo. O lemnisco medial começa junto á linha média e desloca-se progressivamente na direcção lateral à medida que se ascende no tronco cerebral.

Porção caudal da protuberância [editar]

Desde a parede rostral onde os pedúnculos cerebelares inferiores entram posteriormente no cerebelo até à porção rostral dos pedúnculos cerebelares médios.

  • O fascículo longitudinal medial continua na mesma posição relativa - adjacente à linha média do pavimento do quarto ventrículo.
  • O lemnisco medial já não se localiza junto a linha média (contrariamente ao bolbo)e está agora posterior à formação reticular.
  • Os feixes que vão dar origem às pirâmides estão dispersos na protuberância que apresenta fibras longitudinais (essencialmente pirâmidais), fibras transversas e núcleos pônticos. A maioria das fibras orientadas longitudinalmente são fibras corticoespinhais, mas outras são fibras corticopônticas. Estas últimas originam-se em muitas áreas do córtex cerebral e terminam ipsilateralmente no núcleo pôntico. As fibras pós-sinápticas dos núcleos pônticos atravessam a linha média e dirigem-se para o cerebelo através do pedúnculo cerebelar médio.
  • O tracto espinhotalâmico e o tracto epinhocerebelar anterior continuam na porção anterolateral do tegmento. Fibras espinhoreticulares relacionam-se com o tracto espinhotalâmico e terminam medialmente às suas fibras, na formação reticular do tronco cerebral.

Porção rostral da protuberância [editar]

Estende-se da porção rostral dos pedúnculos cerebelares médios até à extremidade caudal do aqueduto cerebral.

  • O nervo trigémio está ligado a este nível e o nervo troclear emerge da junção entre a protuberância e o mesencéfalo dorsalmente. O fascículo longitudinal medial é ainda visível. Os pedúnculos cerebelares superiores tornam-se evidentes na parede do quarto ventrículo.
  • O lemnisco medial apresenta-se mais achatado e assume uma orientação transversa na junção entre a protuberância basal e o tegmento pôntico. À medida que o lemnisco medial se localiza mais lateralmente, torna-se cada vez mais adjacente ao tracto espinhotalâmico. O tracto corticoespinhal continua longitudinalmente acompanhado por fibras corticopônticas.
  • O tracto espinhocerebelar anterior desloca-se posteriormente para a superfície do pedúnculo cerebelar superior para entrar no cerebelo.

Referências [editar]

  • Nolte, J. The Human Brain: An Introduction to its Functional Anatomy. Mosby; 6th edition, July 2008.
  • Standring, S. Gray's Anatomy: The Anatomical Basis of Clinical Practice. Churchill Livingstone; 40th edition, November 2008.

Imagens adicionais [editar]