Sparus aurata

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Como ler uma caixa taxonómicaDourada
Sparus aurata.Dourada.jpg

Estado de conservação
Não avaliada
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Actinopterygii
Ordem: Perciformes
Família: Sparidae
Género: Sparus
Espécie: S. aurata
Nome binomial
Sparus aurata
L., 1758

Sparus aurata é um peixe da família Sparidae. O seu nome vulgar em Portugal é "dourada", sendo bastante apreciado na alimentação.

Pode atingir os 70 cm de comprimento.

É um peixe de ventre prateado e dorso acinzentado, com mancha negra por cima do opérculo e mancha dourada entre os olhos, envolvida por duas zonas escuras. Lábios grossos e dentes frontais fortes.

Habita fundos rochosos do sublitoral.

Alimenta-se de invertebrados e peixes.

Sparus aurata em "Spiaggia de La Pelosa"
na costa oeste norte da Sardenha, Itália.
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Biologia[editar | editar código-fonte]

A Sparus aurata é a única espécie desta vasta família que é atualmente cultivada em grande escala. É comum em todo o Mediterrâneo, evoluindo igualmente ao longo da costa do Atlântico Este, do Reino Unido às ilhas Canárias. O seu nome latino advém da característica lista dourada que ostenta entre os olhos. Pode viver em águas marinhas, bem como nas águas salobras de lagunas costeiras. Embora viva normalmente em fundos rochosos ou arenosos, pode igualmente ser encontrada em pradarias de ervas marinhas. Durante o período de reprodução (de outubro a dezembro), as douradas adultas deslocam se para águas mais profundas. Os alevins migram para águas costeiras ou estuarinas no início da primavera. Esta espécie é hermafrodita: as douradas são machos no primeiro ou segundo ano de vida, transformando se em fêmeas no segundo ou terceiro ano. A dourada alimenta se de moluscos, crustáceos e pequenos peixes.[1]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, a dourada era criada de forma extensiva em lagunas costeiras e albufeiras de águas salobras, nomeadamente no norte da Itália em («vallicoltura») e no sul de Espanha («esteros»). Na década de 1980, a reprodução em cativeiro da dourada começou a ser introduzida com êxito, tendo então sido desenvolvidos sistemas de criação intensiva, sobretudo em jaulas no mar. Desde então, esta espécie tornou se num dos principais produtos da aquicultura europeia. Inicialmente, a cultura da dourada implicava a captura de juvenis. Contudo, hoje em dia, a dourada é produzida essencialmente a partir de juvenis produzidos em estações de produção de juvenis tecnologicamente sofisticadas, que requerem mão de obra qualificada. O caráter hermafrodita desta espécie obriga a uma adequada gestão dos reprodutores. Os peixes adultos são preparados para a reprodução através do controlo do período de exposição à luz do dia (fotomanipulação) e da temperatura. O macho fecunda os ovos da fêmea que flutuam à superfície da água. Os ovos são em seguida recolhidos e introduzidos em tanques de incubação, onde eclodem 48 horas mais tarde. Três ou quatro dias após a sua eclosão e depois de terem absorvido o seu saco vitelino, as larvas começam a alimentar- -se sozinhas: primeiro com algas microscópicas e zooplâncton, em seguida com artémia e, por último, com alimentos inertes de alto teor proteico.Nas lagunas costeiras, as douradas são geralmente criadas com tainhas, robalos e enguias. Se são criadas em sistemas extensivos, alimentam se naturalmente; se são criadas em sistemas semi intensivos, os alimentos naturais disponíveis são complementados com outros alimentos. Nos sistemas intensivos, as douradas são engordadas com granulados industriais, em tanques em terra ou, em muitos casos (no Mediterrâneo e nas ilhas Canárias), em jaulas no mar. Em média, as douradas atingem o seu tamanho comercial ao fim de um ano e meio. [2]

Produção e comércio[editar | editar código-fonte]

A maior parte das douradas comercializadas provêm da aquicultura. A União Europeia é, de longe, o maior produtor mundial, seguida da Turquia. No interior da União, a Grécia é o maior produtor, seguida da Espanha. O comércio entre a União e países terceiros é muito limitado. Em contrapartida, o comércio entre países da União é importante, sendo a Grécia o principal exportador e os principais destinos de exportação Portugal, França e Espanha.[3] Em 2011, Portugal produziu cerca de 828 toneladas[4] de dourada, grande parte no sistema semi-intensivo de esteiro (antigas salinas) As zonas de produção localizam-se nas Rias de Aveiro, Formosa e Alvor, nos estuários do Mondego, Sado e Guadiana. Existe ainda uma produção intensiva em estruturas flutuantes no porto de Sines e na zona Sul da Madeira.

Referências

  1. A Pesca e Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  2. A Pesca e Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  3. A Pesca e Aquicultura na Europa, nº 59 Dezembro 2012 - Comissão Europeia
  4. INE I.P. - Estatisticas da Pesca 2012 - 2013, Lisboa - Portugal