Raio globular

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Gravura de um raio globular a entrar pela janela (1901)
Representação de de um raio globular que entrou pela chaminé (1886)

Um raio ou relâmpago globular é um fenômeno atmosférico elétrico ainda inexplicado. O termo refere-se a relatos de objetos esféricos e luminosos, que variam em diâmetro do tamanho de uma ervilha a vários metros. É geralmente associado com trovoadas, mas dura muito mais tempo do que a fração de segundo de um relâmpago de raio. Muitos dos primeiros relatos dizem que a bola finalmente explode, por vezes com consequências fatais, deixando para trás o odor de enxofre.[1] [2]

Até os anos 1960, a maioria dos cientistas argumentavam que raio globulares não eram um fenômeno real, apesar de inúmeras aparições em todo o mundo e em diferentes épocas.[3] Experimentos de laboratório podem produzir efeitos que são visualmente semelhantes aos relatos de raio globulares, mas ainda não se sabe se tais fenômenos estão relacionados.

Dados científicos sobre os raios globulares naturais ainda são escassos, devido à sua raridade e imprevisibilidade. A presunção de sua existência baseia-se em avistamentos públicos relatados e, portanto, tem produzido resultados um pouco inconsistentes. Dada incoerências e falta de dados confiáveis, a verdadeira natureza do relâmpago globular ainda é desconhecida.[4] O primeiro espectro óptico do que parece ter sido um evento de raio globular foi publicado em janeiro de 2014 e incluiu um vídeo. O registro foi feito em Lanzhou, na China.[5] [6]

Possíveis explicações[editar | editar código-fonte]

Muitas hipóteses científicas sobre os relâmpagos globulares foram propostas ao longo dos séculos. Em 2007, o pesquisador Gerson Paiva conduziu e publicou uma pesquisa experimental pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, Brasil, feita com base em dados espectrográficos que foram registrados por acaso, onde propunha a hipótese do silício vaporizado.[7] Esta hipótese sugere que o raio globular consiste de silício vaporizado que queima através do processo de oxidação. O relâmpago que golpeia o solo da Terra pode vaporizar a sílica contida no seu interior e, de alguma forma, separa o oxigênio do dióxido de silício, transformando-a em vapor de silício puro. Enquanto esfria, o silício pode condensar em um tipo de aerossol flutuante, brilhante devido ao calor do silício recombinado com o oxigênio. O registros do experimento relatam a produção de "bolas luminosas com uma duração da vários segundos" através da evaporação de silício puro com um arco eléctrico.[8] [9] [10] Vídeos e espectrografias desta experiência foram disponibilizadas.[11] [12] Esta hipótese ganhou apoio significativo em 2014, quando o primeiro registro de espectros de raio globures naturais foram publicados. Os teóricos depósitos de silício no solo incluem as nanopartículas de Si, SiO e SiC.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. In: J. B[rooking] R[owe]. The Two Widecombe Tracts, 1638[, giving a Contemporary Account of the great Storm, reprinted with an Introduction]. Exeter: James G Commin, 1905. Página visitada em 29 de junho de 2013.
  2. Day, Jeremiah. (January 1813). "A view of the theories which have been proposed to explain the origin of meteoric stones". The General Repository and Review 3 (1): 156–157. Cambridge, Massachusetts: William Hilliard.
  3. How Stuff Works entry. Acessado em 21 de janeiro de 2014.
  4. Anna Salleh (2008-03-20). Ball lightning bamboozles physicist Abc.net.au. Visitado em 21 de janeiro de 2014.
  5. (17 de janeiro de 2014) "Observation of the Optical and Spectral Characteristics of Ball Lightning". Physical Review Letters 112 (35001). American Physical Society. DOI:10.1103/PhysRevLett.112.035001. Bibcode2014PhRvL.112c5001C.
  6. Slezak, Michael. (16 de janeiro de 2014). "Natural ball lightning probed for the first time". New Scientist.
  7. Agência de Notícias da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE): National Geographic exibe experiência com raios-bola realizada na UFPE (24 de fevereiro de 2011). Visitado em 5 de janeiro de 2015.
  8. (2007) "Production of Ball-Lightning-Like Luminous Balls by Electrical Discharges in Silicon". Phys. Rev. Lett. 98 (4). DOI:10.1103/PhysRevLett.98.048501. PMID 17358820. Bibcode2007PhRvL..98d8501P.
  9. "Lightning balls created in the lab", New Scientist, 10 de janeiro de 2007.
  10. "Ball Lightning Mystery Solved? Electrical Phenomenon Created in Lab", National Geographic News, 22 de janeiro de 2007.
  11. ftp://ftp.aip.org/epaps/phys_rev_lett/E-PRLTAO-98-047705/
  12. Slezak, Michael. Natural ball lightning probed for the first time New Scientist. Visitado em 17 de janeiro de 2014.
  13. Abrahamson, John. (2000). "Ball lightning caused by oxidation of nanoparticle networks from normal lightning strikes on soil". Nature 403 (6769): 519–21. DOI:10.1038/35000525. PMID 10676954. Bibcode2000Natur.403..519A.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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