Sundiata Keïta

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Sundjata Keita (ou Sundiata Keita, ou ainda Soundiata Keita) era o Imperador do Mali, nascido em 1190 em Niani (Reino Mandinga, atual Guiné) e faleceu em 1255. Filho de Naré Maghann Konaté (também conhecido Maghan Kon Fatta ou Maghan Keita) e Sogolon Djata (a mulher búfalo), Sundiata Keita nasceu com uma espécie de cegueira (e foi tentando vencer isso com o passar dos anos), e então, quando a curou revelou-se um grande imperador, "tanto que fundou o imperio do malí". Chamava-se Mari Diata; na sua língua, mari quer dizer emir, diata significa leão.

O épico de Sundjata é contado pelos griots, através da tradição oral.

A lenda[editar | editar código-fonte]

A lenda conta a história de Sundiata é quase idêntica ao que realmente aconteceu. Ele venceu e virou rei e depois morreu.

O Épico de Sundiata[editar | editar código-fonte]

Na Epopéia de Sundiata, Naré Maghann Konaté (também chamado de Kon Maghan Fatta ou Maghan o Belo) foi um rei Mandinga que um dia recebeu um caçador divino em sua corte. O caçador previu que ele se casaria com uma mulher feia, ela lhe daria um filho que um dia seria um rei poderoso. Naré Maghann Konaté já estava casado com Sassouma Bereté e teve um filho com ela, Dankaran Toumani Keïta. No entanto, quando dois caçadores do clã Traoré do reino de Do apresentaram-lhe uma mulher, corcunda chamada Sogolon, ele se lembrou da profecia e se casou com ela. Ela logo deu à luz a um filho, Sundiata Keita, que era incapaz de andar ao longo de sua infância. Apesar de sua fraqueza física, o rei ainda concedeu a Sundiata um griô. Isso desagradou Sassouma. [1]

Com a morte de Naré Maghann Konaté (s. 1224), seu primeiro filho, Dankaran Tuman, assumiu o trono mesmo contra os desejos do rei de que a profecia de ser respeitado, pois ela recorreu ao conselho dos anciãos que negaram que um aleijado fosse rei. Depois que Sassouma Bereté ofereceu folhas de Baobá a Songolon em sinal de desdém por ela ter um filho incapaz de realizar tal feito, Sundiata solicitou uma barra de ferro do ferreiro Nounfari, que ele usou para ficar de pé e andar. De imediato Sundiata arrancou o pé de Baobá pela raíz e o prostou aos pés de sua mãe. Sundiata tornou‑se chefe de seu grupo etário; porém, perseguido por Dankaran Tuman, teve que fugir com a mãe e o irmão Mandey Bugari (Abubakar). Esse exílio (nieni na bori) durou longos anos; como nenhum chefe maninka se atrevesse a hospedá‑los, precisaram seguir para Gana: Sundiata Keita foi bem recebido em Kumbi‑Sāleh, porém acabou por se estabelecer em Mema com a mãe e o irmão. O rei de Nema, o mansa Tunkara ou Nema Farin Tunkara, admirado com a bravura do jovem Djata confiou‑lhe tarefas de grande responsabilidade.

Enquanto isso, Soumaoro Kanté, rei feiticeiro cruel de Sosso, atacou o reino mandinga, causando a fuga de Dankaran (o irmão de Sundiata). O povo oprimido então enviou uma comitiva ao exílio de Sundiata em Mema para requerer sua ajuda.

A mãe de Sundiata morre após uma noite de febre alta. Quando a comitiva chega a Mema e pede o retorno de Sundiata, Musa Tunkara fica descontente mas concorda logo depois. Houve entusiasmo entre os Maninka. Cada clã havia formado um exército, e os principais generais, como Tabon Wana (Tabon Ghana), pertenciam ao mesmo grupo etário de Sundiata. Tabon Wana chefiava uma fração dos Kamara, da mesma forma que o primo Kamadian Kamara, de Sibi (localizada entre Siguiri e Kangaba). Faoni Konde, Siara Kuman Konate e Tiramaghan Traore, chefes militares, assumiram essa causa em comum acordo: encontraram‑se com Sundiata na planície de Sibi, e ali selaram a união de suas forças; Sundiata assumiu a direção das operações militares. Os Kamara das aldeias de Niani, Selefugu e Tigan, na margem direita do rio Níger, reunidos em torno do mansa Kara Noro, haviam sido os primeiros a se revoltar, opondo então viva resistência a Sumaoro Kanté, cuja vitória se devera unicamente à atuação do sobrinho Fakoli, general‑em‑chefe de suas tropas. A luta fora árdua, porque os soldados do mansa Kara Noro portavam armaduras de ferro; Fakoli conseguiu derrotá‑los graças à traição da rainha, que lhe entregou o próprio marido. Para celebrar essa vitória, Sumaoro Kanté organizou grandes festas em Niani, capital do mansa Kara Noro; foi então que rompeu com o sobrinho Fakoli, também conhecido como Wana ou Ghana Fakoli. Seduzido pelo talento culinário de Keleya Konkon, mulher do sobrinho, Sumaoro tirou‑a dele. Ofendido, Fakoli atravessou o Níger com suas tropas e, num gesto de vingança, juntou‑se aos aliados, reunidos em Sibi. Sumaoro perdia, assim, seu melhor lugar‑tenente; no entanto, passou imediatamente à ofensiva. Após duas batalhas indefinidas, os Maninka se encorajaram. O combate decisivo travou‑se em Kirina, lugar difícil de situar pois, segundo as tradições orais, a atual aldeia de Kirina é de fundação recente. Sabe‑se que o exército de Sumaoro Kanté era bastante numeroso; é difícil, no entanto, sugerir qualquer cifra. Dentre seus generais estava Diolofing (Jolofing) Mansa, rei do Diolof (Wolof) e chefe dos Tunkara de Kita, também conhecido como grande feiticeiro. A cavalaria de Sumaoro Kanté era célebre: não havia como resistir a seus ataques. Mas as tropas de Sundiata Keita transbordavam de entusiasmo, e o chefe dos aliados exibia muita segurança. Sua irmã Nana Triban, que fora forçada a casar‑ se com Sumaoro Kanté, conseguira fugir de Sosoe e juntar‑se a Sundiata; assim, ele detinha o segredo da força de Sumaoro Kanté. Enquanto Soumaoro foi anti-islamico e feiticeiro, Sundiata fez‑se protetor dos muçulmanos. Na África antiga, a magia era inseparável de toda e qualquer ação. Sumaoro Kanté era invulnerável ao ferro; porém seu tana (totem) era o galo branco. Ele, então, forjou uma flecha com uma espora de galo branco em sua ponta. Assim, Sundiata travou uma guerra contra os Sosso. Finalmente Sundiata venceu Sumaoro na árdua Batalha de Kirina, após atingí-lo com sua flecha especial, que nulificou os poderes de Sumaoro. Logo depois, foi coroado como o primeiro governante do Império Mali. Ele logo começou a organizar o núcleo do império, apresentando ao Gbara, com uma constituição oral, Kouroukan Fouga. É dito que o rei de wolof confiscou uma remessa de cavalos comprada por Sundiata no início de seu reinado. O rei enviou peles e um mensageiro para dize-lo que ele não era caçador ou homem digno de montar a cavalo devendo fazer sapatos com as peles. Após um acesso de fúria ele voltou, dias depois, pronto para subjulgar o rei de Wolof.[2]

Governo[editar | editar código-fonte]

Sundiata instalou-se no governo com os companheiros. Além de militares e homens de guerra, cercou-se de letrados negros pertencentes aos clãs de marabutos já referidos, cujos membros eram “primos jocosos” dos integrantes do clã dos Keita. É provável que durante seu reinado alguns mercadores árabes tenham frequentado a corte. Como já vimos, segundo Ibn Battuta, um descendente de certo Mudrik, que converteu Maridiata ao islamismo, vivia na corte do mansa Solimão. A tradição, contudo, só vê Sundiata como libertador do Manden e protetor dos oprimidos, e não como propagador do Islã. Havia dois tipos de província: aquelas que se tinham unido, desde o início, aos aliados, cujos reis conservaram os títulos – caso de Gana (Kumbi-Saleh) e de Nema –, e as províncias conquistadas. Nessas últimas, ao lado do chefe tradicional, um governador ou farin representava o mansa. Sundiata Keita respeitou as instituições tradicionais das províncias que conquistou; o caráter flexível de sua administração fazia com que o império se assemelhasse mais a uma federação de reinos ou províncias do que a uma organização unitária. Por outro lado, a existência de guarnições mandingas nas principais regiões garantia a segurança, ao mesmo tempo que servia como força de dissuasão. Foi provavelmente Sundiata Keita quem dividiu o império em duas regiões militares. “O príncipe tinha sob suas ordens dois generais: um para a parte meridional, outro para a setentrional; o primeiro chamava-se Sangar Zuma, o segundo Faran Sura. Cada um comandava certo número de caídes e de tropas”

Morte[editar | editar código-fonte]

Correm várias lendas sobre a morte do conquistador; tudo o que nos resta são hipóteses, uma vez que não há concordância entre os detentores da tradição oral. Ademais, no território mande é proibido revelar onde se encontram os túmulos dos grandes reis. Não se conhece nem cemitério nem local de inumação dos soberanos. Segundo tradição recolhida por Maurice Delafosse, Sundiata Keita teria sido flechado acidentalmente durante uma cerimônia. Outras fontes afirmam, porém, que Sundiata Keita teria morrido afogado nas águas do Sankarani, em condições que ficaram obscuras, pois sabemos que, 10 km a montante de Niani, encontra-se o lugar que tem por nome Sundiata-dun (água profunda de Sundiata). Essa parte do Sankarani é muito profunda e agitada por redemoinhos; as pirogas evitam-na. Nessa altura do rio, os Keita de Niani estabeleceram locais de culto em ambas as margens, onde os privilegiados descendentes do conquistador reúnem-se periodicamente para sacrificar frangos, carneiros, cabras e bois. Várias aldeias conservam locais de culto em memória de Sundiata Keita: em Kirina, no Níger, os “tradicionalistas” Mamissoko oferecem-lhe sacrifícios numa floresta sagrada. Em Tigan, a nordeste de Niani, existe em território kamara um enorme monte de cinzas, conhecido como bundalin, sob o qual se encontrariam calçados, uma faca e um traje de guerra que teriam pertencido a Sundiata Keita. Também é conhecido o culto celebrado a cada sete anos em Kangaba, junto ao santuário chamado Kamablon, que conteria igualmente objetos pertencentes ao conquistador. A saga do herói é declamada com o acompanhamento de árias bem definidas; essa epopeia, ou Sundiata fassa, foi composta por Balafasseke Kouyate, griot do conquistador. O canto conhecido como Boloba (a Grande Música), composto pelos griots de Sumaoro Kanté, foi adotado por Sundiata Keita como a música de todo guerreiro mandinga; isto significa que qualquer Maninka pode solicitar a um griot que o execute, seja para ouvi-lo, seja para dançá-lo. A canção conhecida por Janjon (Glória ao Guerreiro) foi composta em homenagem a Fakoli Kuruma, por seus feitos no campo de batalha; o Tiramaghan Fassa canta a bravura e as façanhas de guerra do conquistador das províncias ocidentais do Império do Mali. Duga, velha música guerreira, é bem anterior a Sundiata, sendo reservada aos guerreiros que mais se distinguiam no império.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. http://www.webmande.net/bibliotheque/dtniane/sunjata/tdm.html
  2. unesdoc.unesco.org/images/0019/001902/190252POR.pdf
Cartography of Africa.svgHourglass drawing.svg Este artigo sobre História da África é um esboço relacionado ao Projeto África. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.