Viatodos
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— Freguesia —
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| Localização de Viatodos em Portugal | ||||
| País | ||||
| Concelho | ||||
| - Tipo | Junta de freguesia | |||
| Área | ||||
| - Total | 4,01 km² | |||
| População (2011) | ||||
| - Total | 1 840 | |||
| - Densidade | 458,9/km2 | |||
| Gentílico: | Viatodense | |||
| Código postal | 4775-2** | |||
| Orago | Santa Maria | |||
| Correio electrónico | viatodos.jf@maisbarcelos.pt | |||
| Sítio | www.viatodos.maisbarcelos.pt | |||
| Viatodos é uma freguesia com elementos urbanos raramente existentes em freguesias como esta, como os Bombeiros Voluntários de Viatodos, a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclo de Viatodos, e também bastantes restaurantes, bancos entres muitas outras lojas comerciais. Também contém imensas novas residências modernas e importantes empresas. | ||||
Viatodos é uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 4,01 km² de área e 1 840 habitantes (2011). Densidade: 458,9 h/km².
Índice |
Geografia [editar]
Esta freguesia, que cobre uma vasta e fértil área, beneficiou no passado e continua a beneficiar no presente de nela se cruzarem as estradas que vêm de Famalicão para Barcelos e de Braga para Vila do Conde. Como nas suas vizinhas, a agricultura hoje perdeu importância e os seus moradores ou trabalham nas pequenas unidades industriais e serviços locais ou se empregam em Famalicão ou Braga ou noutras paragens.
Viatodos confronta a nascente com Nine, a sul com Louro, a poente com Minhotães e Grimancelos, e a norte com Monte de Fralães e Silveiros.
Orago e nome [editar]
O orago é Santa Maria, a mãe de Jesus.
Sobre a etimologia do nome desta freguesia, fantasiaram-se versões sem o mínimo de fundamento histórico. De facto, atendendo aos registos mais antigos (Censual do Bispo D. Pedro, Inquirições de D. Afonso III), Viatodos deriva de «Bem-a-todos» (Avelino de Jesus Costa), que então se escrevia «Benatodos». Daqui para a forma Beatodos (que já vem nas Inquirições de D. Afonso II) é um passo. Este é o verdadeiro nome da freguesia. A forma Viatodos, nome oficial, resulta duma hipercorrecção.
Religião [editar]
Em meados do século XVIII, passou a funcionar na freguesia a «palestra» eclesiástica, a que acorriam sacerdotes da freguesia e das vizinhanças. Havia também uma irmandade eclesiástica importante.
Entre os párocos desta freguesia, há o caso bem curioso do Pe. João de Sousa Afonso e Abreu, nascido em S. Mamede de Sandiães, Ponte do Lima, em 1768, e falecido em Viatodos em 1837.
No período de grande desorientação que precedeu a instalação do Liberalismo, fez alarde das suas opções pelas novas orientações políticas.
Tal se deduz claramente da acta do juramento da Carta Constitucional, ocorrido no Couto de Fralães em 1 de julho de 1826. Embora a reunião tenha decorrido na Casa de Fralães, próximo da igreja paroquial local, ele trouxe os participantes para a sua igreja de Viatodos e aí realizou um solene Te Deum de acção de graças. Ainda mais claramente se deduz desta informação de Teotónio da Fonseca: «o P.e João de Sousa Afonso e Abreu, reitor desta freguesia, foi preso por constitucional em 1829 e solto do Aljube do Porto em 1831».
A vitória liberal de 1834 fez dele sem dúvida um herói, conseguindo então anexar a paróquia vizinha de Monte de Fralães. Em 1837, «os seus inimigos porém, quando um dia ele vinha de uma freguesia vizinha, esperaram-no com taleigas cheias de areia e de tal maneira o sovaram com taleigadas que dentro em pouco morreu» (Teotónio da Fonseca).
Embora se desconheça quem o sovou e onde, Monte de Fralães, em 1838, recuperou a sua independência como paróquia e viu o seu pároco expulso retomar o lugar.
Na edição de 1882 de "Portugal Antigo e Moderno" podem-se encontrar dados interessantes sobre Viatodos:
Na noite de 18 para 19 de Abril de 1881, os ladrões sacrílegos arrombaram a porta da igreja matriz desta freguesia e, entrando nela, arrombaram as caixas das esmolas e roubaram o seu conteúdo, assim como bastantes objectos pertencentes ao culto divino; tudo no valor de 200$000 réis (o ordenado anual do reitor era de 160$000 réis).
"A primeira imagem da padroeira era tão antiga e estava em tal estado que o visitador a mandou enterrar e que se fizesse uma nova; mas uma mulher vizinha da igreja não consentiu, levando a imagem para sua casa onde a conservou, com muita devoção. A nova imagem tem um metro d'altura. A igreja matriz é sagrada como se vê das várias cruzes que a cercam nas paredes interiores."
História [editar]
Ao lugar de Febros (aliás, a Britelos) e à Veiga do Olho Marinho, associam as Inquirições de D. Afonso III o nome do trovador João Garcia de Guilhade. No primeiro caso, porque criou aí uma filha, no segundo, porque lá, com outros, cultivava em seu proveito propriedade régia.
À data, parte da freguesia já era «Honra de Farlães».
Em 1548, Viatodos actualizou o seu tombo; é um notável e extenso documento que dá uma ideia precisa da realidade da freguesia.
Viatodos fez parte, desde meados do século XIV até 1836, do Concelho de Fralães; muitos edis deste concelho daqui foram naturais.
Devido ao cruzamento das estradas já assinalado, houve aqui uma estalagem - a estalagem da «Jabelinha» -, como se lhe refere um documento, e, por exemplo, açougue, ferreiros, um ferrador, etc.
As casas mais notáveis foram as dos Vasconcelos, em Palmeira, e a do Xisto, dos Felgueiras Benevides.
Desde o Liberalismo até ao fim da Monarquia, teve sede aqui sede um Distrito do Juiz de Paz, que deixou vasta documentação e que incluía muitas freguesias das redondezas.
Viveu em Viatodos, embora de modo intermitente, o poeta Matias Lima, que a ela dedica muitos poemas.
Foi dela natural o sacerdote Barbosa Campos, que deixou também um conjunto de sonetos.
Outro notável foi o farmacêutico Sr. Oliveira, dono da farmácia da Isabelinha (o registo da botica que precedeu esta farmácia foi feito no tabelião do Couto de Fralães). A ele recorreu a mãe da Beata Alexandrina Maria da Costa uma ou talvez duas vezes para tratamento da filha.
Em 1926, as tropas que do Porto vieram para a estação da CP de Nine fazer frente à insurreição de Gomes da Costa chegaram a encher por completo a Recta da Estação, num espectáculo que causou dó, pelo esgotamento das tropas, e justificados receios.
A Escola Preparatória de Viatodos foi criada há mais de trinta anos.
Em Fonte Velha, ocorreu por meados do século XX um importante achado arqueológico, o do esconderijo dos «machados de Viatodos», valioso conjunto de peças de bronze que remontam ao século VIII a. C. e que durante décadas se guardaram no extinto museu portuense de S. João Novo (hoje deverão encontrar-se no museu bracarense dos Biscainhos).
A Feira da Isabelinha, em tempos semanal, hoje anual, foi criação do Concelho de Fralães, como consta do respectivo Livro dos Acórdãos.