Vittorio Gobbis

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Vittorio Gobbis (Motta di Livenza, 20 de janeiro de 1894São Paulo, 1968) foi um pintor, desenhista, gravador e restaurador ítalo-brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de um pintor de igrejas, nasceu entre tintas e já na infância iniciou seus primeiros ensaios de pintura. Mas o pai, não querendo que seu filho se dedicasse às artes plásticas, enviou-o, aos doze anos de idade, para a casa de um parente na Romênia, onde deveria trabalhar no comércio. Fugiu e voltou escondido para Treviso, cidade próxima da sua vila natal, com a finalidade de estudar artes plásticas que era sua verdadeira vocação.

Obteve emprego num ateliê especializado em restauração de quadros. Foi aí que aprendeu a técnica do restauro, que viria a aplicar muitas vezes em sua vida profissional.

Participou ativamente da Primeira Guerra Mundial de 1914 e, terminado o conflito, formou-se na Academia de Belas Artes de Veneza. Foi um aluno indisciplinado e briguento, mas, ao mesmo tempo, bastante estudioso, pois tornou-se profundo conhecedor de história das artes e de todos os segredos da restauração e da pintura, inclusive a complicada técnica dos artistas pré-renascentistas e os segredos dos admirados mestres da escola veneziana.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Apesar de já ter aberto seu próprio ateliê em Veneza, em 1923, levado pelo espírito de aventura, largou tudo - família, encomendas, quadros - e partiu em busca de novos horizontes, vindo aportar, sem um tostão no bolso, na cidade de São Paulo.

Chegando à capital paulista, cheia de artistas italianos aí residentes, não lhe foi dificil fazer amizades e integrar-se no meio, especialmente o da pintura. Logo destacou-se dos demais pelo seu excepcional conhecimento histórico e técnico da arte de pintar. Para quem já havia restaurado os tesouros guardados nas célebres galerias italianas Chigi e Borghese, certamente teria que se sobressair dos colegas de profisssão. Outro pintor de formação européia e também profundo conhecedor do metier foi Paulo Rossi Osir. Ambos tiveram papel importante no aprimoramento da capacidade profissional de muitos pintores paulistanos da época conforme reconheceu Mário de Andrade.[1]

Prova da competência de Vittorio Gobbis e de sua habilidade no tratamento com obras de arte é a várias vezes citada extração de um afresco representando a Santa Ceia pintado por Antonio Gomide na residência de Carlos Pinto Alves. A preciosa pintura estava no local a vinte e dois anos e foi removida com sucesso para o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo que a recebera em doação.

Exposições[editar | editar código-fonte]

Em 1931 Gobbis foi convidado por Lucio Costa a participar do XXXVIII Salão da Escola Nacional de Belas Artes, o chamado Salão Revolucionário realizado em 1931 com a presença dos principais pintores de São Paulo, o que nunca havia acontecido anteriormente. Pela primeira vez o Salão tradicionalmente preso a uma arte passadista, enchia-se de um novo estilo modernizante. Além de Gobbis, lá estavam Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Ismael Nery, Cândido Portinari, Cícero Dias, Guignard, Tarsila, Paulo Rossi Osir, Lasar Segall e outros tantos artistas de vanguarda de todo o país, ao lado de muitos dos antigos frequentadores de salões anteriores.

A SPAM[editar | editar código-fonte]

Em 1932 um grupo de artistas e personalidades da sociedade paulistana reuniram-se para fundar a Sociedade Pró-Arte Moderna ou SPAM como ficou conhecida. Teve vida efêmera mas muito fez para a afirmação do novo estilo. Realizou alguns eventos que marcaram a vida de São Paulo. No campo das artes pláticas, promoveu duas exposições. A primeira foi aberta em 28 de abril de 1933 com a participação de pintores e escultores contemporâneos, incluindo-se Vittorio Gobbis, e também foram apresentadas ao público, pela primeira vez, obras de grandes nomes internacionais, de propriedade de colecionadores particulares, como Picasso, Lhote, Leger, Giorgio de Chirico e outros não menos famosos. No final do ano, realizou-se a segunda exposição da SPAM, sempre com a presença de Gobbis e a participação de vários artistas vindo do Rio de Janeiro, incluindo-se Portinari e Di Cavalcanti. Estava presente, também, Cecília Meireles que, nessa época, arriscava alguns traços com pincel ou lápis. O fato mais curioso é que a SPAM, para obtenção de recursos financeiros, organizou dois bailes de carnaval, cuja decoração ficou a cargo dos próprios artistas tendo Lasar Segall à frente. Como se pode imaginar, só a decoração já era uma obra de arte.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BRAGA, Teodoro. Artistas pintores no Brasil. São Paulo: São Paulo Edit., 1942.
  • TEIXEIRA LEITE, José Roberto. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988.
  • ALMEIDA, Paulo Mendes de. De Anita ao Museu. São Paulo: Perspectiva, 1976.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. apud Paulo Mendes de Almeida, De Anita ao Museu, p. 167
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