William Bligh

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William Bligh em 1814.

Vice-almirante William Bligh , conhecido como Capitão Bligh, (Plymouth, Devon, 9 de setembro de 1754Londres, 7 de dezembro de 1817) foi um oficial britânico da Marinha Real Britânica e administrador colonial.

Ficou especialmente conhecido pelo motim que sofreu a bordo do "HMS Bounty" em abril de 1789, quando fazia uma viagem de regresso à Jamaica. Durante a Batalha de Copenhague (2 de Abril de 1801), serviu sob as ordens de Nelson, ao comando do HMS Glatton, um navio de 56 canhões.

Depois disso, foi nomeado Governador de Nova Gales do Sul, com o objetivo de acabar com o comércio corupto de rum. Esta sua administração foi a causa de uma insurreição, a Rebelião do Rum, liderada pelo Major George Johnston.

A história do HMS Bounty é bastante conhecida, mas poucos sabem sobre o destino de seu perseguidor, o HMS Pandora.

O HMS Pandora nos seus últimos momentos

O ano era 1787 e o capitão William Bligh comandava o HMS Bounty, em uma viagem em direção ao Pacífico. Sua missão era trazer árvores de fruta pão das ilhas do Pacífico para a colônia britânica nas Índias Ocidentais para alimentar os escravos. William Bligh era um capitão da marinha com uma irretocável ficha de serviços. Era considerado um marinheiro de alta classe e tinha muitos simpatizantes no Almirantado Britânico. O segundo oficial a bordo do HMS Bounty era Fletcher Christian, uma amigo pessoal de Bligh que, junto com dois jardineiros e quarenta e sete tripulantes, compunham a tripulação do navio.

O HMS Bounty no Tahiti

Após dez meses de viagem, o Bounty chegou ao Tahiti onde se transformou em uma "casa verde flutuante" a medida que eram colocados a bordo as árvores de fruta pão. Durante cinco meses, o navio ficou ancorado na ilha e os modos do capitão, que eram considerados rígidos - como todo capitão britânico deveria ser, foram substituídos por uma abertura maior e gradual à medida que os dias iam passando naquele paraíso tropical. Muitos dos tripulantes, incluindo o Fletcher Christian, se apaixonaram pela vida tropical e pelas nativas do Tahiti. Quando os cinco meses se passaram e o Capitão William ordenou que o Bounty deveria navegar, os homens ficaram de coração partido e índole arisca. Foi quando o capitão teve que impor a ordem com comandos pouco populares. Não levou muito tempo, apenas vinte e quatro dias, para um sangrento motim se iniciar a bordo! Fletcher Christian que, além de segundo oficial no comando era amigo de Wlliam Bligh, liderou a rebelião que expulsou o capitão e mais dezenove tripulantes do navio, leais à coroa. Eles foram colocados em um pequeno bote e abandonados a própria sorte! Usando apenas um cronômetro para navegação, o Capitão Bligh cruzou 3.618 milhas náuticas até atingir uma ilha da Indonésia, onde foi resgatado e retornou ao seu lar na Inglaterra. Sob o comando de Fletcher Christian, o Bounty retornou ao Tahiti. Alguns dos amotinados se estabeleceram na ilha enquanto Fletcher navegou com outros oito membros da tripulação e mais uma dúzia de tahitianos para a ilha de Pitcairn para estabelecer um povoamento. Após retirar tudo que poderia ser usado do navio, os amotinados o queimaram na baía principal da ilha. Eles permaneceram sem contato com o mundo ocidental até 1808 quando um baleeiro fez uma parada na ilha.

Quando o Capitão William Bligh finalmente chegou a Inglaterra em 1790, três anos após ter saído do porto de Portsmouth, ele encontrou os almirantes ingleses sedentos por vingança! Não era aceitável em nenhuma hipótese, um motim a bordo de um navio de sua majestade! Os amotinados deveriam pagar da forma mais cruel para que este fato não se repita jamais!

O HMS Pandora

Então os ingleses escolheram um capitão confiável e conhecido por ser um marinheiro rígido e cumpridor das leis para ir atrás dos amotinados do Bounty. Seu nome era Capitão Edward Edwards e seu barco era a fragata de vinte e quatro canhões HMS Pandora. Navegando a todo o pano, o Pandora atingiu o Tahiti em apenas cinco meses, metade do tempo que o Bounty levou. Durante a navegação, o Capitão Edward pensou em como ele iria condicionar os amotinados dentro de seu navio. Após algumas reuniões com seus oficias, ficou decidida a construção de uma caixa, que ficaria na popa do navio. Tal caixa mal comportava quatro homens em pé e só existia uma forma de comunicação com o mundo exterior: uma pequena abertura, de apenas dois lados da caixa, pela qual dificilmente se passaria uma refeição decente ou um pequeno pote de água. Essas eram as "CAIXAS DO PANDORA" !!!!

Logo que chegou ao Tahiti, a tropa a bordo do Pandora localizou os amotinados e os prendeu nas caixas. Eram quatorze prisioneiros, que foram colocados à força dentro destes minúsculos compartimentos. Durante meses o Pandora procurou em vão pelos outros amotinados, incluindo o oficial e líder da rebelião, Fletcher Christian. O capitão Edward singrou todo o Pacífico e finalmente decidiu retornar a Inglaterra, passando pelo estreito de Torres, entre o Nordeste da Austrália e a Nova Guiné. Em 1791, o Pandora encalhou em um recife e perdeu seu leme. A tripulação jogou ao mar todas as peças de artilharia a bordo, em uma tentativa de salvar o navio, mas a embarcação continuava a fazer água. Ao anoitecer o capitão deu a ordem para abandonar o navio, ordenando aos tripulantes que deixassem para trás todos os pertences pessoais. Apenas quatro dos amotinados se salvaram do naufrágio. Após um curto tempo, os náufragos atingiram o Timor e retornaram à Inglaterra.

O REENCONTRO

Em 1970, a busca pelos destroços do Pandora se iniciou. Dois fotógrafos submarinos levaram mais de cinco anos procurando pelos restos do navio e tiveram a ajuda da Força Aérea Australiana, que enviou um avião equipado com um magnetômetro, usado para detectar submarinos. Em 1977 eles localizaram um provável alvo, na parte externa da Grande Barreira de Corais. Quando os mergulhadores foram investigar, eles encontraram a 34 metros de profundidade o que estavam procurando. O naufrágio foi logo sendo declarado como monumento nacional. Uma pesquisa arqueológica só foi iniciada seis anos depois, quando o museu de Queensland assumiu responsabilidade pelo projeto. Após várias expedições, foram identificados no sítio de mergulho vários itens pertencentes ao Pandora, tais como: ferramentas, armas, itens pessoais, parte do casco - ainda visível - ostentando uma âncora, canhões encrostados de corais, etc.

Seringa encontrada no Pandora Dos objetos pessoais encontrados, os mais interessantes foram um telescópio, uma mala de cirurgião, seringas de marfim, um relógio e jarras de cerâmica ainda intactas. Algemas de pernas também foram encontradas, lembrando aos arqueólogos qual era o objetivo do Pandora. Quanto ao Bounty, ele também foi localizado após alguns mergulhos de busca na ilha de Pitcairn. Muito pouco resta do orgulhoso navio britânico pois, além de ter sido desprovido de vários itens, ele também foi incendiado pelos amotinados.

A expedição de busca ao naufrágio do Bounty também encontrou, na ilha de Pitcairn, o povoado que Fletcher Christian e seus companheiros iniciaram. Entre os habitantes, vários são parentes diretos dos ingleses que mancharam a reputação da marinha britânica. Entre os monumentos do povoado, foi encontrada uma pilha de lastro que ostentava uma insígnia de bronze da Marinha Britânica.

E esse foi o fim de dois navios de guerra britânicos. Tudo por causa de um paraíso tropical.

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