Revolta da Noite de São Jorge

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A Revolta da Noite de São Jorge (em estoniano: Jüriöö ülestõus, AFI[ˈjy.ri.øː ˈy.les.tɤus]) representa uma série de rebeliões em 1343-1345 da população nativa de fala estoniana do Norte e Oeste da Estônia contra os governantes de origem estrangeira (principalmente os alemães). Foi provavelmente a maior revolta realizada pelos falantes do estoniano contra a classe dominante local dos alemães, que governaram a Estônia do século XIII ao início do XX.

A Noite de São Jorge[editar | editar código-fonte]

Torre do castelo de Weissenstein, em Paide, onde os "reis" estonianos foram enforcados.

A Estônia foi conquistada pelos cruzados da Dinamarca e Alemanha durante o século XIII. Os novos governantes impuseram impostos e obrigações, e aos poucos foram transformando a população nativa em servos. A opressão tornou-se ainda mais intensa quando os novos mestres construíram mansões por todo o país. A região era também politicamente instável. As regiões setentrionais da Estônia, Harria (Harjumaa) e Virônia (Viru), foram entregues à Dinamarca, porém a influência dinamarquesa permaneceu fraca. Os vassalos dinamarqueses eram principalmente camponeses de língua alemã, mas havia também alguns nativos estonianos.

Na Noite de São Jorge (23 de abril) de 1343, os Estonianos, em Harria, iniciaram uma grande revolta. Eles renunciaram ao Cristianismo e assassinaram sem piedade todos com ascendência alemã (as crônicas relatam em 1.800 o número total de vítimas). Foi principalmente uma revolta de camponeses, mas os vassalos estonianos provavelmente tenham participado dela. Os revoltosos conquistaram o monastério-fortaleza dos cistercianos, em Padise e tentaram sitiar Reval (Tallinn), a capital da província, que eles prometeram entregar ao seu aliado, o rei da Suécia. As províncias de Wiek (Läänemaa) e Ösel (Saaremaa) juntaram-se aos revoltosos.

Os revoltosos elegeram seus próprios líderes que foram chamados de "reis" nas crônicas alemãs. Os quatro "reis" insurgentes foram então enviados como seus representantes para negociar a paz com a Ordem da Livônia. Os "reis" estonianos prometeram obediência ao mestre da Ordem contanto que eles não fossem submetidos a nenhum suserano; porém o mestre quis saber por que eles haviam assassinado tantas pessoas, inclusive 28 monges de Padise. A resposta foi a de que todo alemão merecia ser morto mesmo se ele tivesse apenas cerca de meio metro. O mestre da Ordem, Burchard von Dreileben, não gostou da resposta e todos os quatro "reis" estonianos foram enforcados no castelo de Weissenstein (Paide), na província de Jerwia (Järva). A crônica coloca a culpa do incidente nos próprios enviados, dizendo que eles tinham prometido matar todos os alemães e tentado assassinar o Mestre da Ordem. Muitos historiadores não aceitam essa explicação e dizem que as negociações não passaram de uma armadilha para assassinar os líderes da revolta.

Reforço tardio[editar | editar código-fonte]

Em 14 de maio, os revoltosos de Harria foram derrotados pelas tropas da Ordem na Batalha de Kanavere. Os líderes estonianos foram mortos. Quatro dias mais tarde chegaram os aliados dos estonianos, as tropas sueco-finlandesas comandadas por Dan Nilsson, o bailio de Åbo; mas já era muito tarde. Eles foram recebidos pelo comandante da Ordem da Livônia que os convenceram a aceitar um acordo de paz.

O cronista Bartholomäus Hoeneke também conta uma história sobre os Estonianos que planejaram um esquema para entrarem no castelo de Fellin (Viljandi) sem serem vistos, escondendo guerreiros armados dentro de sacos de grãos. O plano falhou quando uma mãe denunciou o esquema para o comandante da Ordem, em troca da vida de seu filho. Esta é certamente uma lenda, mas que tem inspirado muitos escritores.

A revolta na ilha de Ösel[editar | editar código-fonte]

A rebelião na ilha de Ösel durou dois anos. O "rei" oseliano Vesse foi morto em 1344. Os rebelados em Ösel foram dominados em 1345. Depois da rebelião, a Dinamarca vendeu seu domínio na Estônia para a Ordem Teutônica, em 1346.

Conseqüências[editar | editar código-fonte]

Escritores estonianos inspirados na Revolta da Noite de São Jorge têm produzido vários romances históricos, tais como "O Vingador" de Eduard Bornhöhe. A União Soviética tentou usar o aniversário da revolta, em 1943, para jogar os estonianos contra os alemães.

A revolta é também um assunto comum de debates entre historiadores estonianos e os literati. Alguns, como Edgar V. Saks e o escritor Uku Masing têm argumentado, com base em documentos contemporâneos, que, ao contrário do que as crônicas relatam, a revolta não foi uma luta contra o Cristianismo, mas apenas contra a Ordem da Livônia e que os crimes cometidos atribuídos a esta "revolta" foram, na realidade, cometidos pela Ordem. Alguns vêem isto como a continuação da luta entre a Ordem e a Santa Sé. Outros consideram tais fatos como tendenciosos e não históricos.